quarta-feira, 7 de março de 2018

MPB em evolução (humor?)

A EVOLUÇÃO DA NOSSA MÚSICA...

*Década de 30:*
Tu és divina e graciosa, Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada.
És formada com o ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida
É a preferida pelo beija-flor...."
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*Década de 40:*
"A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar.. Nos seus olhos, eu suponho,
Que o sol, num dourado sonho
Vai claridade buscar
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*Década de 50:*
Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior que o meu amor
Nem mais bonito.
Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você...."

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*Década de 60:*
"Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça.
É ela a menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar.
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema.
O teu balançado é mais que um poema.
É a coisa mais linda que eu já vi passar." 

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*Década de 70:*
"Foi assim como ver o mar a primeira vez
Que os meus olhos se viram no teu olhar....
Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era amor
E vinha pra ficar...." 
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*Década de 80:*
 "Fonte de mel, nos olhos de gueixa, Kabuki, máscara. Choque entre o azul e o cacho de acácias, luz das acácias, você é mãe do sol. Linda...." 
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*Década de 90:*
 "Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz. Mas já não há caminhos pra voltar. E o que é que a vida fez da nossa vida? O que é que a gente não faz por amor?"

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*Em 2001:*
Tchutchuca!
Vem aqui com o teu Tigrão.
Vou te jogar na cama
E te dar muita pressão!
Eu vou passar cerol na mão
Vou sim, vou sim!
Eu vou te cortar na mão! Vou sim, vou sim!
Vou aparar pela rabiola! Vou sim, vou sim"!

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*Em 2002:*
"Só as cachorras!
Hu Hu Hu Hu Hu!
As preparadas!
Hu Hu Hu Hu!
As poposudas!
Hu Hu Hu Hu Hu!" 
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*Em 2003:*
 "Pocotó pocotó pocotó...minha éguinha pocotó!

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*Em 2004:*
 "Ah! Que isso? Elas estão descontroladas! Ah! Que isso? Elas Estão descontroladas! Ela sobe, ela desce, ela da uma rodada, elas estão descontroladas!" 
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*Em 2005:*
"Hoje é festa lá no meu ap, pode aparecer, vai rolar bunda lele!" 
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*Em 2006:*
 "Tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha!!! Calma, calma foguetinha!!! Piriri Piriri Piriri, alguém ligou p/ mim!"

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*Em 2010:*
 " Chapeuzinho pra onde você vai, diz aí menina que eu vou atrás.
Pra que você quer saber?
Eu sou o lobo mau, au, au
Eu sou o lobo mau, au, au
E o que você vai fazer?
Vou te comer, vou te comer, vou te comer,
Vou te comer, vou te comer, vou te comer,
Vou te comer, vou te comer, vou te comer"
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*Em 2017:*
“Olha a explosão
Quando ela bate com a bunda no chão
Quando ela mexe com a bunda no chão
Quando ela joga com a bunda no chão
Quando ela sarra e o bumbum no chão, chão, chão, chão”

*SERÁ QUE AINDA É POSSÍVEL PIORAR?*

@MPB @SOCIAL

terça-feira, 6 de março de 2018

El reloj (Para que nunca amanezca)

O compositor Roberto Cantoral, que era mexicano e também compôs "La Barca", encontrava-se num hospital na Espanha, onde sua esposa se encontrava internada, quando os médicos lhe disseram que a ciência já havia feito todo o possível por ela e que a mesma, provavelmente, não passaria daquela noite.

Nas paredes do hospital havia um relógio que testemunhou esta notícia trágica e daí nasceu este lindo bolero!




Reloj no marques las horas
Porque voy a enloquecer
Ella se irá para siempre
Cuando amanezca otra vez

Nomás nos queda esta noche
Para vivir nuestro amor
Y tu tic-tac me recuerda
Mi irremediable dolor

Reloj detén tu camino
Porque mi vida se apaga
Ella es la estrella
Que alumbra mi ser
Yo sin su amor no soy nada

Detén el tiempo en tus manos
Haz esta noche perpetua
Para que nunca se vaya de mí
Para que nunca amanezca

@Música Latina

domingo, 4 de março de 2018

Prosa: ministério da solidão (João Pereira Coutinho)

Problema da vida moderna não é excesso de solidão, mas escassez

João Pereira Coutinho

E que tal um ministro para a solidão? Não é ideia minha. Já existe. No Reino Unido, a premiê Theresa  May considerou a solidão "a mais triste realidade da vida moderna". Para combater esse mal, indicou a ministra Tracey Crouch para "desenvolver" uma "estratégia" adequada.

Confesso que a ideia me parece absurda. Tão absurda como haver um ministro para a tristeza ou uma ministra para o fracasso. Razão óbvia: Theresa May está errada quando acredita que a solidão é uma "realidade" moderna. Não é.

A solidão, tal como a tristeza e o fracasso, faz parte da condição humana, provavelmente desde o momento em que os membros da espécie tiveram consciência de si próprios.

A solidão não tem "cura" porque, em rigor, não é uma doença. Exceto para a tradição racionalista —antiga e moderna— em que Theresa  May, ironicamente tida por "conservadora", se inspira.

Sobre o racionalismo antigo, não é preciso um conhecimento íntimo de Aristóteles para lembrar o seu argumento político primeiro: o homem é um animal social. O que significa que o reverso desse desígnio só é admissível se estivermos na presença de deuses ou bestas.

Por outras palavras: viver é viver em sociedade, participando nos assuntos da cidade. Eis a célebre "liberdade dos antigos", na definição posterior de Benjamin Constant (1767-1830): para os antigos, os homens só são livres pela submissão dos interesses individuais às necessidades da comunidade.

Claro que o cristianismo introduziu nesse conceito de liberdade uma mudança relevante, ao proteger a inviolável (e solitária) "liberdade interior" dos homens —e, no limite, o direito dos mesmos em repudiarem a cidade terrestre.

Mas o racionalismo floresceu e triunfou a partir de inícios do século 16: se todos os problemas humanos têm solução, o desafio passa por encontrar a "técnica" adequada para responder a tais problemas. "Ministério da Solidão" poderia perfeitamente ser o título de um livro de Francis Bacon (1561-1626).

Mas Theresa May também está errada por outro motivo: e se o grande problema da "vida moderna" não for o excesso de solidão, mas a sua escassez?

Essa é a tese de Michael Harris em "Solitude: In Pursuit of a Singular Life in a Crowded World". O livro é mediano, confesso, mas existem duas ou três observações que merecem leitura e concórdia.

A primeira delas é que a "vida moderna" é uma gigantesca conspiração para abolir a solidão. Basta escutar os desejos utópicos de um qualquer Zuckerberg ensandecido: para os novos profetas do Vale do Silício, o ideal a atingir é um mundo de conversas contínuas, em que a privacidade não passa de uma relíquia —e todos podem espionar todos.

Alguns números: em 2006, 18% da população mundial estava ligada à internet; em 2009, 25%; em 2014, 41%. E, para ficarmos nas "redes sociais", 8% dos americanos frequentavam esses espaços virtuais em 2005. Em 2013, o número andava nos 73%. Em breve, a "conectividade permanente" não será apenas total; será totalitária.

Infelizmente, essas quimeras de "conectividade permanente" nunca questionam qual o preço que pagamos pela perda de solidão. Para Michael Harris, o prejuízo é triplo.

Sem uma boa dose de solidão, perdemos o tempo de quietude no qual as melhores e mais inesperadas ideias acontecem.

Sem uma boa dose de solidão, somos incapazes de entender o que somos e não somos —no fundo, o ponto de partida para haver um ponto de chegada que seja significativo e real.

Sem uma boa dose de solidão, nem sequer ganhamos o que de mais importante podemos oferecer aos outros: uma disponibilidade genuína e limpa de ruído.

No Reino Unido, Theresa  May quer combater a solidão. Se o objetivo do governo for ajudar os abandonados, os doentes e os desprovidos, nada a opor. Para os restantes, talvez fosse mais útil ensinar que a solidão não é uma anormalidade; é parte do que somos. Mas não apenas do que somos; também do que precisamos.

De igual forma, mais importante do que abolir a solidão é aprender a viver com ela; a habitá-la com os instrumentos de uma cultura —a fruição da beleza, da memória, do pensamento; a tratá-la pela segunda pessoa do singular. Quem sabe?

Pode ser que, um dia, o medo da solidão se transforme em gratidão sincera por termos encontrado a nossa companhia.

João Pereira Coutinho

Escritor português, é doutor em ciência política.

http://www.udemo.org.br/2018/leituras/004-Problema-da-vida-moderna-nao-e-excesso-de-solidao-mas-escassez.html

@prosa @filosofia

sábado, 3 de março de 2018

Fábrica argentina projetou dos mais modernos aviões de guerra do mundo - hoje na berlinda (BBC)

FAdeA chegou a projetar algumas das aeronaves mais modernas do mundo.
 
As intervenções da América Latina no mundo da indústria aeronáutica têm sido escassas e nem sempre afortunadas.
A indústria brasileira, com a Embraer, é o grande exemplo de uma empresa latino-americana que fabrica aeronaves de alta tecnologia que atraem os mercados mundiais, desde os jatos leves de passageiros até o avião de combate Tucano. Atualmente, a Embraer negocia uma possível fusão com a Boeing, o que poderia resultar em uma gigante global da aviação.
Mas há mais de meio século, outra empresa latino-americana estava à frente de um experimento ambicioso para entrar nas grandes ligas da aeronáutica.
Era a Fábrica Argentina de Aviões (FAdeA), empresa fundada em 1927 na cidade de Córdoba e financiada pelo Estado, que chegou a ter alguns dos projetos mais sofisticados do planeta, mas nunca decolou completamente e seguiu um relativo declínio que, de acordo com seus críticos, continua até hoje.
 Em 1945, empresa latino-americana estava à frente de um experimento ambicioso para entrar nas grandes ligas da aeronáutica | Foto: Santiago Rivas 

A era de ouro da FAdeA foi em 1945. A Segunda Guerra Mundial tinha acabado de terminar e dezenas de engenheiros que haviam servido à máquina de guerra nazista enfrentaram a perspectiva de uma nação destruída, sem indústria e, no pior dos cenários, um tribunal acusando-os de cumplicidade com a causa de Hitler.
Por isso, muitos partiram. Todas as grandes potências os queriam.
Os Estados Unidos, por exemplo, recrutaram Werner Von Braun, pai dos mísseis nazistas e o grande cientista por trás dos foguetes da Nasa (agência espacial americana), que eventualmente levaram o homem à Lua.

O pedido de Perón

A Argentina acabou sendo favorecida porque seus líderes haviam demonstrado simpatia pelo Eixo durante a Segunda Guerra, disse à BBC Mundo Santiago Rivas, especialista em história da aeronáutica argentina.






Pouco tempo depois, chegou à Argentina Kurt Tank, uma das estrelas do projeto aeronáutico mundial, que esteve por trás de vários dos principais aviões do grupo militar nazista.
A Argentina o recebeu e encomendou grandes projetos, como era esperado de um país cuja riqueza, naquela época, superava a de muitas nações europeias.
"(O então presidente argentino Juan Domingo) Perón pediu a Tank que projetasse uma aeronave de combate supersônica", diz Rivas.
Um esforço a que Estados Unidos estavam dedicados, mas contra o qual a fábrica argentina poderia competir, armada com os projetos de vanguarda vindos da Alemanha.
"Aqui nasceu o modelo conhecido como Pulqui 2, que voou em 1951. Nunca atingiu a velocidade do som, mas a 1.100 km/h alcançava o mesmo que um russo Mig-15 ou um Sabre americano F-86, o mais moderno do mundo na época. Na verdade, tanto o Mig 15 quanto o Saber tiveram algumas ideias tiradas do Tank", explica Rivas.
 Argentina recebeu um dos responsáveis por trás de vários dos principais aviões do grupo militar nazista | Foto: Santiago Rivas

A política

Mas o passo seguinte, a construção em massa desses modelos argentinos, nunca aconteceu. De acordo com alguns relatos da época, os alemães reclamavam que a infraestrutura industrial que tinham na Argentina era precária.


Kurt Tank era um dos principais designers alemães que foram para a Argentina após a guerra 
E, acima de tudo, a política interferiu.
Perón, um grande promotor do projeto, foi derrubado em 1955. Os financiamentos começaram a ficar escassos. Vários dos protótipos se envolveram em acidentes.
O Pulqui 2 estava pronto para produção em 1959. "Mas o que era um modelo novo já estava começando a envelhecer em comparação com as alternativas disponíveis", diz Rivas. "Foi um projeto que durou dez anos de desenvolvimento quando a tecnologia avançava muito rápido. Quando nasceu, já competia com o Saber 86 ou o Mig-15, mas em 1959 ele compete com os supersônicos", ressalta o especialista.
No final dos anos 1950, a Força Aérea argentina decidiu comprar um avião americano em vez do Pulqui. Algum tempo antes, Tank tinha levado seus projetos à Índia, onde conseguiu fabricar um avião em série.

Vaivém

A empresa FAdeA continuou sujeita ao vaivém político da história argentina. Eventualmente, alguns modelos menos ambiciosos foram produzidos, como o Pucará, um avião de turboélice que foi usado brevemente na guerra das Malvinas.


Quando a FAdeA finalmente lançou seu avião, já não podia competir com os supersônicos | Foto: Santiago Rivas 
Na década de 1990, durante o governo de Carlos Menem, a fábrica foi privatizada para se tornar um centro de serviços da americana Lockheed.
Mas na década seguinte, quando Cristina Kirchner chegou ao poder, ela foi renacionalizada em 2009 e virou alvo de ambiciosos projetos- que, para Rivas, nunca tiveram base na realidade orçamentária da empresa.
Dizia-se que muitos ativistas políticos haviam sido contratados pela empresa, enquanto projetos para a produção de 40 aviões Pampa a jato, destinados às Forças Armadas argentinas, não saíram do papel.
Sob o atual governo de Mauricio Macri, as autoridades dizem que estão focadas em melhorar a situação financeira da empresa, reduzindo o grande déficit que enfrenta.
Mas algumas semanas atrás, alguns veículos de comunicação argentinos relataram planos para suspender permanentemente a fabricação de aeronaves na planta, dado o fraco desempenho comercial do Pampa.

Ambições

Debatia-se, de acordo com esses relatos, converter a fábrica e sua pista em um terminal para companhias aéreas de baixo custo. A FAdeA nega que esses planos existam.


FAdeA nega plano de converter sua fábrica e pista em um terminal para companhias aéreas de baixo custo | Foto: Santiago Rivas 

BBC 7/1/2018
Sebastián Ugarte, diretor de Relações Institucionais da empresa, diz à BBC Mundo que "a FAdeA não está considerando acabar com sua linha de produção de aeronaves" e insiste que "o Pampa 3 é um avião com alto potencial de mercado, por conta de suas características técnicas, versatilidade, preço e pela demanda internacional por aviões deste tipo".
Ele afirma que, neste momento, a FAdeA está trabalhando para entregar três dessas aeronaves para a Força Aérea da Argentina.
Algumas peças também estão sendo produzidas para o avião de carga KC-390, produzido pela brasileira Embraer.
Ambições bastante reduzidas em comparação às de uma empresa que, em algum momento, viu-se na vanguarda da tecnologia aeronáutica, mas sem nunca se transformar na potência industrial e militar com o qual os líderes argentinos da época sonhavam.



http://www.bbc.com/portuguese/internacional-42568940

@tecnologia @aviação