10/10/2017
Uma série de perguntas surgem diante da possibilidade da Catalunha se separar da Espanha.
Como seria o futuro da Catalunha sozinha? A região estaria pronta para ser um país?
O líder separatista da Catalunha, Carles Puigdemont, fez um discurso nesta terça dizendo que pretende seguir o desejo do "povo catalão por independência", mas pediu ao parlamento que suspenda os efeitos da declaração para que seja possível encontrar uma solução pacífica com o governo central de Madri.
O governo espanhol já havia afirmado que tomaria todas as providências para que qualquer declaração de independência não tivesse efeito.
O anúncio de Puigdemont pouco mudou a situação do país, sob tensão desde o controverso referendo de 1º de outubro, no qual 2 milhões de pessoas (43% do eleitorado) votaram sobre a separação. De acordo com cálculo do próprio movimento, 90% dos votantes foram a favor da independência. A região tem 7,3 milhões de habitantes.
O referendo foi duramente criticado pelo governo central espanhol e reprimido pela polícia do país. Episódios de violência policial deixaram quase 900 feridos e despertaram mais protestos nessa região do nordeste espanhol. Durante a votação, também 33 policiais ficaram feridos, segundo a imprensa local.
Para um observador casual na Catalunha, a área já pode parecer um país: tem um Parlamento, uma bandeira e um líder, Carles Puigdemont, e sua própria polícia, a Mossos d'Esquadra. Também oferece serviços públicos, como saúde e escolas, além de ter "missões" no estrangeiro - pequenas representações diplomáticas para promover seus produtos e buscar investimentos ao redor do mundo.
Para se tornar um país, porém, a área precisa de mais: controle de fronteiras, alfândega, impostos, relações internacionais, Exército, um banco central, receita federal, controle de tráfego aéreo. Hoje, tudo isso é administrado pelo governo da Espanha.
É possível bancar toda essa estrutura se a Catalunha se tornar independente de fato?
Razões para ficar otimista
"Madrid está no roubando" é um slogan popular na Catalunha. A região é rica comparada com o resto da Espanha. Ela tem 16% da população do país, mas representa 19% do Produto Interno Bruto (PIB) espanhol e mais de um quarto das exportações.
Essa importância econômica também se reverte no turismo. No ano passado, 18 dos 75 milhões de pessoas que visitam a Espanha anualmente escolheram a Catalunha como principal destino - a região é a principal ponto turístico da Espanha.
Direito de imagem AFP/Getty Images
Image caption Carles Puigdemont, líder separatista catalão, deve fazer pronunciamento nesta terça
A cidade de Terragona é um dos maiores polos de tecnologia química da Europa. Barcelona tem um dos maiores portos da União Europeia. Cerca de um terço dos trabalhadores catalães têm formação superior.
Também é verdade que os catalães pagam mais impostos do que recebem em troca, por meio de gastos públicos do Estado. Em 2014, últimos dados disponíveis, os moradores pagaram cerca de € 10 bilhões (R$ 37 bilhões) a mais de impostos do que os gastos estatais na região naquele ano.
Como a independência pode reverter essa situação?
Há quem argumente que, mesmo que a Catalunha obtenha ganhos fiscais com a independência, estes seriam engolidos pelos custos da criação de novas instituições públicas.
Acesso a crédito
Talvez a principal preocupação seja a dívida pública, estimada em € 77 bilhões (R$ 284 bilhões) - ou 35% do PIB local. A maior parte da dívida é com o próprio governo espanhol.
Em 2012, o governo central criou um fundo especial para emprestar dinheiro para as regiões do país que não conseguiam empréstimos no exterior depois da crise financeira. A Catalunha foi a maior beneficiária, pegando € 67 bilhões (R$ 195 bilhões) desde o início do programa.
A Catalunha não só perderia o acesso a esse crédito, como teria de negociar o pagamento - ou não - da dívida com a Espanha. Outra pergunta é se Madri espera que Barcelona também arque com parte da dívida espanhola.
Dúvidas na economia
A incerteza econômica com a perspectiva da mudança já levou dois bancos a decidir transferir suas sedes para outras regiões.
Também há dúvidas sobre a futura relação entre a Catalunha e a Europa. Dois terços das exportações da região vão para a União Europeia. Para entrar no bloco, a Catalunha teria de passar por um novo processo de candidatura à entrada no bloco, pois isso não aconteceria automaticamente. A maioria dos países do bloco, inclusive a Espanha, teria de aceitar o novo membro.
Líderes do movimento pró-independência argumentaram que a Catalunha poderia participar do mercado único sem se tornar membro efetivo da União Europeia. Os catalães poderiam aceitar pagar por esse acesso - como faz a Noruega, por exemplo - e continuar a aceitar a livre circulação de cidadãos europeus por seu território.
E se a Espanha quiser, pode dificultar bastante a vida de uma Catalunha independente.
Direito de imagem David Ramos/Getty Images
Image caption Força local foi criticada por ser passiva pelo governo central, que acionou Guarda Civil e Polícia Nacional para impedir a votação
Há também a questão da moeda. Em 2015, o Banco da Espanha afirmou que a independência poderia causar um desligamento automático da região da zona do euro, perdendo acesso ao Banco Central Europeu.
Normalmente, para usar o euro como moeda, o país precisa ser aceito na União Europeia. Para que isso ocorra, porém, o país precisa cumprir com uma série de critérios, como não ter um porcentual alto do PIB comprometido com dívidas.
E ainda assim, a maioria dos países do bloco teria de aceitar o seu ingresso.
Até hoje, ninguém da zona do euro pediu independência e tentou entrar novamente no bloco como um país.
A Catalunha poderia usar o euro sem entrar na União Europeia? Isso já aconteceu. Países como San Marino e o Vaticano conseguiram fazer isso, uma vez que são pequenos demais para se tornar um membro do bloco.
Kosovo e Montenegro também usam o euro dessa forma - mas eles não têm acesso ao Banco Central Europeu.Compartilhar Sobre compartilhar
http://www.bbc.com/portuguese/internacional-41561722
@política @espanha @catalunha
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
terça-feira, 10 de outubro de 2017
Vídeo: Oyeron el Ypiranga los bancos pacíficos
Menino Argentino torcendo para o Brasil
@humor @futebol
O que a memória ama, fica eterno
TEXTO PARA APRECIAÇÃO DOS
AMIGOS "AMADURECIDOS” PELO TEMPO.(autor desconhecido)
O QUE A MEMÓRIA AMA, FICA ETERNO.
"Quando eu era pequeno, não entendia o choro
solto de minha mãe ao assistir a um filme, ouvir uma música ou ler um livro.
O que eu não sabia é que minha mãe não chorava pelas
coisas visíveis.
Ela chorava pela eternidade que vivia dentro dela e
que eu, na minha meninice, era incapaz de compreender.
O tempo passou e hoje me emociono diante das mesmas
coisas, tocada por pequenos milagres do cotidiano.
É que a memória é contrária ao tempo.
Nós temos pressa, mas é preciso aprender que a memória
obedece ao próprio compasso e traz de volta o que realmente importou,
eternizando momentos.
Crianças têm o tempo a seu favor e a memória muito
recente. Para elas, um filme é só uma animação; uma música, só uma melodia.
Ignoram o quanto a infância é impregnada de eternidade.
Diante do tempo envelhecemos, nossos filhos crescem,
muita gente se despede.
Porém, para a memória ainda somos jovens, atletas,
amantes insaciáveis.
Nossos filhos são nossas crianças, os amigos estão
perto, nossos pais ainda são nossos heróis.
A frase do título é de Adélia Prado: “O que a memória
ama, fica eterno”.
Quanto mais vivemos, mais eternidades criamos dentro
da gente.
Quando nos damos conta, nossos baús secretos_ porque a memória é dada a segredos _ estão
recheados daquilo que amamos, do que deixou saudade, do que doeu além da conta,
do que permaneceu além do tempo.
Um dia você liga o rádio do carro e toca uma música
qualquer, ninguém nota, mas aquela música já fez parte de você _ foi a trilha sonora de um amor, embalou os
sonhos de uma época ou selou uma amizade verdadeira _ e mesmo que os anos tenham se passado,
alguma parte de você se perde no tempo e lembra alguém, um momento ou uma
história.
Ao reencontrar Amigos da juventude, do Colégio ,nos
esquecemos que somos adultos e voltamos a nos comportar como meninos cheios de
inocência, amor e coragem.
Do mesmo modo, perto de nossos pais, seremos sempre
“As Crianças”, não importa se já temos 30, 40 ou 50 anos.
Para eles, a lembrança da casa cheia, das brigas entre
irmãos, das histórias contadas ao cair da noite… serão sempre recentes, pois
têm vocação de eternidade.
Por isso é tão difícil despedir-se de um Amor ou
alguém especial que por algum motivo deixou de fazer parte de nossas vidas.
Dizem que o tempo cura tudo, mas talvez ele só tire a
dor do centro das atenções. Ele acalma os sentidos, apara as arestas, coloca um
band-aid na ferida.
Mas aquilo que amamos tem disposição para emergir das
profundezas, romper os cadeados e assombrar de vez em quando.
Somos a soma de nossos afetos, e aquilo que nos tocou
pode ser facilmente reativado por novos gatilhos _ uma canção cala nossos
sentidos; um cheiro nos paralisa lembrando alguém; um sabor nos remete à
infância.
Assim também permanecemos memórias vivas na vida de
nossos filhos, cônjuges, ex amores, amigos, irmãos.
E mesmo que o tempo nos leve daqui, seremos
eternamente lembrados por aqueles que um dia nos amaram."
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
domingo, 8 de outubro de 2017
País repete abismo de classes na internet (Estado de São Paulo)
Com banda larga de
‘primeiro mundo’ e escassez convivendo juntas, Brasil depende de investimentos
públicos e privados para ampliar acesso
domingo, 8 de outubro de 2017
domingo, 8 de outubro de 2017
Bruno Capelas
Queixa “Sem
internet o Brasil vai perder o trem do futuro. As empresas querem investir, mas
precisam de condições.” Eduardo Navarro PRESIDENTE DA VIVO
Quem usa a
internet nas grandes cidades não imagina, mas existem dois Brasis diferentes no
que diz respeito à rede. Segundo dados da pesquisa TIC Domicílios 2016, realizada
pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), 54% das casas têm acesso
regular à web. Há, no entanto, um abismo socioeconômico entre os níveis de
conexão: enquanto as classes Ae B têm uma situação digna de nações
desenvolvidas como Islândia e Reino Unido, a população das classes De E está
mais perto da realidade digital de países como Bolívia, Egito e Quênia.
Mais do que apenas
a quantidade de gente online, há diferenças na qualidade, velocidade e na
oferta do serviço que podem ser cruciais para o desenvolvimento do País no
futuro.
Para “unificar”
esses dois países, por meio da expansão das redes de banda larga fixa e móvel,
será preciso muito esforço – e dinheiro. Segundo estudo recente da consultoria
Boston Consulting Group (BCG), é necessário aplicar R$ 200 bilhões nos próximos
dez anos para conectar 90% da população brasileira. O valor é 38% maior que o
investido pelas operadoras nos últimos anos – seria preciso investir mais R$ 5
bilhões ao ano.
Entraves.
Dispor desse
valor, no entanto, soa impensável para as operadoras em um momento de crise
econômica e redução nas receitas de voz e mensagens de texto (SMS). “Hoje, o
problema é muita regulação e imposto”, diz Ricardo Distler, diretor executivo
da consulto- ria Accenture.
Durante a última
semana, na Futurecom, maior evento do setor na América Latina, a reclamação foi
repetida pelas teles. “Não é preciso nenhum MBA para conseguir entender nossa
conta”, brincou José Felix, presidente da Claro Brasil, durante um debate. Há
quem discorde. “As empresas não estão quebradas, salvo exceções”, diz Rafael
Zanatta, analista de telecomunicações do Instituto Brasileiro de Defesa do
Consumidor (Idec). “As operadoras fazem terrorismo econômico para pressionar o
governo.”
Dos R$ 191 bilhões
gerados pelas operadoras em 2016, segundo o BCG, 40% foi revertido para o
governo em carga tributária, 15% virou investimento e só 3% retornou aos
acionistas. “Sem internet, o Brasil vai perder o trem do futuro”, diz Eduardo
Navarro, presidente da Vivo. “As empresas querem investir, mas precisam de
condições.”
Saídas.
Hoje, três saídas
são discutidas pelo setor. A principal é a aprovação do projeto de lei
complementar 79/2016, que reforma a Lei Geral de Telecomunicações, de 1997. Ele
permite que as teles fixas migrem de concessões para autorizações, sem
obrigação de universalizar os serviços. Nesta semana, o projeto retornou ao
Senado, após meses parado no Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa é de
que o texto seja sancionado pelo presidente Michel Temer até o fim do ano.
Outro caminho
possível é a aprovação de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), que trocam
multas impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) por
investimentos em banda larga. Há duas semanas, o TCU
deu parecer favorável a um TAC entre a Vivo e a Anatel, trocando multas por
aportes que podem chegar a R$ 4,8 bilhões. Uma terceira saída, possível apenas
em longo prazo, é a liberação de fundos setoriais para cumprirem, enfim, seu
destino.
A VIDA DE
QUEM ESTÁ FORA DA REDE
Agricultores não
querem ser ‘reféns’ da tecnologia
As frases “me
adiciona no Facebook” ou “anota o meu Whatsapp” não fazem parte do vocabulário
do casal de gaúchos Antônio e Juliana Colling. Os agricultores, que vivem na
zona rural de Santa Maria do Herval, cidade da Serra Gaúcha com pouco mais de 6
mil habitantes, fazem parte da parcela de brasileiros que vivem desconectados.
“Vivemos totalmente fora deste novo mundo”, afirmou Juliana, de 57 anos, em
meio a gargalhadas.
O dia do casal de
agricultores começa antes do alvorecer. “Acordamos às 5h30, ainda está escuro.
Preparo o chimarrão e ligo meu radinho de pilhas para saber das notícias”,
conta ela. O casal ganhou seu primeiro celular de presente há dois meses, mas
ainda não sabe usá-lo. “Não quero ficar refém.”
Na região onde o
casal reside, a cerca de 25
quilômetros no interior de Santa Maria do Herval, o
sinal de telefonia móvel nem sequer funciona, quanto mais a banda larga móvel.
Avesso à
tecnologia, Antônio destaca as desvantagens de viver no mundo virtual. Quando
visita sua irmã e seus sobrinhos, que moram na cidade de Novo Hamburgo, ele diz
que eles não tiram os olhos do celular e é até difícil conversar com eles.
“Ao mesmo tempo em
que dizem que a internet aproxima as pessoas, ela também afasta, distancia”,
lamenta o agricultor. “Aqui em casa, se eu quero falar com um amigo, eu pego o
telefone e ligo ou vou até a casa dele. Se quero saber das notícias, tenho o
rádio para me informar.”
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
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