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quarta-feira, 6 de junho de 2018
terça-feira, 5 de junho de 2018
segunda-feira, 4 de junho de 2018
Caixão Terapia
Para desestimular suicídio, empresas sul-coreanas fecham funcionários em caixões
Stephen Evans Da BBC News em Seul 14 dezembro 2015
Image caption Projeto quer que participantes repensem problemas da vida
A Coreia do Sul tem uma das maiores taxas de suicídio do mundo, e funcionários muitas vezes relatam estarem estressados. Para reverter essa tendência, algumas empresas estão apostando em uma nova forma de fazer seus empregados aproveitarem a vida: simulando seus funerais.
Em um salão de um bloco de escritórios modernos em Seul, funcionários de uma empresa de recrutamento estão encenando seus próprios funerais. Vestidos com roupões brancos, sentam-se em mesas e escrevem suas cartas de despedida para parentes. O som de choros e de lenços de papel sendo puxados de caixas toma conta da sala.
E, em seguida, o clímax: eles sobem e ficam sobre os caixões de madeira, dispostos ao lado deles. Eles param, entram e deitam-se. Cada um abraça uma foto de si mesmo, envolta numa fita preta.
À medida que olham para cima, os caixões são fechados por um homem vestido de preto com um grande chapéu. Ele representa o Anjo da Morte. Fechados na escuridão, os funcionários refletem sobre o sentido da vida.
O ritual macabro é um exercício de união criado para ensiná-los a valorizar a vida. Antes de entrarem no caixão, eles assistem a vídeos de pessoas que enfrentam adversidades - um paciente com câncer aproveitando ao máximo seus últimos dias ou alguém que nasceu sem algum membro aprendendo a nadar.
Tudo isso foi planejado para ajudá-los a aceitar seus próprios problemas, que devem ser vistos como parte da vida, diz Jeong Yong-mun, que dirige o Centro de Cura Hyowon - seu trabalho anterior foi numa funerária.
Image caption Neste experimento, funcionários entram em caixões, que são fechados por um 'Anjo da Morte'
Image caption Participantes também escrevem cartas finais para parentes
Image caption
'Pode ser uma experiência tão chocante que pode fazer com que eles refaçam seus pensamentos', disse presidente de empresa que enviou funcionários
Nesta sessão, os participantes são funcionários da empresa de recursos humanos Staffs, que os mandou para lá.
"Nossa empresa sempre incentivou os funcionários a mudar suas velhas maneiras de pensar, mas era difícil conseguir qualquer diferença real", diz seu presidente, Park Chun-woong.
"Acho que ficar dentro de um caixão pode ser uma experiência tão chocante que pode levá-los a repensar a vida".
É difícil saber o que os empregados pensam - a Coreia do Sul é uma sociedade muito paternalista e é improvável que eles critiquem a política da empresa. Mas a experiência parece ter tido algum impacto.
"Depois da experiência do caixão, percebi que deveria tentar viver um novo estilo de vida", disse Cho Yong-tae, que acabou de concluir a experiência. "Percebi que fiz um monte de erros. Espero ser mais apaixonado pelo meu trabalho e passar mais tempo com minha família".
Como presidente da empresa, Park Chun-woong acredita que a responsabilidade do empregador vai além do escritório. Ele também insiste que sua equipe se envolva em outro ritual todas as manhãs antes de começar a trabalhar - eles fazem exercícios de alongamento que culmina em uma onda de gargalhadas altas e forçadas. É uma cena estranha de se ver.
Image caption Funcionários participam de roda de risos antes do início dos trabalhos
"No começo, rir junto parecia muito estranho e eu me perguntava qual o benefício isso poderia ter", disse uma mulher. "Mas uma vez que você começa a rir, você vê o rosto de seus colegas e acaba rindo junto".
"Eu realmente acho que tem uma influência positiva. Há tão pouco do que rir num ambiente de escritório normal, acho que este tipo de riso ajuda".
Certamente, rir é preciso no ambiente de trabalho sul-coreano. O país tem a maior taxa de suicídio no mundo industrializado. Há uma queixa constante de "presenteísmo" - ter que chegar ao escritório antes que o chefe e ficar até ele ir embora.
A Associação Neuropsiquiátrica Coreana revelou que um quarto dos entrevistados em uma pesquisa sofria de altos níveis de estresse - e a causa mais citada eram problemas no trabalho.
No ano passado, a prefeitura tentou alterar a cultura de trabalho ao instituir uma sesta, permitindo que seus funcionários tirassem um cochilo por uma hora durante o dia - mas havia um porém: eles deveriam chegar uma hora antes ou ir embora uma depois para compensar a soneca.
A ideia não pegou em outros lugares do país. A competição começa cedo e é difícil para adultos desligarem o impulso competitivo que desenvolveram como crianças.
Image caption Sociedade sul-coreana é extremamente competitiva
Image caption Há forte pressão por boas notas que possam levar a bons empregos
Preces e voos suspensos
Na semana passada, houve um dos exemplos mais bizarros da natureza competitiva da Coreia do Sul.
Mais de 630 mil alunos adolescentes participaram de um vestibular. O teste determina se eles irão para uma universidade de elite, uma menos prestigiada ou ficarão simplesmente de fora. Ao chegarem à prova às 8h, os estudantes foram aplaudidos por colegas e uma incrível onda de abraços.
Alguns adultos começaram a trabalhar uma hora mais tarde para aliviar o trânsito - e permitir que os candidatos chegassem na hora. Qualquer estudante atrasado poderia ligar para uma central de apoio e contar com ajuda de policiais de moto para levá-lo. Voos foram suspensos por 35 minutos pela tarde para não atrapalharem exames orais de inglês.
Em Seul, pais de candidatos escalaram um templo budista em uma montanha para rezar pelo sucesso dos filhos. Todos os dias por 12 semanas, mães e avós realizaram um ritual de oração em que ajoelharam-se e curvaram-se repetidamente. Sobre elas, lanternas com os nomes dos alunos, o motivo de todas as rezas.
Com este tipo de pressão para conseguir notas que levam a bons empregos, não é nenhuma surpresa que os níveis de estresse sejam tão altos na Coreia do Sul.
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151214_coreiadosul_caixao_terapia_hb
@social @psicologia
Stephen Evans Da BBC News em Seul 14 dezembro 2015
Image caption Projeto quer que participantes repensem problemas da vida
A Coreia do Sul tem uma das maiores taxas de suicídio do mundo, e funcionários muitas vezes relatam estarem estressados. Para reverter essa tendência, algumas empresas estão apostando em uma nova forma de fazer seus empregados aproveitarem a vida: simulando seus funerais.
Em um salão de um bloco de escritórios modernos em Seul, funcionários de uma empresa de recrutamento estão encenando seus próprios funerais. Vestidos com roupões brancos, sentam-se em mesas e escrevem suas cartas de despedida para parentes. O som de choros e de lenços de papel sendo puxados de caixas toma conta da sala.
E, em seguida, o clímax: eles sobem e ficam sobre os caixões de madeira, dispostos ao lado deles. Eles param, entram e deitam-se. Cada um abraça uma foto de si mesmo, envolta numa fita preta.
À medida que olham para cima, os caixões são fechados por um homem vestido de preto com um grande chapéu. Ele representa o Anjo da Morte. Fechados na escuridão, os funcionários refletem sobre o sentido da vida.
O ritual macabro é um exercício de união criado para ensiná-los a valorizar a vida. Antes de entrarem no caixão, eles assistem a vídeos de pessoas que enfrentam adversidades - um paciente com câncer aproveitando ao máximo seus últimos dias ou alguém que nasceu sem algum membro aprendendo a nadar.
Tudo isso foi planejado para ajudá-los a aceitar seus próprios problemas, que devem ser vistos como parte da vida, diz Jeong Yong-mun, que dirige o Centro de Cura Hyowon - seu trabalho anterior foi numa funerária.
Image caption Neste experimento, funcionários entram em caixões, que são fechados por um 'Anjo da Morte'
Image caption Participantes também escrevem cartas finais para parentes
Image caption
'Pode ser uma experiência tão chocante que pode fazer com que eles refaçam seus pensamentos', disse presidente de empresa que enviou funcionários
Nesta sessão, os participantes são funcionários da empresa de recursos humanos Staffs, que os mandou para lá.
"Nossa empresa sempre incentivou os funcionários a mudar suas velhas maneiras de pensar, mas era difícil conseguir qualquer diferença real", diz seu presidente, Park Chun-woong.
"Acho que ficar dentro de um caixão pode ser uma experiência tão chocante que pode levá-los a repensar a vida".
É difícil saber o que os empregados pensam - a Coreia do Sul é uma sociedade muito paternalista e é improvável que eles critiquem a política da empresa. Mas a experiência parece ter tido algum impacto.
"Depois da experiência do caixão, percebi que deveria tentar viver um novo estilo de vida", disse Cho Yong-tae, que acabou de concluir a experiência. "Percebi que fiz um monte de erros. Espero ser mais apaixonado pelo meu trabalho e passar mais tempo com minha família".
Como presidente da empresa, Park Chun-woong acredita que a responsabilidade do empregador vai além do escritório. Ele também insiste que sua equipe se envolva em outro ritual todas as manhãs antes de começar a trabalhar - eles fazem exercícios de alongamento que culmina em uma onda de gargalhadas altas e forçadas. É uma cena estranha de se ver.
Image caption Funcionários participam de roda de risos antes do início dos trabalhos
"No começo, rir junto parecia muito estranho e eu me perguntava qual o benefício isso poderia ter", disse uma mulher. "Mas uma vez que você começa a rir, você vê o rosto de seus colegas e acaba rindo junto".
"Eu realmente acho que tem uma influência positiva. Há tão pouco do que rir num ambiente de escritório normal, acho que este tipo de riso ajuda".
Certamente, rir é preciso no ambiente de trabalho sul-coreano. O país tem a maior taxa de suicídio no mundo industrializado. Há uma queixa constante de "presenteísmo" - ter que chegar ao escritório antes que o chefe e ficar até ele ir embora.
A Associação Neuropsiquiátrica Coreana revelou que um quarto dos entrevistados em uma pesquisa sofria de altos níveis de estresse - e a causa mais citada eram problemas no trabalho.
No ano passado, a prefeitura tentou alterar a cultura de trabalho ao instituir uma sesta, permitindo que seus funcionários tirassem um cochilo por uma hora durante o dia - mas havia um porém: eles deveriam chegar uma hora antes ou ir embora uma depois para compensar a soneca.
A ideia não pegou em outros lugares do país. A competição começa cedo e é difícil para adultos desligarem o impulso competitivo que desenvolveram como crianças.
Image caption Sociedade sul-coreana é extremamente competitiva
Image caption Há forte pressão por boas notas que possam levar a bons empregos
Preces e voos suspensos
Na semana passada, houve um dos exemplos mais bizarros da natureza competitiva da Coreia do Sul.
Mais de 630 mil alunos adolescentes participaram de um vestibular. O teste determina se eles irão para uma universidade de elite, uma menos prestigiada ou ficarão simplesmente de fora. Ao chegarem à prova às 8h, os estudantes foram aplaudidos por colegas e uma incrível onda de abraços.
Alguns adultos começaram a trabalhar uma hora mais tarde para aliviar o trânsito - e permitir que os candidatos chegassem na hora. Qualquer estudante atrasado poderia ligar para uma central de apoio e contar com ajuda de policiais de moto para levá-lo. Voos foram suspensos por 35 minutos pela tarde para não atrapalharem exames orais de inglês.
Em Seul, pais de candidatos escalaram um templo budista em uma montanha para rezar pelo sucesso dos filhos. Todos os dias por 12 semanas, mães e avós realizaram um ritual de oração em que ajoelharam-se e curvaram-se repetidamente. Sobre elas, lanternas com os nomes dos alunos, o motivo de todas as rezas.
Com este tipo de pressão para conseguir notas que levam a bons empregos, não é nenhuma surpresa que os níveis de estresse sejam tão altos na Coreia do Sul.
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151214_coreiadosul_caixao_terapia_hb
@social @psicologia
domingo, 3 de junho de 2018
Advogados criticam mudanças na Lei de Falências (Valor Econômico | Legislação & Tributos)
Joice Bacelo, Laura Ignacio e Fabio
Graner
10/05/2018
O projeto
encaminhado pelo governo ao Congresso Federal para reformar a Lei de Falências
vem sendo duramente criticado por advogados que atuam na área. Existe um
entendimento de que se a proposta for levada adiante, da maneira como o texto
está hoje, haverá mais chances de as empresas quebrarem do que se recuperarem e
permanecerem no mercado.
Um grupo de profissionais - que inclui, além de advogados, acadêmicos e administradores judiciais - iniciou um movimento de contra-ataque ao governo. A ideia é elaborar um parecer técnico para tentar barrar a aprovação de pontos considerados sensíveis. Entre eles, a possibilidade de o Fisco pedir a falência de empresas que devem tributos.
"Quando uma empresa enfrenta dificuldades financeiras, a primeira coisa que deixa de pagar são os impostos. Até porque, se deixar de pagar os fornecedores e os empregados, ela para. Então, se essa regra fosse aplicada hoje, haveria pedido de falência de praticamente todas que estão em processo de recuperação judicial", diz um advogado.
O Fisco, atualmente, não participa do processo de recuperação das empresas e, pela lei que está em vigor (nº 11.101, de 2005), também não pode pedir falência. O que pode ser feito para obter os valores que não foram pagos é o ajuizamento de ações de execução e consequente penhora de bens do devedor.
O projeto, porém, altera esse ponto. De acordo com o assessor especial do ministro da Fazenda, Waldery Rodrigues Junior, as Fazendas públicas somente poderão pedir a falência de empresas em recuperação judicial nos casos em que houver inadimplência de parcelamentos de débitos tributários feitos no contexto da recuperação.
Além disso, acrescenta, o texto remetido ao Congresso passou a tarefa à Advocacia-Geral da União (AGU) e seus equivalentes em Estados e municípios, ou para quem esses órgãos delegarem. Com isso, explica o assessor, o poder do Fisco fica mais limitado nesse processo.
Juliana Bumachar, sócia do Bumachar Advogados Associados, entende, porém, que seria mais adequado e interessante para os dois lados - devedor e Fazenda - criar um parcelamento que caiba no orçamento das empresas ao invés de permitir a interferência do Fisco. "Porque permitir o pedido de falência seria até um contrassenso. Imagine a companhia ter o plano aprovado, pagar os seus credores em dia e mesmo assim ter a falência decretada."
Existe desde 2014 um parcelamento de débitos fiscais federais direcionado às empresas em recuperação. O programa, no entanto, é considerado ruim pelo mercado e tem baixíssima adesão. Isso porque permite o pagamento em até 84 vezes, prazo muito menor, por exemplo, do que qualquer Refis, que normalmente disponibiliza até 180 meses.
O advogado Ivo Waisberg, sócio da banca TWK e que atua para grandes empresas em recuperações, entende que o projeto "diminui muito" as chances de sobrevivência das empresas. Não só pelos benefícios concedidos ao Fisco, quem ele considera como o "grande privilegiado", mas também por diminuir os poderes da devedora dentro do processo.
Hoje, por exemplo, somente a devedora pode apresentar o plano de recuperação e, para haver alterações, ela tem de concordar. Com a aprovação do texto do governo, no entanto, afirma o advogado, os credores teriam permissão para apresentar e aprovar o plano, mesmo contra a vontade da devedora, se as partes não chegarem em um acordo em um prazo de 120 dias. E, nesse caso, os devedores seriam afastados da administração da empresa.
"Internamente, no mercado de recuperação, esse projeto é conhecido como monstrengo. Não é uma reforma, é uma antirreforma", critica Waisberg. Esse projeto começou a ser tratado em dezembro de 2016, quando a Fazenda publicou no Diário Oficial a criação de um grupo de trabalho, formado por juristas de renome na área e também técnicos do Ministério.
O advogado Francisco Satiro, professor da Universidade de São Paulo (USP), foi membro desse grupo e um dos autores da primeira proposta de reforma da lei apresentada pela equipe. Agora, com o texto final, ele diz que ficou "um pouco frustrado". "O projeto tem coisas boas, outras que precisam ser melhoradas, mas há coisas insustentáveis", diz.
Satiro elogia a equipe de trabalho do Ministério da Fazenda e pondera que houve muita pressão da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), da Receita Federal e dos bancos sobre a versão final do PL. "Mas eu não posso dizer que não sabia que esse risco existia. Nós apresentamos uma série de propostas para um governo que tem uma agenda", afirma. "Sabíamos que em algum momento haveria o risco de essa agenda preponderar. O que eu não imaginei é que fosse ser tanto."
"Tem uma digital enorme da Fazenda no projeto de lei", afirma o advogado Paulo Penalva, representante da Oi no processo de recuperação judicial. Para ele, nitidamente, esse é um projeto de interesse da Fazenda. "Não é razoável permitir que um sujeito [Fisco] que não está no processo de recuperação possa pedir a quebra de uma empresa", diz.
Penalva também critica pontos que foram incluídos no projeto de lei em favor das empresas, mas que já foram resolvidos pelo Judiciário. Para o advogado, essa inclusão poderá causar o retrocesso de vários processos judiciais. Segundo ele, demorou anos para essas brechas na lei chegarem ao Superior Tribunal de Justiça, e isso tem sido julgado a favor da recuperação das companhias.
O mercado espera que, no Congresso Nacional, sejam incluídas no projeto de lei outras mudanças urgentemente necessárias. "Condicionar a recuperação judicial à concessão de pagamento de tributos [Certidão Negativa de Débitos] é uma forma indireta de cobrança do Fisco", diz Penalva.
O especialista diz ainda que é preciso haver um parcelamento de débitos tributários que seja razoável. "A lei em vigor atualmente exige que a empresa renuncie a todo tipo de ação contra a Fazenda", afirma. O advogado ainda reclama que se é acordado com os credores o abatimento de 50% da dívida, por exemplo, o valor do desconto é tributado. "Deveria ser isento", completa.
O advogado Luiz Fernando Valente de Paiva, do Pinheiro Neto Advogados, que participou da elaboração da atual lei e da comissão de juristas, também critica o fato de o projeto ter dado poder para o Fisco.
Mas os advogados comemoram mudanças indicadas por especialistas que foram mantidas. Paiva destaca que, segundo o texto, o crédito por restituição em dinheiro no processo de falência - Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), por exemplo - terá que ser pago após o financiamento dado à empresa em recuperação. "A única coisa que estará na frente é o crédito por alienação fiduciária", diz. "Esse é um grande avanço no sentido de estimular a concessão de crédito à empresa em recuperação", afirma.
Um grupo de profissionais - que inclui, além de advogados, acadêmicos e administradores judiciais - iniciou um movimento de contra-ataque ao governo. A ideia é elaborar um parecer técnico para tentar barrar a aprovação de pontos considerados sensíveis. Entre eles, a possibilidade de o Fisco pedir a falência de empresas que devem tributos.
"Quando uma empresa enfrenta dificuldades financeiras, a primeira coisa que deixa de pagar são os impostos. Até porque, se deixar de pagar os fornecedores e os empregados, ela para. Então, se essa regra fosse aplicada hoje, haveria pedido de falência de praticamente todas que estão em processo de recuperação judicial", diz um advogado.
O Fisco, atualmente, não participa do processo de recuperação das empresas e, pela lei que está em vigor (nº 11.101, de 2005), também não pode pedir falência. O que pode ser feito para obter os valores que não foram pagos é o ajuizamento de ações de execução e consequente penhora de bens do devedor.
O projeto, porém, altera esse ponto. De acordo com o assessor especial do ministro da Fazenda, Waldery Rodrigues Junior, as Fazendas públicas somente poderão pedir a falência de empresas em recuperação judicial nos casos em que houver inadimplência de parcelamentos de débitos tributários feitos no contexto da recuperação.
Além disso, acrescenta, o texto remetido ao Congresso passou a tarefa à Advocacia-Geral da União (AGU) e seus equivalentes em Estados e municípios, ou para quem esses órgãos delegarem. Com isso, explica o assessor, o poder do Fisco fica mais limitado nesse processo.
Juliana Bumachar, sócia do Bumachar Advogados Associados, entende, porém, que seria mais adequado e interessante para os dois lados - devedor e Fazenda - criar um parcelamento que caiba no orçamento das empresas ao invés de permitir a interferência do Fisco. "Porque permitir o pedido de falência seria até um contrassenso. Imagine a companhia ter o plano aprovado, pagar os seus credores em dia e mesmo assim ter a falência decretada."
Existe desde 2014 um parcelamento de débitos fiscais federais direcionado às empresas em recuperação. O programa, no entanto, é considerado ruim pelo mercado e tem baixíssima adesão. Isso porque permite o pagamento em até 84 vezes, prazo muito menor, por exemplo, do que qualquer Refis, que normalmente disponibiliza até 180 meses.
O advogado Ivo Waisberg, sócio da banca TWK e que atua para grandes empresas em recuperações, entende que o projeto "diminui muito" as chances de sobrevivência das empresas. Não só pelos benefícios concedidos ao Fisco, quem ele considera como o "grande privilegiado", mas também por diminuir os poderes da devedora dentro do processo.
Hoje, por exemplo, somente a devedora pode apresentar o plano de recuperação e, para haver alterações, ela tem de concordar. Com a aprovação do texto do governo, no entanto, afirma o advogado, os credores teriam permissão para apresentar e aprovar o plano, mesmo contra a vontade da devedora, se as partes não chegarem em um acordo em um prazo de 120 dias. E, nesse caso, os devedores seriam afastados da administração da empresa.
"Internamente, no mercado de recuperação, esse projeto é conhecido como monstrengo. Não é uma reforma, é uma antirreforma", critica Waisberg. Esse projeto começou a ser tratado em dezembro de 2016, quando a Fazenda publicou no Diário Oficial a criação de um grupo de trabalho, formado por juristas de renome na área e também técnicos do Ministério.
O advogado Francisco Satiro, professor da Universidade de São Paulo (USP), foi membro desse grupo e um dos autores da primeira proposta de reforma da lei apresentada pela equipe. Agora, com o texto final, ele diz que ficou "um pouco frustrado". "O projeto tem coisas boas, outras que precisam ser melhoradas, mas há coisas insustentáveis", diz.
Satiro elogia a equipe de trabalho do Ministério da Fazenda e pondera que houve muita pressão da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), da Receita Federal e dos bancos sobre a versão final do PL. "Mas eu não posso dizer que não sabia que esse risco existia. Nós apresentamos uma série de propostas para um governo que tem uma agenda", afirma. "Sabíamos que em algum momento haveria o risco de essa agenda preponderar. O que eu não imaginei é que fosse ser tanto."
"Tem uma digital enorme da Fazenda no projeto de lei", afirma o advogado Paulo Penalva, representante da Oi no processo de recuperação judicial. Para ele, nitidamente, esse é um projeto de interesse da Fazenda. "Não é razoável permitir que um sujeito [Fisco] que não está no processo de recuperação possa pedir a quebra de uma empresa", diz.
Penalva também critica pontos que foram incluídos no projeto de lei em favor das empresas, mas que já foram resolvidos pelo Judiciário. Para o advogado, essa inclusão poderá causar o retrocesso de vários processos judiciais. Segundo ele, demorou anos para essas brechas na lei chegarem ao Superior Tribunal de Justiça, e isso tem sido julgado a favor da recuperação das companhias.
O mercado espera que, no Congresso Nacional, sejam incluídas no projeto de lei outras mudanças urgentemente necessárias. "Condicionar a recuperação judicial à concessão de pagamento de tributos [Certidão Negativa de Débitos] é uma forma indireta de cobrança do Fisco", diz Penalva.
O especialista diz ainda que é preciso haver um parcelamento de débitos tributários que seja razoável. "A lei em vigor atualmente exige que a empresa renuncie a todo tipo de ação contra a Fazenda", afirma. O advogado ainda reclama que se é acordado com os credores o abatimento de 50% da dívida, por exemplo, o valor do desconto é tributado. "Deveria ser isento", completa.
O advogado Luiz Fernando Valente de Paiva, do Pinheiro Neto Advogados, que participou da elaboração da atual lei e da comissão de juristas, também critica o fato de o projeto ter dado poder para o Fisco.
Mas os advogados comemoram mudanças indicadas por especialistas que foram mantidas. Paiva destaca que, segundo o texto, o crédito por restituição em dinheiro no processo de falência - Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), por exemplo - terá que ser pago após o financiamento dado à empresa em recuperação. "A única coisa que estará na frente é o crédito por alienação fiduciária", diz. "Esse é um grande avanço no sentido de estimular a concessão de crédito à empresa em recuperação", afirma.
Trends to watch – expecting the unexpected
April 1, 2018 – By Tim Fitzgibbon
By most accounts, 2017 turned out to be a better year than many were
expecting. Renewed OPEC discipline and cooperation helped boost global crude
prices. Most refining markets saw higher utilization and wider margin, as global
refined products demand growth exceeded expectations and refinery additions
remained low. But will the party continue in 2018? Here are some of the market
trends that we will be watching closely:
Permian supply growth – Resumed growth in US LTO is pushing up US crude
imports, lowering crude prices for US refiners, and lightening the global crude
slate. With continued growth we could see a re-emergence of bottlenecks in the
pipelines to get crude to market and a wave of new capacity additions. Prices on
the Gulf Coast
could also move lower, falling to full net-back pricing from the Asia market as lower-cost backhaul opportunities are
exhausted. Also, with continued growth we may start to see tightness in the
supply chain increasing service and equipment costs, adding to the cost of
production.
OPEC discipline – OPEC coordination has helped raise global crude prices
in 2017, but also tightened the market for medium/heavy crude and narrowed
refinery conversion margins. Higher prices are likely to increase development
in unconventional crude supply, requiring greater OPEC crude cuts to maintain
prices. Continued LTO growth may require cuts that go beyond what OPEC is able
to manage.
Offshore development – Even with the increase in oil price over the last
quarter of 2017, there has yet to be a major increase in FIDs. The number of
contracted rigs continues to remain flat at historical lows. Will we see an
uptick in project approvals as operators get more comfortable with the
resilience of the oil price recovery.
IMO/MARPOL – Implementation of low-sulfur specs for bunker fuel in 2020
has the potential to increase global refinery utilization and margins, and blow
out the light/heavy differential. This however requires strong compliance
measures to be in place and some more certainty about how it will play out. If
that comes in 2018 we should see a greater willingness by refiners and/or
shippers to make capital investments to capture value from IMO driven market
shifts.
Product demand – Surprisingly strong product demand growth in 2017 was a
big boost for global refining market conditions. In the short term continued
strong economic growth globally should keep the market tight, but longer-term
trends are less positive. Governments are seeking to limit use of diesel,
electric vehicle technology is becoming more economically attractive, and
consumer preferences in transportation show signs of shifting away from direct
car ownership and car usage. 2018 could be a year when we see the initial
impact of some of these trends.
Refining capacity – Refining capacity growth slowed dramatically through
2016, prompting the market to tighten. Adding to this was a higher than usual
number of unexpected outages. A new wave of capacity is now starting up and
better market conditions could accelerate and expand the wave.
Offtake capacity for US
gas – Growing supplies of natural gas from the Permian are likely to require
pipeline capacity in addition to Kinder
Morgan Gulf
Coat Express expected online in 2019. FID on another line could happen in 2018.
The question for 2018 will be whether the positive trends can continue
to outweigh the negative, and if so, for how long. History suggests that some
of these trends will take a turn that the industry doesn’t expect.
Tim Fitzgibbon is a senior industry expert based in Houston .
https://www.mckinsey.com/industries/oil-and-gas/our-insights/petroleum-blog/trends-to-watch-expecting-the-unexpected@energia @Petróleo
sexta-feira, 1 de junho de 2018
ANP diz que política de preços ajudará a atrair investidor para refino (Décio Oddone, Valor)
Por Cláudia Schüffner, Valor
31/05/2018 às 19h14
Rio - Depois da onda de protestos em todo o país por causa
da política da Petrobras de repassar imediatamente para os preços dos
combustíveis a volatilidade do mercado internacional, a decisão do governo de
subsidiar até R$ 9,5 bilhões sinaliza para investidores que a abertura do setor
de refino brasileiro é para valer. A avaliação é do diretor-geral da Agência
Nacional do Petróleo (ANP), Décio Oddone, que foi pego pela greve dos
caminhoneiros quando estava de férias nos Estados Unidos.
Segundo ele, as medidas anunciadas pelo governo mostram o
grau de compromisso com as regras do jogo, respeito aos contratos e garantem
práticas adequadas de operação em um mercado competitivo. O objetivo, segundo
ele, é garantir a continuidade das mudanças no setor de refino, que estão
começando com o projeto de parcerias da Petrobras na direção de tornar o
mercado mais aberto e competitivo.
“No mercado do petróleo todos são tomadores de preço. Como a
Petrobras tem o monopólio virtual do refino no Brasil, sua política de preços
vira a única visível no país, estando sujeita a todas as pressões quando os
preços internacionais sobem. Com a competição só vindo das importações, essa
percepção não muda”, afirma Oddone.
Segundo ele, a única forma de o mercado brasileiro se livrar
dessa situação é tendo mais refinarias sob controle de outras empresas. “Em um
mercado mais diversificado e competitivo, o espaço para manifestações como as
que temos visto cai muito. E a discussão sobre a formação de preços se limita à
questão dos impostos”, pondera, frisando que não houve uma interferência na
fórmula de cálculo do preço feita pela estatal.
“O Tesouro está arcando com a diferença do preço do diesel,
não as empresas. Não há prejuízo para a Petrobras nem para nenhuma das empresas
que fornecem diesel no Brasil. Houve um movimento político do governo de
congelar o preço do diesel para o consumidor final por causa dessa discussão
dos caminhoneiros”, diz.
Oddone frisa ainda que a mudança de preço, que será feita
com recursos do Tesouro Nacional, é uma medida de cunho político que não afeta
o balanço da Petrobras nem dos outros fornecedores de diesel. E lembra que não
houve interferência nos preços praticados pela estatal.
“A Petrobras é uma companhia de capital aberto que toma suas
próprias decisões. Ela continua fazendo os cálculos que sempre fez. A decisão
política do governo foi a de assumir a diferença do preço do diesel a partir de
um certo limite. O governo não está questionando nem a fórmula de preço nem o
cálculo da Petrobras”, diz.
O executivo acha que esse ponto é importante para os
investidores interessados em investir no refino brasileiro. Segundo ele, a
maneira como o governo Temer resolveu o impasse mostra que em um momento de
crise como o que o país está vivendo — uma situação difícil em ano eleitoral e
com todas as dificuldades que existem e as pressões da rua — o resultado das
empresas foi preservado.
Deixando claro que não vai comentar a política de preços da
Petrobras — onde trabalhou por 30 anos, com passagens pela Líbia, Bolívia e
Argentina e cinco deles como diretor indicado para a Braskem — Oddone é um
entusiasta do que enxerga como sendo a primeira oportunidade criada no Brasil
para atrair investimentos sustentáveis no refino.
Ele vê espaço para o aumento da capacidade do país de
produzir combustíveis, diminuir a dependência de importações e criar um mercado
mais dinâmico, competitivo e variado.
A ANP tem números mostrando que a dependência externa do
país cresceu, traduzida em aumento de 24,7% das importações de diesel em 2017,
de gasolina (12,5%), nafta (77%) e GLP (24,6%) ao mesmo tempo em que as
exportações de petróleo bruto cresceram de 381 mil barris diários em 2013 para
quase 1 milhão de barris cinco anos depois.
O custo desse “passeio logístico”, é enorme. O país paga
frete para importar derivados do exterior e para exportar petróleo bruto que é
a matéria prima desses derivados.
A dinâmica do mercado que ele enxerga com a entrada de
sócios majoritários em dois conjuntos de refinarias da Petrobras nas regiões
Sul, Norte e Nordeste difere da visão manifestada pelo ex-presidente da
estatal, José Sergio Gabrielli, para quem a medida quebra a operação
verticalizada da Petrobras, que opera na exploração e produção do petróleo,
transporte, refino e distribuição.
“Tendo mais atores, diminui a possibilidade de se ter
interferência nos preços, o que não houve nesse caso mas já houve no passado”,
observa. “Quando houve a interferência na política de preços da Petrobras lá
atrás, que causou prejuízo extraordinário à Petrobras, a grita na sociedade foi
enorme. A sociedade brasileira também não estava feliz. Ela também reclamou”,
diz se referindo às perdas bilionárias sofridas pela estatal quando foi usada
como instrumento de política econômica em anos recentes.
Oddone vê a possibilidade de empreendedores construírem pequenas
refinarias em Estados produtores de petróleo leve em bacias maduras como a
Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas quando a Petrobras conseguir
compradores para os ativos colocados à venda.
Pelos cálculos do diretor da ANP, o Nordeste poderá ter uma
série de novos operadores com acesso a aproximadamente 130 mil barris de
petróleo. E por isso diz que “não é impossível” que encontrem compradores desse
óleo em empresários interessados em produzir diesel em refinarias menos
sofisticadas, com apenas uma torre de destilação próxima aos campos de
produção. Ele viu isso na Bolívia e não vê razão para que esse tipo de
investimento não aconteça no Brasil.
“Mas para isso precisamos de mais investimentos, de atrair
capitais”. Oddone avisa que o número é impreciso, mas calcula que por baixo o
país vai precisar de algo próximo de R$ 1 trilhão para investir na exploração
do pré-sal, dos campos maduros, terminais, gasodutos, no parque de refino e em
plantas de biocombustíveis.
“Esse dinheiro não cabe no balanço de nenhuma companhia, o
que é prova de que precisamos de mais empresas investindo junto com a Petrobras
no Brasil, para destravar esse potencial. Não podemos atrasar o desenvolvimento
do Brasil porque a Petrobras já mostrou que não tem condições de arcar com
tudo”, afirma.
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