sexta-feira, 17 de março de 2017

10 mulheres brasileiras que deveriam ser mais estudadas nas escolas (BBC)



Néli Pereira Da BBC Brasil em São Paulo - 16 março 2017



A história de Emmy Noether - matemática alemã que desafiou as universidades em 1903 para cursar o ensino superior e que foi citada por Albert Einstein como "genial" por sua contribuição à Física - inspirou leitores da BBC Brasil:


Após a reportagem ser citada no boletim de notícias ao vivo que a BBC Brasil transmite pelo Facebook todos os dias às 12h45, leitores começaram a sugerir nomes de mulheres que deveriam ser estudadas com mais ênfase nas escolas.

Entre as diversas sugestões, que incluíram personalidades como a mexicana Frida Kahlo, selecionamos dez brasileiras para destacar e relembrar a contribuição delas para a nossa história.
As trajetórias são muito diferentes entre si, assim como as áreas de atuação: da música à política, das artes plásticas à dedicação religiosa. O que quase todas têm em comum foi a luta por reconhecimento e pelos direitos da mulher. 


1. Cora Coralina




Direito de imagem Agência Brasil Image caption Cora Coralina era doceira e poetisa 


Apesar de ser considerada uma das poetisas mais importantes da literatura brasileira, Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, só publicou o primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, aos 76 anos.

Antes disso, criou quatro filhos trabalhando como doceira após a morte do marido e não chegou a terminar o ensino fundamental.

Cora ficou conhecida por escrever sobre a cidade de Goiás e, embora não falasse sobre a questão de gênero na sua obra, é considerada por especialistas como uma escritora pioneira e libertária que enfrentou os preconceitos da sociedade para mostrar a contribuição das mulheres. 


2. Irmã Dulce 
Direito de imagem Agência Brasil Image caption Irmã Dulce pode ser a primeira santa do Brasil 


Maria Rita de Sousa Brito Lopes dedicou a vida a ajudar as pessoas carentes e é uma das ativistas humanitárias mais importantes do século 20.

Ela mostrou aptidão e desejo para essas atividades ainda pequena - aos 13 anos transformou a casa dos pais em Salvador em um centro de atendimento aos necessitados, pobres e doentes.

Conhecida como "o anjo bom da Bahia", ajudou a fundar diversas instituições filantrópicas, como o Hospital Santo Antônio. Foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 1988 e beatificada em 2011. 


3. Lina Bo Bardi         

Direito de imagem Gabriel Grespan Image caption A convite de Assis Chateubriand, Lina Bo Bardi projetou o Masp 


Nascida na Itália e naturalizada no Brasil, Lina nasceu Achillina Bo e veio para o Brasil em 1942 para se afastar da instabilidade política da Europa, que a deixava inconformada.

Aqui, abriu caminho para as mulheres na arquitetura e foi responsável pelos projetos do Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) e do Sesc Pompeia, entre outros prédios emblemáticos.

Estudiosa da cultura brasileira, Lina tinha um forte engajamento político e acreditava que a arquitetura deveria simples e uma ferramenta para melhorar a vida da sociedade e dos mais pobres - e criticava a ostentação.

Apesar da contribuição para a arquitetura, ela não teve tanto reconhecimento em vida e enfrentou muitos preconceitos por ser mulher e estrangeira. 

4. Maria Quitéria
 Direito de imagem Pintura de Domenico Failutti Image caption Maria Quitéria se passou por homem 


Primeira mulher a entrar nas Forças Armadas e a defender o Brasil em combate, Maria Quitéria de Jesus Medeiros é frequentemente comparada a Joana d'Arc. Foi uma das heroínas da Guerra da Independência.

O pai dela não permitiu que se alistasse, mas em 1822 ela fugiu de casa, cortou os cabelos, se vestiu como homem e se juntou ao Regimento de Artilharia.

Foi descoberta pelo pai logo depois, mas teve a permanência na tropa defendida por um major por causa de sua disciplina e destreza com as armas. Depois do serviço militar, foi perdoada pelo pai, se casou e teve uma filha. 


5. Clementina de Jesus



Direito de imagem Image caption Clementina foi uma das sambistas mais importantes do país
 

Uma das principais sambistas de todos os tempos, Clementina foi empregada doméstica até ser descoberta e reconhecida já com mais de 60 anos.

Famosa pelo repertório de músicas de raízes afro-brasileiras tradicionais, ela foi importante por registrar e divulgar cantos ancestrais dos escravos na história da música.

Sua biografia, intitulada Quelé - A Voz da Cor, foi lançada no ano passado.



6. Nise da Silveira 
Direito de imagem Retrato: Pedro Celso Cruz Image caption Nise foi ativista da luta antimanicomial 


Psiquatra brasileira e aluna de Carl Jung, Nise ficou conhecida pela contribuição pela luta antimanicomial e por ter implementado a terapia ocupacional e as artes no tratamento das doenças psiquiátricas no processo terapêutico.

Ela se formou em 1926 - era a única mulher em uma turma com 157 alunos. Chegou a ser presa durante o Estado Novo, acusada de envolvimento com o comunismo, e dividiu a cela com Olga Benário, militante do movimento no Brasil.

Nise criticou, discutiu e revolucionou o tratamento psiquiátrico e as condições dos manicômios no Brasil. 


7. Zilda Arns 


Direito de imagem Wilson Dias/Ag. Brasil Image caption, vitimada pelo terremoto no Haiti, 2010
 

Zilda foi uma médica pediatra e sanitarista brasileira, responsável pela fundação da Pastoral da Criança.

Ela dedicou a vida à saúde pública com enfoque no combate à mortalidade infantil, desnutrição e violência contra as crianças e desenvolveu uma metodologia própria para realizar os tratamentos preventivos.

Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, Zilda morreu no Haiti. Ela trabalhava em uma missão da Pastoral quando o país foi atingido por um terremoto, em 2010.



8. Anita Garibaldi 
 Direito de imagem Pintura de Gaetano Gallino Image caption Anita foi combatente. 


Uma das mulheres mais reconhecidas da história do Brasil, Anita Garibaldi é chamada de "Heroína dos Dois Mundos" pela participação em diversas batalhas tanto no Brasil como na Itália ao lado do marido, Giuseppe Garibaldi.

Anita foi muito influenciada pelos ideiais do marido. Eles foram parceiros de vida e de combate: ela aprendeu a usar armas e espadas e foi combatente na Revolução Farroupilha e Revolta dos Curitibanos, entre outras.



9. Tarsila do Amaral
 Direito de imagem Divulgação Image caption Tarsila é expoente do modernismo 


Um dos principais nomes do modernismo brasileiro, Tarsila criou algumas das obras emblemáticas do movimento, como o Abaporu.

Mesmo com formação sólida em Artes Plásticas, nas escolas de Julian e de Émile Renard em Paris, ela enfrentou dificuldades por ser mulher.

O primeiro marido se separou dela porque não concordava com a sua dedicação à arte, e não exclusivamente às tarefas do lar.

Tarsila dizia querer ser a "pintora do Brasil" e dedicou várias fases de sua obra às cores, paisagens e cultura brasileiras. 


10. Chiquinha Gonzaga


Direito de imagem Divulgação Image caption Chiquinha era uma ativista social e política  
A trajetória de Chiquinha Gonzaga é referência tanto para a música brasileira como para a conquista dos direitos da mulher.

Ela começou a carreira ainda na época do Segundo Reinado e, embora tocasse os ritmos populares à época, como valsas e polcas, também se dedicou a conhecer e divulgar os ritmos brasileiros. Foi autora de uma das primeiras marchinhas: Ó Abre Alas.

Casou-se aos 16 anos e aos 18 decidiu abandonar o marido, que não concordava com sua atividade musical. Ficou conhecida pela militância política e foi ativista de grandes causas sociais - especialmente a abolição da escravatura.

Também foi a fundadora da primeira instituição arrecadadora e protetora dos direitos autorais no país. 


@história do Brasil

Negociação: Você quer ter razão ou resolver o problema? (Roger Fisher e William Ury)

A pergunta é velha, mas muitas vezes uma negociação emperra justamente porque ter razão é mais importante para quem negocia do que realmente solucionar o problema.
Em 1981, Roger Fisher e William Ury enfrentaram esse dilema e criaram as bases para uma nova forma de encarar a negociação, que até hoje é a principal referência na área. Com o livro Como chegar ao sim (Ed. Solomon), os autores propõem que uma negociação bem sucedida é aquela que se baseia em padrões justos, independentemente da vontade de cada lado.
Os quatro princípios apresentados no livro são a base de uma negociação bem sucedida:
Separe as pessoas do problema. Normalmente, executivos se consideram pessoas lógicas e ponderadas, mas na hora de resolver questões intrincadas, aspectos como origem, cultura e personalidade podem revelar emoções humanas, demasiado humanas. Normalmente, tendemos a encarar um problema ou uma disputa de um ponto de vista muito estreito, sem dar ouvidos à perspectiva das outras pessoas. Essa é a receita do conflito, segundo os autores. Para eles, é fundamental separar os interesses – de um lado, estão os interesses individuais em jogo, e do outro a relação entre as duas partes. Dando um passo atrás para tentar analisar o problema de um ponto de vista externo, é possível abordar o conflito de uma perspectiva mais realista enquanto se tenta esclarecer as posições dos dois lados. Isso é possível quando se foca nos interesses subjacentes em vez dos ruídos emocionais que causam atrito.
Foco nos interesses e não nas posições. Tendemos a nos fixar em nossas posições, buscando entrar em acordo quanto a posição específica, o que raramente funciona. As posições frequentemente resultam diretamente do conflito entre as bases emocionais de cada um, que estão na estrutura de nossas respectivas posições. O que temos de entender – e isso nem sempre é fácil – é quais são os reais interesses que estão por trás de cada um dos lados, inclusive o nosso. Em vez de perguntar O que você quer? a pergunta seria Por que você quer isso? É o propósito, a real motivação, que pode ajudar as duas partes a chegar a um acordo. A comunicação, nesse caso, é fundamental para que os dois lados compreendam e reconheçam os interesses mútuos e os divergentes.
Opções mútuas para ganho mútuo. Para os autores, a tendência natural das pessoas diante de um problema é fincar o pé na solução que lhe ocorreu, acreditando que só aquela é a resposta certa. Não é natural buscar alternativas criativas para resolver a disputa com eficiência. Eles afirmam que há quatro obstáculos a serem superados: julgamento prematuro, buscar uma única resposta, assumir que o problema é estanque, pensar que o problema do outro é problema do outro. O exercício proposto por eles é que as duas partes trabalhem juntas em um processo reflexivo em quatro etapas: definição do problema, análise das causas dividindo-as em categorias; ponderação das estratégias possíveis e aplicação de um pensamento amplo para resolver as questões e analisar que passos específicos podem ser dados.
Insistir em usar critérios objetivos. Para evitar cair na armadilha de uma batalha de vontades, Fisher e Ury dizem que é preciso negociar com base em critérios objetivos, que podem ser, por exemplo, valor de mercado, custo de reposição, padrões do setor, precedentes, reciprocidade, eficiência ou qualquer princípio aplicável que denote um verdadeiro reflexo do que é realisticamente justo e razoável.
Em resumo, sempre tentamos chegar ao melhor acordo possível, mas temos que lembrar que há sempre mais em jogo do que nossos interesses e egos envolvidos no processo. Podemos resolver mais e melhor os problemas se entendermos os interesses subjacentes, e criar relacionamentos duráveis se sempre buscarmos soluções mutuamente criativas e benéficas.
Ao longo dos anos, Ury escreveu vários outros livros em que aprimora seu método – resultado também de sua experiência à frente do Programa de Negociação da Faculdade de Direito de Harvard e na mediação de conflitos internacionais políticos e bélicos. Em Negocie para vencer (HSM Editora), cuja segunda edição chega às livrarias em agosto, Ury apresenta ainda mais exemplos e dicas práticas para avançar nesse processo.

https://www.hsm.com.br/voce-quer-ter-razao-ou-resolver-o-problema/

@administração 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Video: Benfica e Emirates


A lista da vergonha (Editorial: O Estado de São Paulo)




O ESTADO DE SÃO PAULO - 16/03/2017
É uma notável coleção de figurões do primeiro escalão da República de hoje e de ontem a lista de suspeitos de envolvimento com o esquema de corrupção investigado pela Lava Jato. Não se pode dizer, no entanto, que aquilo que ficou conhecido como a segunda Lista de Janot seja uma surpresa, pelo menos para quem dispõe de um mínimo de informação sobre os recém-completados três anos de trabalho da Operação Lava Jato. Os nomes divulgados já eram conhecidos. Frequentam essa espécie de noticiário policial em que se transformaram as editorias políticas dos meios de comunicação desde que o Partido dos Trabalhadores do impoluto Lula da Silva fez da corrupção na gestão da coisa pública um método para a perpetuação de um projeto de poder. Essa é a verdadeira herança maldita, o grande legado do lulopetismo. Dois ex-presidentes, Lula e Dilma; pelo menos cinco ministros de Estado do governo Temer - Eliseu Padilha, Moreira Franco, Aloysio Nunes, Bruno Araújo e Gilberto Kassab -; os atuais presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados - Eunício Oliveira e Rodrigo Maia -; pelo menos quatro ex-ministros dos governos petistas - Antonio Palocci, Guido Mantega, Edison Lobão e Romero Jucá; pelo menos dois líderes tucanos - os senadores Aécio Neves, presidente do PSDB, e José Serra. Além desses 15 expoentes da representação multipartidá- ria que integram a seleção feita pelos delatores da Odebrecht, dezenas de outras figuras de menor expressão fazem parte do time que levou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a solicitar ao ministro-relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a instalação de 83 inquéritos apenas no âmbito da Suprema Corte, além de sugerir o encaminhamento de 211 outros processos a instâncias inferiores.
Uma visão prospectiva desta Lista de Janot deve levar em consideração também duas questões fundamentais: trata-se do resultado das delações premiadas de mais de 70 executivos da Odebrecht, apenas uma das grandes empreiteiras com o rabo preso na Lava Jato. Muitas outras virão.
Além disso, é preciso não esquecer que as pessoas citadas não podem ser consideradas culpadas de delito algum. Dependendo de decisão do relator da Lava Jato, serão investigadas e, havendo fundamento, transformadas em rés, que nessa condição passarão a ser julgadas para, finalmente, serem declaradas inocentes ou culpadas. É um longo processo - mais longo do que a consciência cívica nacional certamente almeja -, mas até então todos os inicialmente suspeitos estarão resguardados pelo princípio da presunção de inocência, fundamento essencial de um sistema penal civilizado.
De qualquer modo, a constatação de que figuras poderosas que há mais de uma década conduzem os destinos do País são suspeitas da prática generalizada de atos lesivos aos interesses dos brasileiros - afinal, são os cidadãos que pagam a conta da corrupção - é mais do que suficiente para demonstrar a urgente necessidade de uma profunda revisão dos fundamentos do sistema político.
A prova disso é que, apavorados com a perspectiva de acabar no xilindró como já acontece com ilustres bandidos de colarinho branco, senadores e deputados, de praticamente todas as legendas, estão no momento mais preocupados em salvar a própria pele do que em fazer sua parte na discussão e aprovação das reformas necessárias para sanear as contas públicas e criar condições para tirar a economia da recessão, de modo a garantir emprego e renda para seus eleitores. A obsessão no momento entre os parlamentares é criar mecanismos que lhes preservem mandatos. Vale tudo, desde a anistia de crimes eleitorais como o caixa 2 até a adoção da famigerada lista fechada de candidatos. Só não vale, pelo menos neste momento, pensar numa reforma política séria, que faça o Brasil transitar do sistema oligárquico para uma democracia compatível com o século 21.
As Listas de Janot são uma vergonha para o País. É preciso acabar com elas, da única maneira legítima num regime de democracia e liberdade: eleger gente decente.
@política @brasil

quarta-feira, 15 de março de 2017

Cientistas revertem sintomas da depressão com iogurte

Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Virgínia, nos EUA, fizeram uma descoberta animadora e promissora para pessoas que sofrem de depressão.
Eles conseguiram reverter os sintomas da doença em ratos usando iogurte. A informação foi divulgada este mês pela revista especializada Nature.
Os pesquisadores alimentaram ratinhos com uma bactéria probiótica encontrada em iogurtes de cultura viva, os chamados Lactobacillus, que são popularmente conhecidos por ajudar o intestino e melhorar a imunidade.
Estudando os camundongos, antes e depois de serem submetidos ao estresse, a equipe descobriu que as bactérias intestinais desempenham um papel importante na depressão.
Fim do mau humor
Depois que alimentaram as cobaias com as bactérias Lactobacillus o humor normal retornou.
Já quando a alimentação foi retirada, os sintomas da depressão voltaram.
Eles descobriram que a quantidade de Lactobacillus no intestino afeta o nível de kynurenine no sangue, que causa sinais de depressão.
O pesquisador Alban Gaultier disse ao UVA Today que suas descobertas podem significar que os pacientes não terão que “se preocupar com drogas complexas e efeitos colaterais”, e que eles podem simplesmente “brincar com o microbioma”, que é a bactéria do intestino.
“Seria mágico apenas mudar sua dieta, mudar as bactérias que você toma, e reparar sua saúde – do seu jeito”.
Gaultier agora planeja testar sua descoberta em seres humanos.

Alban Gaultier – Foto: Dan Addison, University Communications
Alimentos com Lactobacilos
Lactobacilos vivos são encontrados em diversos tipos de alimentos fermentados como:
  • Iogurtes do tipo Grego e Actvia
  • Leite fermentado, do tipo Yakult e Chamyto
  • Kefir
  • Certos tipos de queijo
O leite cru tambem tem lactobacilos, porém quando pasteurizado, esses microrganismos morrem. Os lactobacilos são os responsaveis pelo azedamento do leite.

Link:
http://www.sonoticiaboa.com.br/2017/03/14/cientistas-conseguem-reverter-sintomas-da-depressao-com-iogurte/

O Loop Infinito do Açucar


terça-feira, 14 de março de 2017

Sister Rosetta Tharpe, a madrinha-avó do Rock And Roll

Você sabia que foi uma mulher negra que criou “Rock N’Roll”?


Por Ademir Fábio Quinot Ströher
Quase que completamente desconhecida hoje, Sister Rosetta tinha um programa gospel na rádio nos anos 30, 40. Reza a lenda que King of Rock and Roll,  Mr. Elvis, quando criança, saía correndo da escola para ouvir o programa e as músicas que ela cantava.

O jeito dela cantar e tocar guitarra acabou sendo assimilado por outro King, o B.B.

E ainda há o terceiro King, desta vez o do Folk, Bob Dylan, assumidamente fã desta artista extraordinária.

É gratificante relembrar e curtir os antepassados negros que fizeram a história do blues americano, como a pioneira Sister Rosetta Tharpe, a madrinha-avó do Rock And Roll.
Sister Rosetta Tharpe mãe do rock
Sister Rosetta Tharpe foi um amor à primeira vista. Aquela mulher de energia possante a brincar com a guitarra, faz lembrar Chuck Berry. A verdade é que foi esta a mulher que inspirou Chuck Berry. A mulher “bonita, divina sem mencionar sublime e esplêndida”, como Bob Dylan afirmou numa entrevista, é a essência do Rock n’ Roll.

Nascida a 20 de Março de 1915, em Cotton Plant, Arkansas. Filha de Willis Atkins e Katie Bell Nublin, apanhadores de algodão. A sua mãe tornou-se pastora evangélica, cantando e tocando para a sua congregação. É através da sua mãe e pela sua mão que a pequena Rosetta Nublin faz a sua primeira atuação aos 4 anos, acompanhada pela guitarra, cantou o conhecido tema gospel Jesus is on the mainline. Aos 6 anos de idade, segue a sua mãe, que abandonou o seu pai e migrou para norte.


Você sabia que foi uma mulher negra que criou "Rock N'Roll"?
Você sabia que foi uma mulher negra que criou “Rock N’Roll”?

Durante a juventude com a sua mãe, fez digressões em circuitos evangélicos. Influenciada pelo seu meio e pela energia de Chicago, uma cidade que fervilhava a Blues e Jazz, a jovem Rosetta misturava o Gospel com os ritmos seculares, o que, juntamente com o seu engenho com a guitarra, tornaram-na bastante popular. A forma como tocava transpirava Blues e impressionou muitos. Rosetta era também uma das poucas mulheres negras a tocarem guitarra na década de 20 do século passado.

Casou-se com Thomas A. Thorpe, um pastor evangélico abusivo e controlador que se aproveitara do talento e da popularidade de Rosetta. Decide divorciar-se, mantendo o nome do ex-marido, mas alterando a grafia para Tharpe, nome pelo qual ficou conhecida. Muda-se para Nova Iorque com a mãe, onde conquistou o sucesso e atuou no prestigiado Cotton Club, ao lado de Cab Calloway, para um público mais mundano. O que gerou polêmica junto do seu fiel público-base.
tumblr_ny27ry0Qn71qzs5cgo1_1280
Faz história, quando, em 1938, se torna na primeira cantora gospel a assinar por uma grande discográfica, a Decca Records. Um contrato controverso, pois impunha que Rosetta cantasse tudo o que o seu manager propunha. Os temas Rock Me e The lonesome Road conquistam as tabelas Pop em Outubro do mesmo ano. A irmã Rosetta era uma superestrela. Apesar do mal estar entre a comunidade gospel causado por músicas como Tall Skinny Papa, ninguém conseguia ficar indiferente ao seu estilo particular.

Durante os anos que se seguiram, somou sucessos. Todos queriam ver e ouvir a prodigiosa irmã, percorreu os Estados Unidos da América, encheu salas de espetáculos, é uma das poucas vozes femininas negras a animar os soldados norte americanos, durante a guerra. Grava Down by the Riverside e Strange Things Happening Every Day, num período onde a segregação era a norma, denotam que as normas são algo que Rosetta nasceu para quebrar e foi assim que foi a sua vida.
944722_10151724910176654_1189329790_n
Depois de um segundo casamento falhado, é ao lado de Marie Knight que grava Up Above My Head, uma música sublime. Pouco se sabe sobre esta parceria que terminou abruptamente, após uma tragédia familiar ocorrida com Marie. Rosetta continua a sua carreira e, em 1951, a todos surpreende, quando é anunciado o seu casamento, o terceiro, com Russel Morrison, oficializado no estádio Griffith, em Washington D.C, perante uma audiência de vinte e cinco mil pessoas. Morrisson, seu marido e agente, acompanha-a até ao fim dos seus dias.

É com o aparecimento de jovens vindos do delta do Mississippi que surge o Rock n’ Roll e Elvis é coroado como rei do novo gênero musical. Rosetta, a mulher que vinte anos antes começou a fazer estes ritmos mantem-se fiel a si, mas a sua popularidade e o seu brilho ofuscam-se pelos novos artistas.

Até que um dia recebe uma chamada de Chris Barber, que a convida a embarcar numa nova digressão, desta vez, no Reino Unido. Para um público que nunca tinha visto ao vivo, uma verdadeira artista Gospel como Rosetta aparece como algo do outro mundo. Era diferente, cativante, fervilhava energia e alma. Ela e a guitarra eram apenas uma. A atuação de 1964 em Manchester, gravada num dia frio e chuvoso na estação de comboios, é a prova disso.

A irmã Rosetta estava de regresso e conquista o público europeu. Em 1968, Katie Bell falece e esta perda marcou bastante a cantora. Após este acontecimento e depois de ter sido diagnosticada com diabetes, Rosetta Tharpe atua pela última vez em Copenhagem, em 1970. Mais tarde, teve que amputar uma perna e, em 1973, abandona este mundo.

Rosetta Tharpe é uma inspiração para Etta Jones, Johnny Cash, Little Richard, entre outros. O seu legado é enorme, marcou a história da música, marcou gerações e apaixona todos aqueles que a ouvem, isto derivado à alma que possuía, à sua energia e poder.

Em 2004, Down by the Riverside entra para a National Recording Registry, da biblioteca do congresso norteamericano. Em 2007, entra para o Blues Hall of Fame e, em 2008, o governador Edward Rendell declara o dia 11 de Janeiro o dia da Sister Rosetta Tharpe, no estado da Pensilvânia. No seu discurso, destacou a lendária cantora, a pioneira que levou o Gospel para a cena mainstream.
A força da natureza como foi apelidada por Bob Dylan continua viva entre todos aqueles que a seguiram e na sua discografia.
Veja também no link:
http://pensadoranonimo.com.br/voce-sabia-que-foi-uma-mulher-negra-que-criou-rock-n-roll/