Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de maio de 2022

Mãe é quem fica(Cora Coralina)

 Cora Coralina 


 Mãe é quem fica. 

 Depois que todos vão. 

 Depois que a luz apaga. 

 Depois que todos dormem. 

 Mãe fica.


Às vezes não fica em presença física. 

Mas mãe sempre fica. 

Uma vez que você tenha um filho, nunca mais seu coração estará inteiramente onde você estiver. 

Uma parte sempre fica.


Fica neles. 

Se eles comeram. 

Se dormiram na hora certa. 

Se brincaram como deveriam. 

Se a professora da escola é gentil. 

Se o amiguinho parou de bater. 

Se o pai lembrou de dar o remédio.

Mãe fica. 


Fica entalada no escorregador do espaço kids, pra brincar com a cria. Fica espremida no canto da cama de madrugada pra se certificar que a tosse melhorou. 

Fica com o resto da comida do filho, pra não perder mais tempo cozinhando.


É quando a gente fica que nasce a mãe. 

Na presença inteira. 

No olhar atento. 

Nos braços que embalam. 

No colo que acolhe.


Mãe é quem fica. 

Quando o chão some sob os pés. 

Quando todo mundo vai embora. 

Quando as certezas se desfazem.

Mãe fica.


Mãe é a teimosia do amor, que insiste em permanecer e ocupar todos os cantos. 

É caminho de cura. 

Nada jamais será mais transformador do que amar um filho. 

E nada jamais será mais fortalecedor que ser amado por uma mãe.


É porque a mãe fica, que o filho vai. 

E no filho que vai, sempre fica um pouco da mãe: 

Em um jeito peculiar de dobrar as roupas. 

Na mania de empilhar a louça só do lado esquerdo da pia. 

No hábito de sempre avisar que está entrando no banho. 

Na compaixão pelos outros. 

No olhar sensivel.

Na força pra lutar.


No coração do filho, mãe fica.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

A VIDA..De Mário Quintana

 


                  A VIDA


"Depois de muitas quedas, eu descobri que, às vezes, quando tudo dá errado, acontecem coisas tão maravilhosas que jamais teriam acontecido se tudo tivesse dado certo. 

Eu percebi que quando me amei de verdade pude compreender que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa.

Então pude relaxar... pude perceber que o sofrimento emocional é um sinal de que estou indo contra a minha verdade.

Parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.

Desisti de querer ter sempre razão e com isso errei muito menos vezes.

Desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Isso me mantém no presente, que é onde a vida acontece.

Descobri que na vida a gente tem mais é que se jogar, porque os tombos são inevitáveis.

Percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração,  ela se torna uma grande e valiosa aliada.

Também percebi que sem amor, sem carinho e sem verdadeiros amigos a vida é vazia e se torna amarga.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,  apesar de todos os desafios,  incompreensões e períodos de crise. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

            Mário Quintana

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

A MENINA FEIA DA PONTE (Marco Vieira)

 A MENINA FEIA DA PONTE


Aninha nasceu no século 19, numa cidadezinha do interior de Goiás, e desde pequena sempre ouvia das outras pessoas que ela era feia, desengonçada, e fraquinha. De tanto ouvir isso, ela mesmo passou a se apresentar assim; “eu sou a menina feia da Ponte da Lapa, eu sou a Aninha”. Anos depois, descrevia sua infância deste jeito; “cresci filha sem pai, secundária na turma das irmãs, eu era triste, nervosa e feia. Amarela, de rosto empalamado, de pernas mole, caindo à toa. Os que assim me viam, na Vila Boa de Goiás, me comparavam com minhas três irmãs, todas filhas de dona Jacinta. Diziam que minhas irmãs casariam fácil, já eu, sei não, moça feia não casa fácil”. 


A menina chorava muito e soluçava. A bisavó dela tentava consolar, dizendo que sim, que a Aninha se casaria, pois menina feia vira moça bonita. Aninha nasceu em 20 de agosto de 1889, na antiga Vila Boa de Goiás, que depois passou a se chamar de Goiás Velho. Sua casa ficava em frente a uma ponte. Ela estudou só até o terceiro ano do antigo curso primário, mas era muito inteligente, lia todos os livros que caiam em suas mãos. E era criticada por isso; “mulher ler tanto, para quê”? Escondida, ela começou a escrever poemas, e sabia que era avançada demais para aquele lugar e aquela época, Com 15 anos, ela decidiu que se chamaria Cora, afinal, já haviam muitas Aninhas na cidade, por causa da padroeira do lugar, Santa Ana.


Ela explicou; “fui crescendo e com o tempo, perdi a aparência bisonha, fiquei corada e até achei quem me quisesse. Diziam que moça que lê romances e escreve poesias, não daria boa dona de casa”. Mas encontrou um rapaz, que gostou dela. Um advogado, separado, com quem ela fugiu montada em um cavalo, em 1911, aos 22 anos de idade. A cidade ficou em polvorosa com isso. O casal foi morar no interior de São Paulo, e tiveram seis filhos. Teve muitas dificuldades para criar os filhos, pois ela ficou viúva cedo. Só voltou à cidade natal em 1956, aos 67 anos. Encontrou a velha casa da ponte, e passou a ser doceira. Misturava doces e versos.


Aprendeu a datilografar com 70 anos de idade. E já idosa, começou a publicar as poesias que guardava desde a adolescência. O primeiro livro; “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”, foi publicado quando ela tinha 75 anos. Foi descoberta pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, e foi ele quem apresentou Cora Coralina para o Brasil todo. Mesmo publicando livros, ela nunca deixou de ser doceira, e dizia; “Meus doces podem comprar, os livros podem deixar. Porque os doces se estragam, os livros não”. Ela morreu com 95 anos, e sua casa virou museu, para preservar o lugar onde morou uma das melhores poetisas brasileiras. Ela, que um dia foi Aninha, a menina feia da ponte, mas que nunca desistiu. E ela explicou o motivo assim:


“É que tem mais chão nos meus olhos, do que cansaço nas minhas pernas. Mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros. Mais estrada no meu coração, do que medo na minha cabeça”.


Marco Vieira

Um pouquinho de Cora Coralina.

sábado, 4 de abril de 2020

Fernando Pessoa

*****_Fernando Pessoa_*****

Fernando António Nogueira Pessoa foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor,
publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português.
Fernando Pessoa é o mais universal poeta português.

*É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões.*

Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade
com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma.

Enquanto poeta, *escreveu sob diversas personalidades – heterónimos,* como Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo de Castro e Alberto Caeiro, sendo estes últimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra

*Nascimento:* 13 de junho de 1888, Lisboa, Portugal
*Falecimento:* 30 de novembro de 1935, Lisboa, Portugal

_*PARTE 1*_  -  4 Textos da obra «Mensagem» de Fernando Pessoa
Mar Português - Segunda de Três Partes da obra

_*I. O INFANTE*_

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te portuguez..
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

_*III. PADRÃO*_

O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador,
Deixei Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.

A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus

Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.

E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,

Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.

E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.

_*X. Mar Português*_

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena?
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

_*XII. PRECE*_

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!

Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.

O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —

Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância —
Do mar ou outra, mas que seja nossa!


*- E para encerrar* este pequeno extrato sobre Fernando Pessoa, seu Poema "Auto Psicografia".
 

_*Autopsicografia*_
       _*na íntegra*_

O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

    *Fernando Pessoa*

sexta-feira, 13 de março de 2020

Chapéu violeta(Mário Quintana)

Chapéu violeta

AOS 3 ANOS: ELA OLHA PRA SI MESMA E VÊ UMA RAINHA.

AOS 8 ANOS: ELA OLHA PRA SI E VÊ CINDERELA.

AOS 15 ANOS: ELA OLHA E VÊ UMA FREIRA HORROROSA.

AOS 20 ANOS: ELA OLHA E SE VÊ MUITO GORDA, MUITO MAGRA, MUITO ALTA, MUITO BAIXA, MUITO LISO, MUITO ENCARACOLADO, DECIDE SAIR MAS... VAI SOFRENDO...

AOS 30 : ELA OLHA PRA SI MESMA E VÊ MUITO GORDA/ MUITO MAGRA, MUITO ALTA/ MUITO BAIXA, MUITO LISO/ MUITO ENCARACOLADO, MAS DECIDE QUE AGORA NÃO TEM TEMPO PRA CONSERTAR ENTÃO VAI SAIR ASSIM MESMO... .

AOS 40 : ELA SE OLHA.... VÊ MUITO GORDA, MUITO MAGRA, MUITO ALTA, MUITO BAIXA, MUITO LISO, MUITO ENCARACOLADO, MAS DIZ: PELO MENOS EU SOU UMA BOA PESSOA... E SAI MESMO ASSIM...

AOS 50 ANOS: ELA OLHA PRA SI MESMA E SE VÊ COMO É...SAI E VAI PRA ONDE ELA BEM ENTENDER... .

AOS 60 ANOS: ELA SE OLHA E LEMBRA DE TODAS AS PESSOAS QUE NÃO PODEM MAIS SE OLHAR NO ESPELHO...SAI DE CASA E CONQUISTA O MUNDO...

AOS 70 ANOS: ELA OLHA PRA SI E VÊ SABEDORIA, RISOS, HABILIDADES, SAI PARA O MUNDO E APROVEITA A VIDA...

AOS 80 ANOS: ELA NÃO SE INCOMODA MAIS EM SE OLHAR... PÕE SIMPLESMENTE UM CHAPÉU VIOLETA E VAI SE DIVERTIR COM O MUNDO... .

 TALVEZ DEVÊSSEMOS POR AQUELE CHAPÉU VIOLETA MAIS CEDO...
(Mário Quintana)