terça-feira, 9 de junho de 2020

Lui Chapéu


Desafio de estática



A tensão na corda é constante ao longo de toda a corda. Ao calcular a resultante das forças na parte superior, aparece um pequena força empurrando o palito para baixo. A reação desta força multiplicado pela distância do palito até a borda da mesa é superior ao momento causado pelo peso da garrafa, pois o braço de alavanca onde concentra -se o peso da garrafa é praticamente nulo. Observe que a extremidade do palito está afastada da borda da mesa, gerando um braço de alavanca.

Bancos: fundo do poço foi em abril, mas cenário ainda traz riscos(Valor, 9 6 2020)

Para grandes bancos, fundo do poço foi em abril, mas cenário ainda traz riscos

Terça-feira, 9 de Junho de 2020 
Indicadores preliminares de maio e junho sinalizam que o fundo do poço para a economia brasileira foi em abril, mas a principal incógnita para as projeções ainda diz respeito à evolução doméstica da pandemia, afirmam os economistas-chefes dos três maiores bancos privados do país.

“Abril foi o fundo do poço e ele foi bem profundo. Agora, começamos a ver sinais de recuperação, embora a gente tenha dificuldade de interpretar a dicotomia entre a evolução da doença e o impacto sobre a atividade”, disse Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander Brasil. Ana Paula, Fernando Honorato, do Bradesco, e Mario Mesquita, do Itaú Unibanco, participaram ontem de debate virtual promovido pelo Insper, com mediação do presidente da instituição, Marcos Lisboa.

Embora o impacto da pandemia já tenha se mostrado brutal na atividade, Honorato pondera que ele pode ter sido “um pouco mais raso” do que o estimado inicialmente. “A queda da indústria foi monumental, só que a gente projetava 30% e está caindo 20%”, exemplificou, referindo-se aos dados da produção industrial em abril.

Na ausência, até o momento, de um remédio eficaz para a covid-19, porém, o comportamento dos consumidores é outro gatilho de incerteza, segundo Honorato. “A grande incógnita é o controle da pandemia. Não dá para pensar em recuperação forte da economia com essa dúvida”, disse Mario Mesquita, do Itaú.

Outro fator determinante para a retomada é o comprometimento dos governantes no âmbito fiscal, já que o país precisa ampliar gastos na esteira de déficits primários consecutivos e com uma relação dívida/PIB que deve rondar 100% no próximo ano.

Para endereçar a questão, “não tem bala de prata”, disse Ana Paula, que citou a importância do teto de gastos e de um conjunto crível de medidas. “Não tem atalho nem saída fácil, não vai ser reserva [cambial], não vai ser monetização pelo Banco Central. Não teremos como evitar a guerra pesada contra despesas”, afirmou Mesquita.

Honorato avalia que seria possível “aproveitar ” o momento para “repactuar desigualdades”, como no sistema tributário, no acesso a serviços básicos (como saneamento) e na estrutura administrativa. “Se nós não fizermos isso, as taxas de juros não vão ficar baixas por período prolongado e a recuperação da economia estará sob risco.”

Toureiros na Colômbia


Lições da Heineken


segunda-feira, 8 de junho de 2020

As grandes crises aceleram a história(L C Trabuco, Estado, 8 6 2020)



As grandes crises aceleram a história


Segunda-feira, 8 de Junho de 2020 
LUIZ CARLOS TRABUCO CAPPI
De uma coisa já se pode ter certeza neste momento tão marcado pelas dúvidas e pela angústia: passada ou amenizada a pandemia da covid-19, o mundo não será mais aquele que conhecemos até recentemente.

Muita coisa já está mudando ou vai mudar, e em praticamente todos os terrenos da atividade humana. Na economia, na pesquisa científica, nas relações interpessoais, nas formas de comunicação, na educação, na avaliação dos governos, nas prioridades sociais.

É bastante provável que alguma coisa mude também no campo dos valores, isto é, naqueles princípios que as pessoas elegem como bons e necessários para a condução da vida.

Grandes crises, como se sabe, têm o predicado de acelerar a história, e com esta não será diferente.

O momento, portanto, é oportuno para que iniciemos um debate sobre as lições que a pandemia nos trouxe e sobre o que devemos esperar dessa nova fase histórica. Como corrigir erros antigos e nos adaptar com eficiência a esse novo tempo. Como aproveitar as alternativas positivas para melhorar a qualidade de vida, os laços familiares, a coesão social e fortalecer nossas instituições para que possamos enfrentar os novos desafios?

É uma discussão necessária, pois teremos de escolher novos caminhos, e em breve.

Não devemos perder tempo.

Começo com este texto uma contribuição periódica com o Estadão. Trata-se de uma satisfação e um privilégio pelos quais desde já agradeço.

A crise provocada por um vírus até então desconhecido pelos pesquisadores, e para o qual ainda se busca um tratamento eficaz, foi inesperada, veloz em sua expansão, e de abrangência global. Do ponto de vista da saúde, não sabemos ainda como ela vai progredir, pois mesmo os países que já obtiveram algum sucesso nas medidas de isolamento social temem uma segunda ou terceira onda de contágio.

Este é o aspecto mais dramático da pandemia, mas há outras consequências importantes, e entre elas o problema econômico.

Aqui também temos de lidar com estimativas e avaliações preliminares, mas elas nos dão uma ideia dos desafios que teremos de enfrentar.

Instituições, analistas e entidades preveem quedas históricas para o Produto Interno Bruto (PIB), só comparáveis ou até superiores à da Grande Depressão dos anos 1930.

Há preocupações correlatas, como o aumento do desemprego, o agravamento do protecionismo, a redução do comércio entre os países e a queda do investimento estrangeiro.

No Brasil, estima-se uma queda desoladora do PIB em 2020.

O impacto no emprego já se vê. Somente em abril, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a perda de empregos formais alcançou 860 mil vagas.

Para o setor público, o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, estima déficit primário de RS$ 700 bilhões em 2020. Lembremos que no início do ano o déficit previsto era de R$ 124 bilhões.

O caso é que crises como esta já ocorreram no século 20, foram superadas e delas resultaram coisas boas.

Foi assim na Grande Depressão americana, que se estendeu por boa parte da década de 1930.

A própria reconstrução dos países europeus após a Segunda Guerra Mundial nos dá outro exemplo. Mesmo num momento tão desafiador como o atual, o Brasil está encontrando suas soluções. Nosso sistema político, apesar de todas as fricções e tensões, confirma-se robusto o suficiente para dar respostas rápidas às necessidades sociais dessa emergência.

O nosso Estado democrático é uma âncora fundamental para o desenvolvimento econômico, a estabilidade macroeconômica e a confiança dos investi- dores estrangeiros.

O isolamento fez com que praticamente a totalidade das empresas tivesse de se reinventar ou rever as suas táticas e estratégias. Há muitos relatos de ganhos de produtividade nos mais diferentes setores.

Os canais digitais se consolidam como pontes abertas para o futuro. As compras pela internet avançam no comércio em alta velocidade. Os clientes dos bancos incrementam seu relacionamento pelos canais digitais.

O home office, a educação a distância e as teleconferências, como se vê, vieram para ficar.

Esse já é o novo mundo.

Ganhos de eficiência em todas as atividades serão o caminho para se alcançar a porta de saída da crise. Quanto mais as pessoas e as companhias firmarem compromisso com o fazer melhor, e com empatia ao próximo, estaremos mais bem posicionados para os espaços que serão reabertos na tão desejada volta, em segurança, da economia.

PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO BRADESCO.

ESCREVE A CADA TRÊS SEMANAS