terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Por ano, 1 milhão de caminhões de e-lixo (Paloma Oliveto, Correio Braziliense)


O montante acumulado pelo planeta em 2016 - 1,3 bilhão de tonelada de descartes eletrônicos É 8% maior que o de 2014 e deve continuar crescendo, aponta relatório das Nações Unidas. Brasil é o maior produtor de resíduos da América Latina


A Terra tem 7,4 bilhões de habitantes, 510 milhões de quilômetros quadrados e 1,3 bilhão de toneladas de lixo. Essa é a quantidade de resíduos sólidos produzidos anualmente, segundo relatório do Banco Mundial. Com o planeta se industrializando em ritmo acelerado, cada vez mais essa pilha de descarte é composta por eletrônicos. Desde grandes máquinas a celulares, o lixo eletrônico está crescendo, segundo relatório feito pela Universidade das Nações Unidas (UNU), em parceria com outras instituições. O Global E-waste Monitor 2017 revelou que, em 2016, foram eliminados 3,3 milhões de toneladas de produtos com bateria ou plug, número 8% maior que o gerado em 2014.



Para se ter ideia dessa quantidade difícil de visualizar, se todo o lixo eletrônico fosse colocado em um único lugar, seria formada uma montanha com o peso de nove pirâmides de Giza e de 4.500 torres Eiffel. Os produtos encheriam 1,23 milhão de caminhões de 18 rodas, com capacidade de 40 toneladas, cada um, que, se enfileirados, fariam o trajeto Nova York-Bangcoc - ida e volta.


'O problema mundial do e-lixo continua a crescer. Melhorias na mensuração desse problema é essencial para criarmos e monitorarmos metas, identificando políticas eficazes', comenta Jakob Rhyner, vice-reitor da UNU. Ele atenta para a necessidade de se produzir dados nacionais, pois o relatório identificou que muitos países não têm estatísticas a respeito. 'Os dados nacionais têm de ser comparáveis internacionalmente, frequentemente atualizados, publicados e interpretados.

Estimativas regionais e globais existentes são baseadas na produção e no comércio, e não cobrem adequadamente todos os riscos ambientais e à saúde impostos pelo tratamento não seguro e o descarte por aterro ou incineração', observa.

De acordo com o Global E-waste Monitor 2017, o Brasil é o maior produtor de lixo eletrônico da América Latina, com mais de 2 milhões de toneladas em 2016. Em relação ao relatório de 2014, o crescimento foi de quase 10%. Segundo a ONU, o país não tem estatísticas padronizadas nem políticas de abrangência nacional para o manejo desse tipo de descarte.

Desperdícios

Além do enorme problema ambiental, o lixo eletrônico descartado de qualquer maneira é um desperdício de recursos. Os aparelhos elétricos e eletrônicos contêm cerca de 60 elementos como ouro, prata, cobre, platina e outros materiais recuperáveis. Caso o e-lixo produzido no ano passado tivesse sido tratado adequadamente, o relatório estima que seriam gerados US$ 55 bilhões, que é mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) da maioria dos países.

Baseados no rápido crescimento da cadeia de lixo doméstica, os autores do relatório global preveem muito mais 'sujeira eletrônica' no futuro próximo - um aumento de 17%, o equivalente a 52,2 milhões de toneladas - em 2021. 'Vivemos em um tempo de transição para um mundo mais digital, onde automação, sensores e inteligência artificial estão transformando todas as indústrias, nosso cotidiano e nossas sociedades. O lixo eletrônico é o mais emblemático subproduto dessa transição, e tudo indica que isso vai continuar a crescer a taxas sem precedentes', afirma Antonis Mavropoulos, presidente da Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA), que também assina o relatório. 'Descobrir soluções apropriadas para o manejo do e-lixo vai medir nossa habilidade de usar os avanços tecnológicos para estimular um futuro sem desperdício e fazer da economia circular uma realidade para essa cadeia complexa que contém recursos valorosos.'

Porém, o relatório mostra que o mundo está bem distante desse ideal. Somente 20% do lixo eletrônico produzido em 2016 foi recolhido e reciclado. Cerca de 4% foram jogados em lixões, e 76% (ou 34,1 milhões de toneladas) acabaram incinerados, aterrados, reciclados informalmente (e, portanto, de maneira insegura) ou continuaram armazenado nos lares. 'Os bens eletrônicos estão crescendo exponencialmente em número, variedade e complexidade, todos eles contendo tanto material valoroso quanto perigoso. O desafio de reusar, reciclar e dar um destino adequado ainda é enorme e vai crescer. Esteja o lixo eletrônico dentro dos lares, no setor privado ou em lixões ao redor do mundo. Precisamos pensar nisso com muito cuidado e implementar soluções para o problema', alertou, em nota, Keith Alverson, presidente do Centro Internacional de Tecnologia Ambiental, das Nações Unidas.

Embora mais países estejam adotando legislação sobre o e-lixo (o Brasil não está nesse meio), apenas 41 nações quantificam os despejos eletrônicos. Nos países em que não há regulamento a respeito, o lixo é tratado como qualquer outro, levando a um aumento de risco ambiental e aos seres humanos, pois equipamentos eletrônicos têm muitos elementos tóxicos, como cobre, que, caso não receba preparo adequado, pode contaminar o ambiente por séculos.

Também em:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/maragama/2017/12/1945328-brasil-e-o-2-maior-gerador-de-e-lixo-das-americas.shtml
 

@tecnologia @ecologia

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Bacteria give lessons in investment economics


Colonies of bacteria balance growth against risk, just like financial investors, ecologists have found.
Using lab-based synthetic biology, experiments in bacterial evolution, and mathematical modelling the study finds links between organisms and markets.
Bacterial investment crashes and boom-bust cycles are described in a paper in the journal Ecology Letters.
The study is the clearest experimental test of a 50-year-old theory relating trade-offs to competitive success.




The evolutionary successes of bacteria are plain to see as they are found across the globe, but bacteria may also have something to say about investment success more generally.
A research group from the UK and Australia used strains of the bacterium E. coli that were constrained in the amount of resource that they had for growth, but that were also subjected to varying degrees of biological stress.
Different strains of E. coli developed covering a range of ability to cope with stress and invest in growth.

Petri dish as trading floor

Externally imposed "market conditions", represented by changing salt and acid contents of their environment, influenced the outcome of the "investment decisions" made by each bacterium, with success rewarded by survival, and failure leading to extinction.
The consequences of the trade-offs between development of stress-resistance, which involves the acquisition of costly proteins, or increasing consumption to grow were recorded in the evolution of the genetic codes of the successful bacterial strains.



New York Stock Exchange floor
Image captionTrading floors and Petri dishes share common features

The observations were used to test and validate mathematical models of bacterial investment booms and crashes.
Dr Ivana Gudelj from the University of Exeter was one of the authors of the study, and said: "We have shown that very different investment opportunities can require different investment strategies.
"These strategies are constrained by the subtleties in trade-offs that are usually invisible or ignored in real markets. The study is a classic demonstration of Darwinian economics and survival of the fittest."

Evolutionary niche

Almost half a century ago Richard Levins first suggested that trade-offs in organisms' investment decisions lead to them exploiting different niches, and this concept may apply both in biological ecology and in financial markets, but it has not previously been demonstrated as clearly by experimental observations.
Prof Dan Lovallo, senior research fellow in Innovative Management at University of California, Berkeley, US, was not involved in the study, and commented: "This paper breaks exciting new ground in the integration of sciences... of interest to multiple fields: economics, finance, business strategy, and biology."
The applicability of the results to real investment decisions in financial markets should probably be treated with caution however, since the markets constructed for the study were simplified to allow testing of the model.
They do, nonetheless, show how small changes in market conditions can sometimes correspond to huge differences between optimal strategies.

http://www.bbc.com/news/science-environment-23623601
@economia

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Exxon quer perfurar no Brasil em 2019 (Kincaid e FSP)



30/09/2017 02h00

KINCAID:
Petroleira vê potencial para recursos em águas profundas em todas as áreas arrematadas na 14ª Rodada.



A ExxonMobil planeja perfurar poços nos blocos arrematados na 14ª Rodada em 2019. No ano que vem, a companhia se voltará para aquisições sísmicas 3D nas áreas. A petroleira já antecipou que espera encontrar óleo no pré-sal de Campos, onde vê potencial para encontrar recursos de alta qualidade em águas profundas..



A companhia arrematou, ao todo, dez blocos no leilão, distribuídos pela bacias de Sergipe-Alagoas (2) e Campos (8), além de ter fechado acordos de farm-in em outras duas áreas da 13ª Rodada, também em Sergipe-Alagoas.



A empresa também arrematou uma área no 2º leilão de partilha na última sexta-feira (27/10), marcando sua estreia no projeto de Carcará, em águas profundas na Bacia de Santos. A empresa terá participação de 40% área unitizável de Norte de Carcará e de 36,54% BM-S-8, onde foi feita a descoberta inicial.



A companhia não divulgou o volume de investimentos direcionado para o Brasil. Globalmente, a Exxon planeja investir de US$ 70 bilhões a US$ 80 bilhões entre 2018 e 2020.


FSP:
 A grande aposta da ExxonMobil na Bacia de Campos mostra sua vontade de reconstruir suas reservas e abre caminho para ofertas consideráveis nos leilões de outubro, voltados às ricas áreas do pré-sal brasileiro, disseram analistas.

Ao marcar um retorno à exploração de petróleo e gás no Brasil, após uma ausência de cinco anos, a Exxon levou oito blocos na cobiçada Bacia de Campos, uma das mais produtivas, durante a 14ª Rodada de Licitação na quarta-feira (27). Seis foram levados em parceria com a Petrobras.

O leilão, que atingiu um bônus recorde, incluiu uma oferta da Exxon e da parceira Petrobras de R$ 2,24 bilhões por um único bloco (C-M-346), a maior oferta da história em rodadas do gênero.

Isso mostrou como as companhias de petróleo que podem pagar valores significativos estão dispostas a desembolsar e desenvolver reservas de alta qualidade em lugares longínquos, apesar de os preços do petróleo terem caído pela metade em relação a 2014.

"Se alguém pode fazê-lo de um jeito que mantém os custos baixos para algo tão grande e complexo como esse, provavelmente esse alguém é a ExxonMobil", disse Brian Youngberg, analista da Edward Jones.

Youngberg afirmou que também espera que a Exxon participe dos leilões de outubro relativos a blocos na área do pré-sal. A Exxon não respondeu imediatamente a uma pergunta sobre sua potencial participação nos leilões do próximo mês.

Com um valor de mercado de cerca de US$ 350 bilhões, a Exxon gastou muito neste ano em projetos de expansão de petróleo e gás natural para reabastecer suas reservas em queda, buscando reverter as preocupações de que estaria ficando para trás de suas concorrentes na exploração e produção.

O arremate no Brasil é um "sinal adicional da urgência da empresa em reabastecer sua base de recursos", disseram os analistas da Tudor, Pickering Holt & Co, na quinta-feira (28), acrescentando que o negócio da Bacia de Campos foi um sinal positivo para futuros leilões do pré-sal brasileiro.

A oferta recorde de quarta-feira foi cerca de cinco vezes superior à mais próxima, realizada por Shell e Repsol.

A Petrobras disse que tinha expectativa de que alguns dos blocos de Campos poderiam ter também reservas de pré-sal de alto potencial.

Antes do leilão, a Exxon estava entre as poucas grandes petroleiras sem uma presença em exploração nos grandes campos offshore recentemente descobertos no Brasil.

"Para a ExxonMobil, a falta de presença no pré-sal do Brasil foi indiscutivelmente a maior lacuna em seu portfólio, especialmente agora que a Shell ocupa uma posição dominante nesta área prolífica e de baixo 'break-even'", afirmou Horacio Cuenca, pesquisador da Wood Mackenzie, em um nota a clientes.

A Exxon abandonou os esforços de perfuração na Bacia de Santos em 2012, após resultados frustrantes.

Mas uma série de mudanças regulatórias durante o governo de Michel Temer, incluindo uma redução dos requisitos que forçaram as empresas a usarem conteúdo local de equipamentos, provavelmente levará os investidores a retornarem à maior economia da América Latina, disseram os analistas.

Na quarta-feira, Petrobras e Exxon arremataram seis blocos na Bacia de Campos, por R$ 3,59 bilhões, sendo responsáveis por 93% da arrecadação total do leilão.
 



@economia @petróleo