quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

CAPITALISMO XX.I - Sérgio Besserman (Casa do Saber, 2013)



CAPITALISMO XX.I
Sérgio Besserman

Valor, 01/09/2012
O mundo moderno é muito complexo para ser reduzido a uma fórmula, uma condenação ou uma solução. Deve ser observado sem arroubos de entusiasmo ou de indignação
Raymond Aron
É pouco provável que antes da crise financeira de 2008 a proposta de analisar os novos rumos do capitalismo fosse capaz de atrair público. Desde o fim dos anos 1980, depois da queda do Muro de Berlim, o sucesso da economia capitalista globalizada, com a incorporação da China transformada em nova locomotiva, não deixava dúvida: as modernas economias de mercado eram incomparáveis na sua capacidade de criar riqueza, estimular o progresso tecnológico e garantir o crescimento. Onde há consenso, o debate, a análise, não desperta interesse. Toda unanimidade é burra, costumava repetir Nelson Rodrigues. Mas não só as economias, também as convicções são cíclicas.
O termo “capitalismo” data do fim do século XIX. A expressão “o capitalista”, como referência ao dono do capital, aparece antes, já no início do século XIX, utilizada por autores como David Ricardo e outros, mas “o capitalismo”, como um sistema de organização social e econômica, foi cunhado por seus críticos – o mais famoso deles, evidentemente, sendo Karl Marx, em “O Capital”, de 1867. Muitos outros, anarquistas e socialistas, como Pierre-Joseph Proudhon e Werner Sombart, utilizaram o termo para definir uma forma de organização econômica e social, em que a produção e a distribuição de bens e serviços são de propriedade privada e têm fins lucrativos, ou seja, visam a acumulação de capital.
O capitalismo, em várias vertentes, é dominante no mundo ocidental, desde o fim do feudalismo medieval. Inicialmente, sua versão primitiva, mercantilista, baseada no comércio, foi estimulada pelas oportunidades que se abriram com o avanço da navegação e as descobertas do Novo Mundo. Só com a Revolução Industrial do século XIX, quando surge o mercado de trabalho assalariado, o capitalismo adquire as características que seus críticos do fim daquele século – Marx, sobretudo – lhe atribuem. O fato de o termo ter sido cunhado por seus críticos lhe confere uma conotação negativa, atenuada ao longo do tempo, mas que ainda hoje não deixa de suscitar polêmica.
O sistema de preços determinados nos mercados, pela interação da oferta e da demanda, é um dos elementos do capitalismo moderno, mas o capitalismo, nas suas várias formas, não se confunde com o mercado competitivo, que é uma abstração conceitual, um idealtipo. As economias capitalistas observadas na prática, desde o século XIX até hoje, não são homogêneas. Formas muito distintas de organização econômica, tanto em termos de distanciamento do idealtipo competitivo, quanto em relação à propriedade exclusivamente privada do capital, são qualificadas como capitalistas. Daí os inúmeros apostos qualificativos – como mercantil, industrial, monopolista, de Estado, financeiro, corporativo – comumente encontrados quando se fala em capitalismo.
Desde sua introdução com Marx, no fim do século XIX, até o último quarto do século XX, e a derrocada do comunismo soviético, o termo capitalismo esteve sempre associado a uma conotação crítica. Durante quase todo o século XX, a visão progressista dominante sustentou que o capitalismo, embora criador de riquezas, era intrinsecamente injusto, estimulador das desigualdades e desagregador. Por estar baseado na exploração do trabalho, transformado em mercadoria, conduzia à luta de classes, à deterioração da vida comunitária e do espírito público. Mas essa nem sempre foi a visão intelectualmente dominante. A partir do fim do século XVI, durante todo o século XVII e parte do século XVIII, a atividade mercantil – na época ainda não chamada de capitalismo – foi vista como um fator altamente positivo e civilizatório.
Como sustenta Albert Hirschman em “Rival Views of Market Society”, de 1986, a ideia de que o interesse individual, em contraposição às paixões, é socialmente positivo, aparece no fim do século XVI. O duque de Rohan, em “On the Interest of Princes and States”, defende a tese de que o interesse econômico do príncipe, perseguido de forma racional, com prudência e moderação, serve melhor ao interesse comum, ao bem de todos, do que a sociedade deixada ao sabor das paixões, da busca da glória pessoal, de acordo com o ideal heróico medieval. A busca, metódica e ordenada, do interesse econômico individual passou a ser vista como amplamente preferível às ações dirigidas pelas paixões, violentas, desordenadas e imprevisíveis.
Na época, a tese progressista era de que o comércio, conduzido pelos interesses individuais, em busca de ganhos materiais, serviria de freio mais eficiente ao comportamento passional, do que o tradicional apelo à religião, ao dever e à moral. O comércio era visto como elemento civilizador, tanto para os senhores, como para seus súditos. “Le doux commerce”, percebido como indutor do contato entre estrangeiros, estimulador da moderação e da probidade, entre outras virtudes.
A valorização do interesse econômico, em contraponto à paixão, ajudou a legitimar a atividade comercial. Levou à valorização da vida privada, que, desde o mundo clássico até a Renascença, sempre esteve relegada ao nível mais baixo da hierarquia das atividades humanas. A valorização da vida privada, por sua vez, permitiu o aumento do consumo pessoal, que se transformou em elemento-chave do dinamismo capitalista da modernidade.
A valorização intelectual da busca do interesse econômico individual atingiu seu ápice com o Iluminismo escocês, ainda no século XVIII. O fascínio pela a ideia da busca dos interesses indiviuais como elemento de civilização e progresso, levou à formulação da tese da “mão invisível” de Adam Smith. Perseguir interesses individuais seria não apenas racional, como também a melhor forma de atender ao interesse público. O bem-estar de todos estará mais bem atendido se perseguido de forma indireta. Em paralelo, surge a valorização do homem médio, do “middle rank”, do pequeno comerciante, do pequeno empresário, que na segunda metade do século XIX, quando os ventos intelectuais já tinham mudado, são pejorativamente designados de “os burgueses” por Marx.
Os primeiros sinais da mudança dos ventos das ideias aparecem no início do século XIX. Com a Revolução Industrial, os interesses econômicos se tormam dominantes. Surge então o lamento nostálgico pelo “mundo que perdemos”, bem expresso por Edmund Burke: “The age of chivalry is gone, that of sophisters, economists and calculators has succeeded, and the glory of Europe is gone forever”. Numa reversão surprendente, a sociedade feudal, que era vista como “rude e bárbara”, sempre ameaçada pelas paixões de tiranos violentos, passou a ser vista com nostalgia, baseada em valores como a honra, o respeito, a confiança e a lealdade. Valores sem os quais a sociedade movida pelos interesses individuais não poderia funcionar, mas que haviam sido erodidos por ela.
A nostalgia do mundo perdido abre caminho para os novos críticos, mais duros, da sociedade capitalista. A crítica deixa de ser cultural, nostálgica. Passa a denunciar a capacidade destrutiva, desagregadora, das novas forças liberadas numa sociedade integralmente movida pelos interesses materiais. Assim como a valorização dos interesses individuais e do comércio atingiu seu ápice com David Hume e Adam Smith, a mudança de rumo dos ventos intelectuais, a partir do fim do século XVIII, culminou com Karl Marx, na segunda metade do século XIX.
Do fim do século XIX até o último quarto do século XX, a crítica marxista foi intelectualmente predominante. A alternativa marxista ao capitalismo – a revolução proletária e a socialização dos meios de produção – pode ter permanecido sempre polêmica, mas a crítica marxista influenciou de forma decisiva os rumos do capitalismo no século XX.
De forma esquemática, a crítica marxista ao capitalismo tem quatro vertentes:
1. A econômica, segundo a qual o sistema seria instável, sujeito a crises recorrentes, até a crise final, que abriria espaço para a alternativa socialista.
2. A social, segundo a qual o sistema seria injusto, baseado na exploração do trabalho assalariado, levaria à concentração da renda e seria incapaz de erradicar a pobreza, pois ela exerce o papel funcional de “exército industrial de reserva”.
3. A política, segundo a qual a democracia capitalista é uma impostura. A alienação cultural impediria os trabalhadores de comprender que não há interesses comuns, mas sim interesses de classes, que não podem ser reconciliados na democracia representativa capitalista.
4. A cultural, segundo a qual o sistema levaria à alienação dos trabalhadores em relação aos seus verdadeiros objetivos. No capitalismo, a sociedade é consumista, egoísta e alienada.
Ao longo do século XX, a crítica marxista, sempre como referência, foi sendo gradualmente enfraquecida.
A crítica econômica foi desacreditada pela receita de John Maynard Keynes, na “Teoria Geral da Renda e do Emprego”, de 1936. Formulada depois da Grande Crise dos anos 1930, foi refinada durante os anos 50 e 60, até culminar com a chamada “síntese macroeconômica” dos anos 80. A fórmula para evitar as grandes flutuações macroeconômicas das economias capitalistas havia sido encontrada. A receita era ter a dívida pública sob controle, uma política fiscal contracíclica, uma política monetária pautada por metas inflacionárias e a taxa de cambio flutuante. Nas últimas décadas do século XX, consolidou-se a impressão de que os ciclos macroeconômicos haviam sido finalmente eliminados. Uma nova era, “A Grande Moderação”, havia chegado, com a descoberta do remédio para a instabilidade crônica da economia capitalista.
A crítica social foi aplacada pelas reformas tributárias, trabalhistas e sociais do pós-Segunda Guerra. Em todo o mundo ocidental, principalmente na Europa, foi criada uma rede de proteção trabalhista e de assistência social, através do significativo aumento da participação do Estado na economia. A economia capitalista do “Welfare State” parecia ter respondido à crítica social do capitalismo, sem necessidade de suprimi-lo.
A crítica política à democracia representativa capitalista foi desmoralizada pelo autoritarismo, pela violência oficial e pela falta de liberdades cívicas dos regimes comunistas. A começar pelo soviético, mas também pelo dos seus satélites no Leste Europeu, assim como em Cuba, na China e em toda parte onde o comunismo de inspiração marxista foi instaurado.
A crítica cultural, primeiro rompeu com a ortodoxia marxista, através da chamada Escola de Frankfurt, do Institute for Social Research, fundado na década de XX, por onde passaram pensadores como Max Hockheimer, Theodor Adorno, Erich From, Herbert Marcuse e, mais recentemente, Jürgen Habermas. Depois se distancia definitivamente do marxismo e se confunde com a crítica da modernidade, como é o caso do filósofo polonês Lesleck Kolakowski, com “Modernity on Endless Trial” (1990), do historiador americano Daniel J. Boorstin, com o brilhante e pioneiro “The Image: A Guide to Pseudo-events in America” (1961), cuja temática é retomada pelos franceses Guy Debord, em “La Société du Spetacle” (1967) e Jean Baudrillard, em La Société de Consommation” (1970) e “Simulacres et Simulation” (1981).
De forma progressiva, tanto intelectualmente quanto na prática, a crítica marxista foi perdendo força, até ser completamente marginalizada com a derrocada da União Soviética, a queda do Muro de Berlim e a adesão da China ao capitalismo mundial. Nas duas décadas, desde o final dos anos 1980 até a crise de 2008, o sucesso da economia globalizada parecia ter enterrado definitivamente a crítica marxista. Todo um conjunto de ideias, que serviu de pano de fundo para o grande debate intelectual e para a revisão do capitalismo do século XX, parecia ter sido relegado à história do pensamento. Uma nova visão hegemônica teria se consolidado: o que se pode chamar de o otimismo do capitalismo tecnológico. Os extraordinários avanços da tecnologia, estimulados pela competição capitalista de um mundo globalizado, abririam novas e inimagináveis possibilidades.
O quadro mudou com a crise de 2008. A “Grande Moderação”, conquistada com a aplicação da “Síntese Macroeconômica”, revelou-se um equívoco. A sofisticação dos mercados financeiros, com o desenvolvimento dos mercados virtuais, dos chamados “derivativos”, que em tese deveria ter sido capaz de reduzir ou dispersar riscos, mostrou-se apenas mais uma forma de exponenciar o endividamento e a alavancagem. Uma alavancagem impermeável aos olhos, não apenas das autoridades reguladoras, mas também aos olhos dos próprios dirigentes das instituições que a utilizavam.
Quando a crise eclodiu, a escala das instituições financeiras globalizadas obrigou os governos nacionais a socorrê-las. Evitou-se um grande colapso, mas à custa de um aumento expressivo da dívida pública e do passivo dos bancos centrais. Em alguns casos, como na Islândia e na Grécia, o endividamento público superou o limite tolerável e levou à quebra do Estado. Na Europa, a crise bancária está temporariamente reprimida pelo financiamento do Banco Central Europeu de Mario Draghi aos bancos centrais nacionais. Mas ainda ameaça o euro e a própria União Europeia.
Os Estados Unidos, favorecidos pela condição de emissores da moeda reserva mundial, foram capazes de reagir de forma mais radical em relação à atuação do seu banco central. Desde 2008, o Fed expandiu de forma agressiva seu passivo e monetizou grande parte do aumento do endividamento público decorrente do socorro ao setor financeiro. A lição aprendida com a crise dos anos 1930 permitiu que uma nova Grande Depressão fosse evitada. Em contrapartida, a economia americana continua excessivamente endividada. Parte do excesso de dívida privada foi transferido para o setor público, mas o endividamento total, público e privado, continua excessivo.
A depressão tem custos intoleráveis, mas, com a quebra generalizada, elimina-se o excesso de endividamento e abre-se a porta para um novo ciclo de expansão. Ao evitar-se a quebra, impede-se a redução, catastrófica, mas natural, do excesso de dívidas que precisam ser digeridas, antes que o consumo e o investimento possam retomar fôlego. Troca-se um fim horroroso por um horror sem fim.
Diante desse impasse, o autor a ser reestudado é com certeza Joseph Schumpeter. Economista austro-húngaro, com longa carreira na academia e no setor público, primeiro na Europa e depois na academia americana, Schumpeter é o grande teórico dos ciclos econômicos. Já nos anos 1930, era crítico em relação à excessiva formalização matemática da teoria econômica. Segundo ele, a tentativa de mimetizar as ciências naturais, em nome do rigor metodológico, resultava na incapacidade de compreender a economia como um fenômeno social. Defensor entusiasmado do capitalismo e da fecundidade do espírito empresarial – do “entrepreneur” – enfatizou a importância da “destruição criativa” do capitalismo como mola propulsora dos avanços em todas as esferas da sociedade. É provável que, ao se domesticar o capitalismo, ao controlar artificialmente suas forças cíclicas naturais, pode-se ter esclerosado grande parte de suas virtudes, de sua força criativa e renovadora.
A economia americana continua estagnada. Assim como o Japão está estagnado há mais de 15 anos, depois do fim de uma bolha imobiliária, os Estados Unidos também deverão ficar estagnados até que o excesso de dívida seja digerido. A China foi capaz de sustentar altíssimas taxas de crescimento, mesmo depois da crise de 2008. Serviu de locomotiva, principalmente para os países exportadores de matérias-primas, como o Brasil, e impediu que a economia mundial como um todo estagnasse, mas já há sinais de que economia chinesa está em processo de desaceleração.
Quatro anos depois do inicio da crise, ainda não há solução à vista. Não há nem mesmo consenso sobre como proceder. O debate, hoje, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, parece estar polarizado entre o imperativo contraditório de manter o endividamento público sob controle e relançar o crescimento, através do estímulo keynesiano de mais gastos públicos. A ortodoxia fiscal é defendida primordialmente pelos republicanos nos Estados Unidos e pela Alemanha na Europa. A política fiscal anticíclica keynesiana é defendida pelos democratas nos Estados Unidos e pela França de François Hollande.
À primeira vista, crescer parece ser a solução. O crescimento reduz o valor relativo das dívidas. Sem crescimento, ao contrário, as dívidas nunca serão digeridas. A lógica sugere que não se deve tentar controlar a dívida pública enquanto a economia está estagnada, pois o resultado é uma política fiscal pró-cíclica, que pode levar à queda da renda e ao agravamento da relação entre a dívida pública e o produto.
Ocorre que a terapia keynesiana foi concebida para a economia que passou pela depressão e eliminou o excesso de dívidas, para a economia que está paralisada, mas pronta para reagir ao estímulo dos gastos governamentais. Os gastos públicos funcionam então como um motor de arranque, capaz de relançar o consumo e o investimento, numa economia devastada pelas quebras generalizadas. O aumento dos gastos públicos é questionável numa economia ainda com excesso de dívidas públicas e privadas. Consumidores sobre-endividados poupam toda renda adicional para reduzir suas dívidas. Governos sobre-endividados, que gastam mais do que arrecadam, correm o risco de perder a credibilidade e não serem mais capazes de refinanciar suas dívidas. Uma verdadeira sinuca de bico.
A aplicação do remédio keynesiano é hoje questionável. A possibilidade de que estejamos próximos de duas restrições, que eram ainda distantes nos anos 1930, exige, efetivamente, repensar os rumos do capitalismo. A primeira é o limite do tolerável – no sentido de não vir a se tornar disfuncional – da participação do Estado na economia. Em toda parte, até mesmo onde o capitalismo nunca foi seriamente questionado, como nos Estados Unidos, houve, ao longo de todo o século XX, sistemático aumento da carga fiscal e da participação do Estado na renda nacional. As respostas, tanto para a crítica econômica – da instabilidade intrínseca – quanto para a critica social – da desigualdade crônica – ao capitalismo, levaram ao aumento da participação do Estado na economia.
A segunda nova restrição é a proximidade dos limites físicos do planeta. É evidente que não será possível continuar indefinidamente com a série de ciclos de expansão do consumo material, alimentado pela turbina do crédito, até uma nova crise, que só se resolve com mais crescimento. A menos que haja uma radical mudança tecnológica, será preciso encontrar a fórmula do aumento do bem-estar numa economia estacionária. A mudança tecnológica não parece provável, pois a questão do ambiente é um caso clássico de bens públicos, que o mercado não precifica de forma correta. Pode-se dizer que os problemas do capitalismo são decorrentes do seu sucesso. As respostas desenvolvidas para aplacar as críticas, quanto à instabilidade intrínseca e à injustiça social, levaram a um extraordinário aumento do consumo material e da participação do Estado na renda.
Duas críticas, uma à direita e outra à esquerda, depois de um longo período em que ficaram abafadas pelo sucesso do capitalismo de massas, merecem ser reavaliadas. A primeira, à direita, a da chamada Escola Austríaca, é quanto ao risco do aumento crônico da intermediação do Estado na economia. Um de seus expoentes, Hayek, tem sido recentemente contraposto a Keynes na questão das políticas anticíclicas, mas esta não me parece sua contribuição relevante. É no seu papel de defensor do mercado, como insuperável transmissor de informação e estimulador da criatividade, que se pode encontrar a mais coerente e fundamentada análise dos riscos econômicos e sociais do aumento do papel do Estado.
A crítica à esquerda é quanto ao risco do consumismo. A tese da alienação consumista permeia a crítica cultural do capitalismo de massas, desde a Escola de Frankfurt, até os novos teóricos da sociedade do espetáculo.
Já há, neste curto período desde a crise de 2008, sinais de que a crítica cultural ao capitalismo será retomada. Dois livros recém-lançados questionam o capitalismo como uma troca faustiana – “How Much is Enough”, de Robert e Edward Skidelsky, e “What Money Can’t Buy”, de Michael Sandel. Ao transformar todas as esferas da vida numa questão de cálculo financeiro, ganhamos capacidade de criar riqueza, mas, em contrapartida, nos tornamos insaciáveis. A busca desenfreada por crescimento econômico, por mais consumo material, nos levou a esquecer de por que queremos mais. Mais consumo material tornou-se um objetivo em si mesmo. Sandel sustenta que a comercialização de algumas esferas da vida corrompe seu significado. Ecos da crítica marxista à “commoditização” e à alienação capitalista. Robert e Edwar Skidelsky sustentam que o capitalismo moderno levou ao esquecimento do que o mundo clássico definiu como “The Good Life”.
Será preciso superar o fosso profundo do preconceito ideológico – enraizado por um século de debate rancoroso – para encontrar a síntese dessas duas vertentes críticas e encontrar respostas para o que me parecem as duas grandes questões de nosso tempo. Primeiro, como reduzir a disparidade dos padrões de vida, sem continuar a aumentar a intermediação do Estado e restringir as liberdades individuais. Segundo, como reverter o consumismo, a insaciabilidade material, sem reduzir a percepção de bem-estar. São grandes desafios, sem dúvida. A competição capitalista parece-me imprescindível para que seja possível encontrar as respostas aos problemas criados pelo seu sucesso. Só a pluralidade das ideias, que foi capaz de desmistificar todo tipo de autoritarismo, seja o religioso, o fundamentalista ou o ideológico, e criar a cultura da automomia do indivíduo, será capaz de fazer a revisão cultural que as circunstâncias exigem, sem sacrificar as conquistas do Iluminismo.

Capitalismo no século XX I - Luiz carlos Mendonça de Barros (curso na Casa do Saber, 2013)





                                               CAPITALISMO XX.I
                                      Luiz Carlos Mendonça de Barros

Introdução: O Capitalismo mudou de nome

·         A figura do capitalista padrão do fim do século XIX e início do XX sumiu na história dos últimos anos;
·         Os CEOs das grandes empresas multinacionais  são hoje os capitalistas do século XXI;
·         Voto na Suíça, estabelecendo o controle sobre os ganhos dos novos capitalistas (CEOs), mostra que os excessos das últimas décadas provocaram uma mudança radical na estrutura social do Capitalismo;
·         Os personagens principais das economias de mercado – nova designação do capitalismo hoje - são:
1. O consumidor
2. O poupador
3. O investidor
4. O regulador

Capitulo I  - A História se repete como farsa

·         O século XXI iniciou-se com uma das crises mais graves do chamado capitalismo e que mais uma vez revelou os riscos associados a este sistema econômico.
·         Repete-se o que ocorreu em 1929 quando, no auge da expansão das maiores economias de mercado de então, um colapso no mercado financeiro americano arrastou a maior parte do mundo para um período de recessão econômica, crise social e, finalmente, um verdadeiro desastre político que levou a humanidade à catástrofe da segunda guerra mundial.
·        Como disse Hegel, "um acontecimento histórico acontece, não uma, mas duas vezes", querendo dizer que os fatos ocorridos no passado tendem a se repetir ao longo da história, exemplo: o renascimento que retoma a idéias do mundo grego, ou a revolução francesa que retoma algumas coisas do império romano e da Grécia.
·        Depois de Hegel ter dito isso, Marx retoma essa frase no seu livro "18 de Brumário" afirmando que Hegel havia esquecido de dizer que, esses acontecimentos ocorrem na primeira vez em forma de tragédia e na segunda como farsa, e fala dos ideais dos revolucionários franceses de 1789 que apesar de afirmarem retomar os ideais antigos de liberdade, igualdade e fraternidade o desejo real destes era o domínio da burguesia sobre toda a sociedade, portanto eles estavam retomando falsamente um acontecimento histórico, já que na verdade seus objetivos eram outros.
·        Foi o que ocorreu agora, no início do século XXI, quando os defensores do capitalismo liberal -sem qualquer forma de intervenção do governo, para que a racionalidade do homem econômico pudesse ser exercida sem limites permitindo, portanto, que a economia de mercado atingisse o ponto culminante de seu crescimento- provocaram o desmonte final das regras estabelecidas no pós Grande Depressão dos anos trinta; este discurso havia marcado de forma semelhante as discussões sobre a questão econômica na virada do século XX, quando a industrialização – inicialmente na Inglaterra e posteriormente nos Estados Unidos - levou a um período de crescimento econômico acelerado no mundo desenvolvido.

Capitulo II -             A diferença que Keynes fez no entendimento do Capitalismo

·        Vale a pena refletir um pouco agora sobre as diferenças principais no campo do conhecimento econômico – e político - entre o período de euforia ideológica do início do século XX e o de agora e as consequências que estas diferenças tiveram no enfrentamento da crise que se seguiu;
·        A primeira delas é que a crise da Grande Depressão abriu os olhos de economistas e cientistas sociais e políticos para os riscos do liberalismo, principalmente no que se refere ao racionalismo do homem como agente econômico e aos riscos de instabilidade que fazem parte do DNA nas economias de mercado; o grande nome neste debate foi sem dúvida o de John Maynard Keynes e a base de suas reflexões foi sua crítica aos economistas clássicos e a defesa da importância do Estado como regulador das economias de mercado;
·        Posteriormente as idéias de Keynes foram aprofundadas e complementadas por várias gerações de economistas fora da escola liberal ou, como passou a ser chamada mais tarde, neoclássica;
·        No pós II Guerra Mundial o pensamento keynesiano evoluiu segundo duas grandes escolas: uma delas, na Inglaterra, evoluiu para uma posição em que o Estado ocupava o centro das decisões na condução da economia, via um papel mais importante de coordenação das ações privadas;
·        A outra escola, que teve nos Estados Unidos seu principal espaço de desenvolvimento, aproximou-se da economia clássica, corrigindo alguns defeitos estruturais e conceituais desta, e passando a ser chamada de neoclássica; foi nesta versão que o pensamento econômico deste grupo caiu em armadilhas semelhantes às que existiram na época de Keynes;
·        Quis a sorte - ou o acaso - que em 2008, quando se inicia a crise financeira americana chamada de sub prime, é um estudioso da Grande Depressão e das idéias e propostas de Keynes – BEN BERNANKE – que se encontra à testa do Federal Reserve, o banco central americano; não seria exagero dizer que este fato, junto com a coragem e competência deste homem tranquilo e tão diferente de Keynes, foram decisivos para que não tivéssemos uma repetição da crise social e política de 80 anos atrás;



Capitulo III -Qual é o verdadeiro perfil do chamado “homem econômico” no século XXI

·          A economia faz parte de um sistema complexo de decisões que define uma sociedade no seu espaço geopolítico; ela não existe descolada do POVO, em um determinado espaço físico e em um determinado período finito de tempo;
·         Trata-se, portanto, de um espaço inclusive político, cujas condições de funcionamento se alteram com o passar do tempo em função de hábitos e valores sociais e, principalmente, de condições tecnológicas;
·         Por exemplo, o funcionamento de uma economia em uma democracia de massas, com eleições periódicas e disputadas, acaba sendo influenciada por esta característica eminentemente social; não por outra razão existe hoje um consenso que a ciência econômica tem uma forte natureza social e não pode ser tratada, como muitos tentam fazer, como uma ciência exata e matemática;
·         Por estas razões, as teorias econômicas aparecem, crescem, entram em decadência e são substituídas por outras; uma das razões para este comportamento é que o chamado agente econômico e que, individualmente ou em coletivo, se coloca como CONSUMIDOR, INVESTIDOR, ESPECULADOR, ou EMPRESARIO, muda sua forma de agir;
·         Mas como caracterizar o HOMEM ECONOMICO real e que comanda o funcionamento de uma economia nacional?
·         A História nos mostra a existência de dois perfis polares principais: no pensamento socialista ele é solidário e disposto a trabalhar em função dos outros e da busca de uma sociedade justa e sem grandes diferenças de nível de vida; o exemplo mais marcante deste homem solidário foi o que se dizia estava no centro da sociedade comunista; mas o colapso deste sistema político mostrou a utopia deste desenho de homem;
·         No outro pólo, temos o homem racional e individualista que é a base da chamada economia liberal ou capitalista; a crise dos anos trinta do século passado – reforçado pela crise de agora – mostrou que este perfil psicológico também é utópico e irrealista, principalmente em alguns momentos da História;
·         Uma terceira alternativa para o perfil do homem econômico é o que chamo de homem keynesiano; individualista, racional, mas sujeito a comportamentos menos nobres seja no nível individual ou coletivo; por isto, o sistema capitalista entra em crises graves de tempos em tempos, o que exige a presença do governo como órgão regulador dos mercados e em momentos mais graves de intervenção direta na economia via política monetária e fiscal;
·         A Social Democracia européia, na parte final do século XX, resgata as idéias de Keynes e o desenho de seu homem econômico;

Capitulo IV - A Tecnologia como polo de transformação do Capitalismo no século XXI

·         A INTERNET, ao aproximar ainda mais os agentes econômicos espalhados pelo mundo e aumentar a transparência dos dados econômicos, constitui um elemento novo no funcionamento dos mercados que devem ficar ainda mais nervosos e, portanto, sujeitos às oscilações de humor do Homem Econômico e da especulação;
·         Este movimento de homogeneização dos mercados mundiais vai aumentar os riscos sistêmicos na economia e colocar os mecanismos atuais de intervenção do governo em risco; um novo marco regulatório terá que ser desenvolvido nos próximos anos, principalmente no mundo desenvolvido;

Capitulo V - O Capitalismo no Brasil pós Lula

·         A carta ao Povo Brasileiro e a mudança da agenda socialista de Lula e do PT.
·         A experiência dos anos Lula: combinação da liberdade dos mercados para gerar crescimento, com a utilização do SOFT econômico deixado por FHC e sob o comando eficiente da dupla Palocci/Meirelles com a execução de políticas públicas para modificar a distribuição da renda gerada pela economia na direção de uma distribuição mais equânime.
·         A demanda chinesa por produtos primários dos quais o Brasil é um dos produtores mais eficientes foi peça fundamental nesta estratégia de Lula.
·         Neste cenário ocorreram mudanças estruturais importantes com a ascensão de milhões de brasileiros à categoria de cidadãos integrados à economia de mercado.
·         Esta alteração no tecido social terá repercussões importantes no futuro do Brasil na próxima década.
·         Mas o Brasil continuará a ser uma sociedade de cidadãos cigarras e não cidadãos formigas, como nos países emergentes da Ásia.











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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Is the oil industry dying? (JASON LAVIS)

oil industry dying: diligence-and-education IS THE KEY


Is The Oil Industry Dying? Diligence and Education Is The Key

 BY  

The current downturn, 30 months in, has caused many of us to question whether the oil industry is dying. The number of oil and gas jobs lost during this downturn is estimated to be between 300,000 – 400,000 worldwide. At the same time the industry faces existential threats from environmentalists, alternative energy and electric cars.
Here, we discuss what is likely to happen, and what you should do about it.

We live in an age of massive change

Change is all around us, in fact many of the assumptions that we grew up on, that our parents taught us, are turning out to not be true for us at all. For example:
  • There are no ‘jobs for life’ anymore, job security is an illusion.
  • Education is being seen less as an early life event, and more of a lifelong endeavor.
  • The average person is experiencing more frequent job changes, and career changes too.
  • Technological advances threaten many jobs, and demand that we take a new look at our skill sets and future prospects.
So rather that watching the oil price, and wondering when the recovery will start, we need to look inward, at things that we can control. Some of these things include health, personal finances, training and continued education. Luckily, we can easily find the information that we need online. The paradox is that we have less control of our job security, and more control of our lives in general.
Many of the younger oil and gas workers are finding the need to look at other industries, not knowing when they might be able to come back.

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Petrolessons.com is a newcomer to the oil and gas online education space, they are the first crowdsourced option. This type of solution is less regulated and ‘tried and tested’, and will be dependent on the quality of the contributors. A quick scan of the contributing authors page will likely reveal a few industry names that are already familiar to you.
Petroskills offer comprehensive courses to petroleum professionals, it is more of an offline solution but worth investigating depending on your location. Here is a snippet from their website:
With a complete spectrum of solutions, courses and learning tools, PetroSkills is developing competent petroleum professionals in all technical processes, spanning the industry’s entire value chain, worldwide. PetroSkills services and solutions connect learning to the workplace, allowing employers to manage and assure the competence of workers at every level.
There are savvy workers in all industries who have decided to study online to gain new qualifications. We don’t need to go back to university or college for 2-4 years in order to learn new skills, or to change industry. Taking a few months off can be hard financially, let alone a few years where you have to pay huge sums from your savings. Practical and commercially viable skills can be learned online. Not just at online universities, but in a range of micro or nano degrees or skill specific qualifications. Ones that companies need, and are looking to hire for. You can also learn to market any kind of product or service online, including marketing yourself!

Most of us will have questioned the future of the oil and gas business in recent months…

We see discussions every day about when the oil and gas industry will recover… People ask “is this the new normal?” when in fact ‘normal’ represents relatively short periods of time in human history.
Some say that fossil fuels should be banned immediately, if that were realistic then most people would be open to the possibility. Especially those who suffer from asthma and other illnesses related to air pollution.
Who would seriously be against zero air pollution? Fresh air in all major cities? A fossil-nut?
Who would want to hold on to a toxic relic from the history of human evolution and technical innovation – IF there were a better alternative to cover all of our demand requirements?
The reality is that fossil fuels are here to stay, at least for a few decades. Even if cars with internal combustion engines were banned, and coal burning electrical plants were too… Would we still drill for oil and gas? Of course we would.
Fuel for cars represents a small slice of demand, dominated by petrochemical byproducts, plus freight and airline fuel. Does anyone think that plastic products will be outlawed any time soon? If they are replaced by something biodegradable then perhaps this is as welcome as the end of air pollution.
One day, we might see then end of mining and drilling, but this would be so far into the future it is probably something for our children or grandchildren to ponder.
In the meantime, expect booms and busts every few years, and then later on we can look back at the trend lines and see if the industry has expanded or contracted from today.
Where does that leave the 300,000 – 400,000 displaced workers? Where does it leave an equal number who might be uncertain about the future?
The real question is not where the future of the industry lies, but where YOUR future lies. Is it a future of fear of change, negativity and doubt? Or is it a future of embracing change, self-betterment and new opportunities?
Whether you are a driller, chef, doctor or accountant, your job could be at risk. There is no job that a self-learning autonomous robot will be unable to do. Everyone’s job could be at risk at some point in the future.
History tells us that when an industry dies, it is replaced. Jobs disappear but people don’t. In the early 1900’s over 40% of adults in the US worked in agriculture, now it is around 2%. Did the agricultural revolution make us better or worse off?
The word ‘Luddite’ came from a movement against automated weaving machines, they were worried about the loss of jobs for those who made clothes by hand, not just stitching, but the creation of the cloth! There were those who were in the horse and cart industry that were against Henry Ford’s first factory automation.
Does this sound like you? Would you have been the very last blacksmith? Or would you have seen a good thing and went to work for Henry Ford? Perhaps even in competition with him?
So, one day you job might be literally gone for ever, but that time is likely to be a long way off. In the meantime, if you want to stay in the same role, you need to make sure that you are not among the weakest and least efficient among your peers.
More importantly than the reality, is the perception.
You might not be the best at what you do (although perhaps you are?)…
It is possible to create the impression that you are!

Action steps, regardless of whether the oil and gas industry dies:

Updating your CV to ensure that it shows your skills and experience in the very best light. This is something that is hard to do on your own, most people are humble and do not like to blow their own trumpet too much. If you get a CV makeover from one of our skill pool advisors then they will know what to accentuate and what to subdue in your profile. The way that you see yourself and your own achievements will be different to the way that others perceive it.
Tidy up your social media profiles to make sure that they are all current and up to date. Politely ask friends and colleagues for endorsements if they are aware of your work and can endorse you honestly. Remove any images that might show you in a negative light.
Get active in any available communities, both online and offline. It will probably always be true that people prefer to hire others that they already know and like. You next client or employer could be part of a community that you are already part of, or could join easily. As with the industry itself, it will be a while before robots are making hiring decisions. Here are the best two oil and gas communities online.
Create a business website that can grow in size and authority over time. Showcase your knowledge, experience and expertise there. Your own website trumps a social media profile because most of your competition will not have a website. Everyone has a Facebook or LinkedIn profile, only subject matter enthusiasts and/or experts are perceived to have a technical website.
It makes sense to create a website, or online store in other industries. Was the oil and gas business a dream industry that you worked towards as a small child? Are you more passionate about your most recent job, as you are about your most recent hobby or challenge outside of work? In a modern information economy, a lawyer might decide that they will be happier as a florist. An engineer might be happier as an adventure travel tour operator. We are in the age of the ‘side gig’ that can be created in the evenings and weekends, sometimes these projects lead to more happiness, sometimes more money, sometimes both. The most likely scenario is for the side gig NOT to take off, but we are on this Earth for a short while, following your dreams in a safe way might be worth a try.
Decide that your training and education is a lifelong process, not something that you did ‘when you were young’ or ‘at school’. With the possibility of online courses and training, there is no reason for you not to continue to home your skills and resume. There is a wealth of information for you to learn online about the energy industry, or any other industry too.
It is not that we would like to see you leaving the industry, that wouldn’t make any sense as it would be akin to a store owner asking customers to shop elsewhere. It is more that we all have a duty to help others in way that are in their interest, not just our own. We hope that the industry turns and that you will be one of the new candidates that we help place into that perfect role. Regardless of whether this happens, lets all take the initiative of making the best of the situation that we face, right now.
The answer to the question of whether oil and gas is a dying industry has been answered in part by Donald Trump. Whilst we rarely delve into politics here at NatResPro, it is very clear that ‘The Donald’ is surrounding himself with pro oil and gas advisors. It is likely that green fuel subsidies will be removed, and that oil and gas exploration will be encouraged.
Is the oil and gas industry dying? Not yet, and not for a while…

O boom de Trump? KENNETH ROGOFF

O boom de Trump?  

KENNETH ROGOFF

O quanto as políticas do novo presidente vão aumentar a produção e a inflação é difícil prever
Após anos de hibernação, a economia dos EUA conseguirá se erguer para uma grande retomada nos próximos anos? Com a chegada de um governo republicano empenhado em reformular uma economia já próxima do pleno emprego com as prometidas barreiras comerciais elevando os preços de bens importados competitivos e a independência do Banco Central tendendo a ser atacada, uma inflação mais alta - provavelmente acima dos 3% em alguns momentos - é quase uma certeza. E a produção também poderá surpreender, possivelmente alcançando 4%, pelo menos temporariamente. Impossível? De jeito nenhum. A economia já parece estar crescendo num ritmo de 3% ao ano. E mesmo os mais ferrenhos opositores das políticas econômicas do presidente eleito Trump teriam que admitir que elas são consistentemente favoráveis aos negócios (com a notável exceção do comércio). Considere-se a regulação. Sob o presidente Barack Obama, a regulação trabalhista cresceu significativamente, sem mencionar um aumento dramático na legislação ambiental. E isso sem considerar a sombra enorme que o Obamacare projeta sobre o sistema de saúde, que sozinho representa 17% da economia. Certamente, não estou dizendo que repelir a regulação da era Obama vai melhorar o bem-estar médio dos americanos. Longe disso. Mas as empresas ficarão em êxtase, talvez até mesmo dispostas a investir novamente. O impulso na confiança já é palpável.
E há ainda o prospecto de um amplo estímulo, patrocinado por uma elevada expansão dos gastos desnecessários em infraestrutura (presumivelmente, Trump vai destruir a oposição do Congresso a altos déficits). Desde a crise financeira de 2008, economistas de todos os espectros políticos defenderam aproveitar as taxas de juros extremamente baixas para financiar investimentos em infraestrutura produtiva, mesmo ao custo de um maior endividamento. Projetos altamente rentáveis se pagam.
Bem mais controverso é o plano de Trump de um corte de impostos que beneficia desproporcionalmente os ricos. É verdade, colocar dinheiro nos bolsos dos poupadores ricos dificilmente parece tão efetivo quanto dar dinheiro aos pobres. A concorrente de Trump, Hillary Clinton, de forma memorável fez um trocadilho com o nome de Trump ("Trumped-up trickle-down economics"), referindo-se ao efeito trickledown (segundo o qual a aplicação de um alívio tributário para os ricos, teoricamente, beneficia toda a economia pois estimula o consumo e os investimentos). Mas, seja como for, corte de impostos pode ser bom para a confiança das empresas.
É difícil saber exatamente quanto mais de dívida o programa de estímulo de Trump vai acrescentar, mas estimativas de US$ 5 trilhões em dez anos - um aumento de 25% - não parecem exageradas. Muitos analistas econômicos de esquerda, que depois de insistir por oito anos na gestão Obama de que não havia qualquer risco de os EUA se endividarem, agora alertam que o grande endividamento no governo Trump vai asfaltar a rodovia financeira para a destruição. É uma hipocrisia de tirar o fôlego, mesmo que agora estejam mais perto de estarem certos.
O quanto as políticas de Trump irão aumentar a produção e a inflação é difícil prever. O quanto mais perto a economia americana fica de esgotar sua capacidade, mais inflação haverá. Se a produtividade americana realmente entrou em colapso, como acreditam muitos acadêmicos, estímulos adicionais tenderão a elevar os preços bem mais do que a produção; a demanda não vai induzir nova oferta.
Por outro lado, se a economia americana realmente tem grandes quantidades de recursos subutilizados e não empregados, o efeito das políticas de Trump no crescimento poderão ser consideráveis. No jargão keynesiano, ainda existe um grande multiplicador na política fiscal. É fácil esquecer que a maior parte da recuperação global vem do investimento das empresas, e se ele começar a ocorrer, finalmente, tanto a produção quanto a produtividade poderão começar a crescer de forma aguda.
Aqueles que estão muito enredados na ideia de uma "estagnação secular" dirão que maior crescimento sob Trump é quase impossível. Mas se acreditam, como eu, que o crescimento lento dos últimos oito anos se deveu sobretudo ao excesso de endividamento e ao temor da crise de 2008, então não é tão difícil de acreditar que a normalização está bem mais próxima do que pensamos. Afinal, até hoje virtualmente todas as crises financeiras eventualmente chegaram ao fim.
Claro, tudo é um olhar otimista sobre a economia de Trump. Se o novo governo se mostrar errático e incompetente (uma possibilidade real), a depressão rapidamente vai sobrepujar a confiança. Mas cuidado com os especialistas que estão certos de que Trump trará uma catástrofe. No dia da eleição, o colunista do "New York Times" Paul Krugman insistiu inequivocamente que uma vitória de Trump levaria ao colapso do mercado de ações, sem qualquer recuperação à vista. Investidores que confiaram em seus insights perderam uma boa quantidade de dinheiro.
Ao risco de exagero, é sábio lembrar de que não é necessário ser uma boa pessoa para fazer a economia funcionar. De muitas formas, a Alemanha foi tão bemsucedida quanto os EUA em usar programas de estímulos para tirar a economia da Grande Depressão.
Sim, tudo isso poderia ter terminado muito mal. O mundo é um lugar perigoso. Se o crescimento global entrar em colapso, a economia americana poderia sofrer severamente. Apesar disso, é bem mais provável que após anos de lenta recuperação, a aconomia americana possa, enfim, estar pronta para se mover de forma significativamente mais rápida, pelo menos por um período.
*Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI, é professor de Economia e Política Pública na Universidade de Harvard © Project Syndicate

Bancos vivem período de euforia com Trump nos Estados Unidos

Bancos vivem período de euforia com Trump nos Estados Unidos

Hugh Son | Bloomberg (03/01/2017)

As ações dos bancos dos EUA estão nas nuvens desde a vitória de Donald Trump, que impulsionou as expectativas de lucro para o setor. Mas, para quem trabalha no ramo, a batalha diária para manter o emprego não ficará mais fácil. O quadro de impostos menores, juros maiores e regulamentação menos severa pode elevar os lucros dos bancos americanos em 22%, na mediana, em 2018, porém as instituições continuarão reduzindo custos ao aplicar tecnologias para substituir agências e funcionários, segundo analistas do Morgan Stanley. E embora a alta dos juros possa ampliar as margens, também pode esfriar a demanda por empréstimos imobiliários e emissão de títulos corporativos.
O que também significa menos necessidade de pessoal. "É difícil imaginar a expansão dos empregos em finanças", disse Fred Cannon, chefe de pesquisas do Keefe, Bruyette & Woods.
O nível de emprego nos grandes bancos vem encolhendo desde a crise de 2008. Primeiramente, por causa da consolidação, e depois porque os custos legais foram se acumulando e as receitas ficaram estagnadas. O ritmo de demissões caiu e ficou abaixo de 19.400 vagas eliminadas nos primeiros 10 meses de 2016, mas os analistas não antecipam uma retomada, por causa do avanço da automação.
A eleição do bilionário em novembro fez com que muitos analistas revisassem suas projeções. Foi uma reversão em relação ao ocorrido no início de 2016, quando as ações do setor bancário derrapavam e o analista Mike Mayo, da CLSA, via maior probabilidade de reestruturação do Bank of America, até com um desmembramento das operações da instituição. Seis meses depois, um relatório do Berenberg Bank afirmava que os bancos estavam "atolados" em juros baixos e dívidas que permaneceria durante anos. Agora, analistas como Paul Miller, da FBR Capital, dizem estar mais otimistas em relação às ações de bancos do que em qualquer outro momento da última década. Apesar da alta de 22% do índice KBW Bank desde a eleição, as ações podem subir ainda mais à medida que as políticas do novo governo forem sendo definidas, segundo o analista.
Os bancos devem reduzir o número de funcionários nas agências, mas tendem a contratar profissionais especializados em concessão de empréstimos e atividades comerciais se a demanda aumentar devido ao crescimento econômico, disse Kevin Barker, analista da Piper Jaffray.
A euforia em torno das ações dos bancos, no entanto, pode durar pouco. Ninguém sabe até que ponto Trump vai flexibilizar o arcabouço das regulamentações do setor. Se os juros subirem rápido demais, as perdas de crédito podem crescer e os poupadores podem mudar suas contas em busca de retorno maior, o que elevaria os custos de captação. Ainda assim, pela primeira vez em anos, ser analista do setor bancário voltou a ser divertido, disse Cannon, porque os investidores estão interessados. "De repente, os gestores de carteira que praticamente não tinham posição no setor financeiro precisaram comprar esses papéis", disse ele. "Os telefones estão tocando bem mais agora."