segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Brasil, potência agrícola negligenciada



Uma potência negligenciada 


O ESTADO DE S. PAULO | NOTAS E INFORMAÇÕES

12/11/17

São amplamente conhecidas as valiosas contribuições que o agronegócio tem dado ao desenvolvimento do Brasil e dos brasileiros. De acordo com a estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Produto Interno Bruto (PIB) do setor deverá crescer 2% em 2017. Hoje, toda a cadeia produtiva do agronegócio responde por cerca de 20% do PIB nacional.
São números impressionantes, sobretudo quando contrastados com um passado não tão longínquo. Há meio século, o País dependia da importação de comida para alimentar sua população. Hoje, é o segundo maior exportador de alimentos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
A segunda posição nesse ranking, no entanto, é questão de tempo. Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), elaborado em parceria com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado cm julho de 2015, prevê que o Brasil será o líder mundial em exportação de alimentos na próxima década.
A impressionante reversão de um estado de dependência externa para a vice-liderança da produção mundial de alimentos em apenas 50 anos se deu por uma série de fatores, merecendo destaque a vasta porção de terra cultivável no País, as condições climáticas favoráveis à produção diversificada, o rápido desenvolvimento da capacidade de nossas cadeias produtivas, o desenvolvimento de tecnologia agropecuária e o aumento natural da demanda. A cada ano, uma mas-sade aproximadamente 155 milhões de pessoas engrossa o mercado consumidor de alimentos no mundo.
A nota dissonante vem da triste constatação de que a pujança do agronegócio é apenas uma fração do que ele podería ser não fossem os crônicos problemas logísticos e de infraestrutura que há décadas sufocam a reconhecida capacidade de desenvolvimento do setor e interpõem-se entre o Brasil que conhecemos e a potência que podería ser.
Coerente com uma história de apoio às atividades agrícola e pecuarista que remonta à sua fundação, há quase 143 anos, o Estado, em parceria com a CNA, promoveu o Fórum Estadão Logística e Infraestrutura no Agro para discutir com especialistas, da iniciativa privada e do governo, os problemas do escoamento da produção agropecuária e da expansão das novas fronteiras agrícolas do País.
As causas dos problemas são conhecidas, assim como o que deve ser feito para eliminá-los. Já no painel de abertura, João Martins da Silva Júnior, presidente da CNA, lembrou que 60% da infraestrutura para o escoamento da produção agropecuária está concentrada no modal rodoviário, reconhecidamente mais caro e ineficiente.
De acordo com pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), 61,8% das rodovias brasileiras estão em condições “regular”, “ruim” ou “péssima”. Os dados apontam uma piora em relação ao ano passado, quando 58,2% das estradas foram consideradas problemáticas.
A má qualidade das rodovias afeta especialmente Estados agrícolas, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, que concentram algumas das piores estradas do País. É justamente nesses Estados que estão os eixos de tráfego mais pesado para o transporte de cargas, que levam a produção agropecuária até os principais portos do País.
Ante a miríade de prioridades que o poder público deve atender, notadamente nas áreas de saúde, segurança e educação, é previsível que faltem investimentos em grandes projetos de infraestrutura e logística. Para piorar, cada governante parece ter o seu próprio modelo ideal para o desenvolvimento do setor, mais preocupado em deixar uma marca individual do que um legado para a Nação.
A saída para desatar este nó que asfixia o crescimento do País pode estar no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) com a iniciativa privada, que detém os recursos tecnológicos, humanos e financeiros para avançar. Se os governos não continuarem a atrapalhar, já serão de grande ajuda.

@economia @Brasil

Vídeo: O Milionário (Os Incríveis)


Toca Lorena Braco

https://www.youtube.com/watch?v=8gkeYT_Iokg

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@pop

Maternidade adiada (Maria Clara Bingemer)

A maternidade já não é mais encarada pela mulher como um destino que se abate sobre ela quando seu corpo dá o sinal vermelho da menstruação de que é possível engravidar.  Assim como no passado meninas ficavam grávidas dentro ou fora do casamento na mais tenra idade, desde o advento dos anticoncepcionais o tempo da mulher para acolher em seu corpo a semente de uma nova vida vem sendo alterado.

As mulheres devem tomar outras providências antes de serem mães, pensa a nova geração. Terminar os estudos, ter uma carreira, ganhar dinheiro, ter proventos suficientes para sustentar-se com tranquilidade passam na frente cronologicamente de trazer um filho ao mundo.  E a maternidade vai sendo adiada. Parece que o número de mulheres que engravida após 40 anos aumenta significativamente e algumas celebridades – como Ivete Sangalo – grávida de gêmeas aos 45 anos – confirma essa tendência.

É inegável que o feminismo foi uma revolução altamente positiva para as mulheres.  Levantar a questão sobre a subordinação da qual a mulher é vítima em uma sociedade patriarcal, conscientizá-la sobre os papéis que lhe foram atribuídos secularmente e estimulá-la a lutar por seus direitos foram avanços inegavelmente valiosos.  E mesmo se hoje podemos tecer algumas críticas à configuração do feminismo da “primeira onda”, com suas reivindicações radicais, sua linguagem um tanto antimasculina e suas propostas antifamiliares e voltadas quase que somente para o trabalho e o salário, o fato é que o mundo seria outro se não tivesse havido a revolução feminista.

E, no entanto, apesar de tudo o que de positivo essa escola de pensamento trouxe para a sociedade de hoje, o mesmo feminismo, ao reler-se, descobre alguns pontos críticos no sistema de pensamento que criou e inclusive no impacto que teve na sociedade. Camile Paglia, conhecida pensadora feminista, em entrevista dada no Brasil, afirmou: “Muitas feministas de minha geração se opuseram com fervor a essa tendência de que as mulheres voltem a dedicar-se exclusivamente ao papel de mãe, mas eu não estou nada de acordo com essas feministas. “

E segue: “Desde o final da década de 1960, há uma depreciação de quem quer ser mãe e mulher.  Para mim, o feminismo é a luta por oportunidades iguais para as mulheres.  Ou seja, remover qualquer obstáculo que perturbe o avanço na educação superior e no mercado de trabalho.  O feminismo deveria estimular escolhas e ser aberto a decisões individuais.  As feministas estavam erradas ao exaltar a mulher profissional como mais importante que a mulher mãe e esposa.  Uma geração inteira de profissionais americanas adiou a maternidade e quando finalmente decidiu engravidar, não pôde encontrar companheiro ou teve problemas de fertilidade. ”

Na verdade, a conhecida pensadora feminista afirma que faltou honestidade ao feminismo com respeito à realidade biológica que as mulheres devem enfrentar se querem unir maternidade a ambições profissionais.  Neste caso, a natureza entra em conflito com o idealismo moderno da igualdade sexual.  As feministas asseguraram às mulheres que haveria tempo suficiente para ter filhos mais tarde, com 40 ou mesmo 50 anos, após a estabilidade profissional.  Por um lado, a ciência avança, a vida dura mais e há mais técnicas de fertilização e acompanhamento pré-natal.  Mas, por outro, é conhecido o fato de que há mais riscos para a mãe e para a criança, à medida que a idade biológica da primeira avança. A fertilidade, a energia, a saúde não são as mesmas aos 20 e aos 40 anos.

Por isso, a infelicidade que muitas mulheres sentem hoje resulta, em parte, da incerteza sobre quem realmente são e o que querem ser e construir nesta sociedade materialista, obcecada com status e dinheiro, que espera que a mulher se comporte como homem e ainda seja capaz de amar como mulher. A dificuldade de encontrar parceiros passa um pouco por aí, com responsabilidades de ambos os lados.  Dos homens, que temem mulheres independentes, inteligentes e não submissas.  Das mulheres, que acham que podem tudo e se afastam da fonte do verdadeiro poder que ninguém pode tirar-lhes, que é o de dar a vida.

O despertar para essa constatação às vezes acontece tarde. Não à toa conhecemos mais de um caso em que a mulher parte para a produção independente, fazendo-se inseminar e procriando sozinha com parceiro desconhecido.  Outras  congelam os óvulos para engravidar quando assim o desejarem: mais tarde, aos 40 ou 50 anos. Mas conseguirão? Será a mesma coisa ter um filho assim e não no contexto de uma relação amorosa? Qual será o perfil das crianças nascidas da maternidade adiada?

Ainda não temos distância histórica para avaliar com precisão. No entanto, a avaliação sobre o feminismo hoje, embora muito positiva em certos aspectos, não pode deixar de reconhecer honestamente que há uma dimensão  extremamente narcisista que se mostra com mais evidência.

Adiar a maternidade pode ser uma opção.  Porém, arriscada.  Pode desembocar em uma realização feliz, mas também em enorme frustração.  Em todo caso, essa sociedade de maternidades tardias produzirá famílias mais reduzidas, onde a presença de várias crianças, irmãos e irmãs, não mais será a maioria.  Uma geração de filhos únicos parece apresentar-se em horizonte não muito distante.  Haverá que saber se será mais feliz do que a nossa ou do que a de nossos filhos. 

* Maria Clara Lucchetti Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio, teóloga e autoria de 'Testemunho: profecia, política e sabedoria', Editora PUC-Rio e 'Reflexão Editorial'.


@social

domingo, 19 de novembro de 2017

Vídeo: Impressora ultra leve isralense


@tecnologia @informática

Vídeo: Marmelade(Reflections)



MORREU DEAN FORD 1946-2019.DEAN FORD FOI O CANTOR DA BANDA MARMALADE,CUJO MAIOR HIT FOI"REFLECTIONS OF MY LIFE" DE 1969.MUSICA QUE ALEM DOS ADULTOS DA EPOCA,MUITAS CRIANÇAS DO FINAL DOS ANOS 60 DEVEM SE LEMBRAR.QUE DESCANSE EM PAZ...
@pop

Podres de Mimados

A prova do vestibular unificado, na década de 70, foi aplicada muitas vezes na arquibancada do Maracanã.

Naquela época não havia cadeiras. Era tudo um gigantesco cimentado disposto em níveis, onde se aglomeravam torcedores e candidatos – a depender do evento do dia.

Não sei exatamente até quando o maraca foi utilizado para a aplicação de provas. Só sei que passei por essa inesquecível experiência na década de 80, quando prestei concurso para admissão no CEFET/RJ,  Colégio Naval, EPCAR, ESPCEX, UFRJ, etc.

Todo mundo fazia a prova sentado no cimento quente, com a coluna toda torta, sem posição para escrever, pescoço doendo, segurando apenas uma prancheta e uma caneta, naquele calor senegalês.

Ninguém alegava lesão por esforço repetitivo, hérnia, bico de papagaio nem dor de junta. Não tinha chororô: a galera tinha casca grossa.

Hoje em dia, a garotada reclama do frio do ar-condicionado, da cadeira desconfortável, da luminosidade, do barulho do passarinho. A geração “merthiolate-que-não-arde” não aguenta sequer um ventinho frio e já se desfaz em profunda mágoa e revolta.

Não se quer aqui dizer que o bom era a prova no cimento, de forma alguma, mas tão somente traçar um paralelo entre as facilidades do mundo moderno e o surgimento catastrófico de uma geração de fracos.

O psiquiatra inglês Theodore Dalrymple, em “Podres de Mimados”, faz uma crítica ao que chamou de “sentimentalismo tóxico”, esclarecendo que “os pais de crianças a quem nada foi negado ficam sinceramente chocados quando elas se mostram egoístas, exigentes e intolerantes com a mais mínima frustração”.

Agora faça o seguinte exercício mental: tente transportar no tempo os adolescentes sensíveis de hoje, adequando-os às circunstâncias daquela época das provas no cimento. Quantos bibelôs sobreviveriam? Em que momento a coisa desandou – e o que será do mundo na vigência dessa geração de porcelanas delicadas?

Certa é a citação de autoria desconhecida:

“Tempos difíceis criam homens fortes.
Homens fortes criam tempos bons.
Tempos bons criam homens fracos.
Homens fracos criam tempos difíceis”.


Ludmila Lins Grilo

@social @psicologia

sábado, 18 de novembro de 2017

Vídeo: terra, o pálido ponto azul


Sonda Pioneer da NASA foi lançada em 1975 em direção a fronteira do Sistema Solar.
Quando estava próxima ao planeta Saturno em 14/02/1990, o astrônomo Carl  Sagan teve a ideia de virar a nave para trás e tirar uma foto do planeta Terra (um pálido ponto azul) no que foi denominada pelos engenheiros de “Retrato de Família.”



Este vídeo é para admirar, ver e rever, refletirmos sobre o que somos, quem somos e o que temos vivido. Sobre nossos valores éticos e existenciais.

@ciência @astronomia @filosofia