sábado, 8 de janeiro de 2022

Países miseráveis ou destroçados por guerras “viraram” o ensino(Veja, 7 1 22)

 VILMA GRYZINSKI - A ESPERANÇA DE REDENÇÃO

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022


Revista Veja  | Colunistas   |   VILMA GRYZINSKI

Países miseráveis ou destroçados por guerras “viraram” o ensino





Você está preparado para as platitudes que os candidatos vão falar sobre educação, se se derem ao trabalho, lá pelo fim dos discursos que desafiarão nossas paciências neste ano? Um bom treinamento pré-eleitoral para os brasileiros com senso de honra pode ser colocar como tela de fundo de seus celulares os resultados do PISA, a pesquisa sobre educação feita pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Em termos educacionais, o 662 lugar do Brasil, num total de 77 países, é o equivalente à “fila dos ossos”, o colar de humanos desvalidos à espera de restos de açougue que aflorou em cidades brasileiras. A classificação é de 2018 — o PISA 2021 foi postergado por causa da pandemia. Nos cinco lugares acima do Brasil estão Peru, Bósnia, Azerbaijão, Cazaquistão e Colômbia. Para não nos desesperarmos, e buscarmos lições valiosas, é bom olhar também para vários dos melhores classificados e lembrar que já foram países miseráveis, subdesenvolvidos, destroçados por guerras ou esmagadoramente analfabetos — quando não tudo isso junto.





Singapura, que aparece ora em primeiro, ora em segundo lugar nos indicadores mundiais de educação, era um dos lugares mais atrasados do mundo e, apesar da localização estratégica como porto e entreposto comercial, desmerecido até pelos colonizadores ingleses. Gradualmente povoada por agricultores chineses trazidos para trabalhar no cultivo da pimenta-do-reino, tinha o potencial de conflito com a população original, de etnia malaia, e recursos zero em um território equivalente à metade da cidade de São Paulo. Criou um sistema educacional tão sofisticado, com um currículo voltado para a matemática e a ciência, que professores de ensino médio ganham o equivalente a 90 000 dólares por ano — isso depois de passar por um concurso disputadíssimo, reflexo da valorização reservada aos educadores, típica das sociedades asiáticas influenciadas pelo pensamento confuciano, onde os detentores do saber ocupam o topo da escala social. A Coreia do Sul é outro país asiático que deu um salto inacreditável, indo da ocupação japonesa e de uma devastadora guerra desfechada pelos comunistas do norte para mais de 70% da população entre 25 e 34 anos com educação superior.





Desde 1990, o orçamento para a educação quintuplicou, mas corresponde a apenas 3,4% do PIB — no Brasil, são 6%. O incentivo familiar é tão competitivo que o governo proibiu aulas particulares depois das 10 da noite. Fora da esfera asiática, há fenômenos como a Estônia, um país báltico de 1,3 milhão de habitantes — pouco menos que o número de militares russos, cuja invasão os estonianos passam o tempo todo temendo —, que ficou em quinto lugar no PISA. A Polônia, em 11º — uma posição à frente do Reino Unido, o país onde mais de 1,5 milhão de poloneses foram procurar trabalho depois da era soviética. Aos que os menosprezavam como incultos, podem exibir com orgulho o salto educacional que deram. Devido às diferenças históricas e culturais, muitas experiências dos que “viraram” as condições de ensino são intransferíveis, mas isso não elimina a pergunta principal: se países que vieram de condições tão desfavoráveis conseguiram, por que não conseguiremos também? Ou nos resignamos a deixar nossas crianças e nossos jovens eternamente na fila dos ossos? 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Por que não é viável, sustentável ou necessário vacinar toda população mundial a cada 6 meses(BBC, 5 1 22)

 Por que não é viável, sustentável ou necessário vacinar toda população mundial a cada 6 meses

Lauren Turner

Da BBC News

5 janeiro 2022

Vacinar todas as pessoas no planeta contra a covid-19 regularmente não é viável, sustentável ou necessário, segundo o especialista Andrew Pollard, que ajudou a desenvolver a vacina Oxford-AstraZeneca.


Ele defende que as pessoas mais vulneráveis devem ser identificadas e priorizadas.


O professor Pollard, diretor do Oxford Vaccine Group, disse ao programa de rádio Today, da BBC: "Não é realmente viável, sustentável ou provavelmente mesmo necessário vacinar todas as pessoas do planeta a cada quatro ou seis meses".



"Nós nem mesmo conseguimos vacinar todos na África com uma dose, então certamente não vamos chegar a um ponto em que a quarta dose para todos seja viável."


Ele disse que o Reino Unido, que atualmente está fazendo uma campanha para vacinar sua população com a terceira dose, pode ficar bem se as novas variantes continuarem provocando doenças mais brandas, como foi o caso da ômicron.



"Poderemos vir a precisar de reforços para os vulneráveis da população, mas acho altamente improvável que tenhamos programas em andamento regularmente para estimular todos com mais de 12 anos de idade", acrescentou.


Pollard disse que aqueles que precisam de mais reforços provavelmente são adultos mais velhos ou pessoas com problemas de saúde.


"Haverá novas variantes após a ômicron", acrescentou. "Ainda não sabemos como elas irão se comportar — e isso pode mudar completamente a visão sobre o que é a coisa certa a fazer."


Pollard é presidente do Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização (JCVI, na sigla em inglês), que assessora o governo sobre vacinas, mas não tem envolvimento na tomada de decisões sobre as vacinas no Reino Unido.


A ministra de Vacinas e Saúde Pública, Maggie Throup, disse à BBC que o governo seguiria o conselho da JCVI sobre a necessidade ou não de haver um programa de quarta dose da vacina contra covid.


Ela disse que é importante que as pessoas recebam a terceira dose agora — ou a primeira ou a segunda dose no caso dos ainda não vacinados.


Otimismo cauteloso



O especialista em doenças infecciosas Neil Ferguson disse estar "cautelosamente otimista" com o fato de os casos de covid estarem começando a se estabilizar em Londres na faixa etária de 18 a 50 anos, que tem visto números especialmente altos.


O epidemiologista disse que o número de casos deve começar a cair na próxima semana na capital inglesa, e em outras regiões de uma a três semanas.


Ele também disse os números atuais não refletem com precisão o quadro verdadeiro da doença — que provavelmente é pior do que se imagina. Isso acontece porque não houve kits de teste suficientes para todo mundo durante o feriado de Natal.


Além disso, as reinfecções não estão sendo contadas nos números oficiais — cerca de 10% a 15% dos casos de ômicron são reinfecções, segundo ele.


Mas é muito cedo para se prever o que acontecerá nos próximos dias, especialmente por causa da volta às salas de aula esta semana no país, depois do feriado de fim de ano.


Sindicatos de professores dizem que é provável que alguns alunos sejam mandados para casa para fazer aulas remotas, prevendo ausências de professores que estejam contaminados. O ensino presencial continuará a ser a norma, afirma o secretário de Educação da Inglaterra, Nadhim Zahawi.


O professor Ferguson disse que é provável que haja "níveis bastante altos de infecção" em crianças em idade escolar — embora com doença leve.


O fato de a ômicron ser menos grave do que as variantes anteriores é uma "boa notícia" e as vacinas estão "resistindo bem a doenças graves", acrescentou.


Mas "isso não significa que não serão, como disse o primeiro-ministro, algumas semanas difíceis para o NHS (sistema de saúde britânico)".

Analistas veem fracasso neoliberal e retorno ao passado em série de artigos(FSP, 7 1 22)


 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Três perguntas para Niall Ferguson(Revista Poder,| Coluna da Joyce, 5 1 22)

 3 PERGUNTAS PARA... NIALL FERGUSON, professor da Universidade de Harvard e um dos mais renomados historiadores da atualidade. Autor do recém-lançado Catástrofe (ed. Crítica)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022 


Revista Poder  | Coluna da Joyce   |   JOYCE PASCOWITCH, COM DADO ABREU

POR QUE ALCANÇAMOS TANTOS AVANÇOS NA CIÊNCIA, COMO A PRODUÇÃO DE VACINAS EM TEMPO RECORDE, MAS NÃO EVOLUÍMOS COMO SOCIEDADE? Nosso conhecimento científico, sem dúvida, não tem precedentes na história humana. Contudo, você pode ter os avanços científicos mais sofisticados, com Ph.Ds. conduzindo trabalhos multidisciplinares, mas se a população permanecer analfabeta, do ponto de vista científico, e suscetível ao pensamento mágico das redes sociais e teorias da conspiração, os avanços não terão aceitação pública. E é por isso que as vacinas, que têm alta eficácia e risco baixíssimo, foram rejeitadas por, pelo menos, 1/5 dos americanos. Uma segunda resposta é sobre as estruturas burocráticas que proliferam no mundo desde 1970. O estado administrativo produz planos para desastres, mas que se desintegram com o contato com a crise real. Essa combinação explica por que nosso vasto conhecimento não pode ser traduzido em respostas eficazes aos desastres quando eles acontecem. Não se trata apenas de compreender um novo patógeno, é sobre ter uma estratégia bem preparada para detectá-lo. Taiwan e Coréia do Sul mostraram que isso poderia ser feito. Os EUA e a maior parte da América Latina se saíram muito pior. Todos nós tivemos acesso à mesma ciência.





NESTE SENTIDO, COMO TORNAR AS REDES SOCIAIS MENOS PERIGOSAS? Disjuntores. Você precisa ser capaz de isolar as fontes de contágio e excluí-las temporariamente da rede. Uma sociedade hiperconectada é altamente vulnerável ao contágio, e não apenas com os vídeos de gatos que se tornam virais - esse foi o argumento de A Praça e a Torre: Redes, Hierarquias e a Luta pelo Poder Global (ed. Crítica). Acho que agora isso é óbvio para todos. Com a ciência em rede, podemos entender melhor como limitar a propagação de uma pandemia e de uma “infodemia”, porque podemos identificar quem são os propagadores.





O PRÓXIMO DESASTRE PODE SER AMBIENTAL? SOMOS RELUTANTES EM ACEITAR ISSO? Acho que reconhecemos desastres reais, incluindo a possibilidade de mudanças climáticas severas. Na verdade, somos ruins em fazer algo para evitá-los. Se o movimento verde realmente se importasse com as mudanças climáticas, adotaria a energia nuclear e o gás natural como uma tecnologia de transição, enquanto as energias renováveis se tornam mais eficientes.


domingo, 2 de janeiro de 2022

A opção pelo hidrogênio verde(Celso Ming, Estado, 2 1 22)

 A opção pelo hidrogênio verde

domingo, 2 de janeiro de 2022 


O Estado de S. Paulo  | Economia   |   Celso Ming

A Conferência do Clima da ONU (COP-26), que se realizou na primeira semana de novembro na Escócia, depositou grandes esperanças no hidrogênio verde, o combustível que poderia, em princípio, apressar a substituição dos produtos de origem fóssil.


Mas falta muito para garantir que seja o caminho a ser trilhado na peripécia da descarbonização do planeta. Este é um tema que esta Coluna já tratou no dia 29 de julho de 2021 (A vez do hidrogênio verde), mas, dado o protagonismo esperado pelos ambientalistas, é preciso avaliar melhor do que se trata.


As principais fontes de energia renovável, como a eólica e a solar (exceção feita à energia nuclear, que enfrenta outros problemas), têm duas importantes limitações: são intermitentes e, em grande escala, não podem ser armazenadas. Quando há pouco vento, como em 2021 na Europa, ou pouco sol, a produção de energia elétrica por essas fontes é baixa. É o fator que compromete sua confiabilidade. Uma vez gerada, tem de ser imediatamente transmitida e consumida. É o que tentou explicar a então presidente Dilma quando disse que não dá para estocar vento. Nisso, a geração hidrelétrica tem uma vantagem porque sempre se pode estocar água nos reservatórios. Mas também depende das chuvas.


O hidrogênio é poderosa fonte de energia. É o principal combustível dos foguetes espaciais. Mas tem de ser obtido por hidrólise da água, que é a quebra da molécula H2O submetida a uma corrente elétrica. Pode parecer inviável usar volumes colossais de eletricidade para produzir energia elétrica. No entanto, o processo tenta superar o problema da intermitência da energia renovável. A proposta é usar a energia eólica e solar (enquanto houver vento e sol) para a eletrólise, que, por sua vez, vai produzir hidrogênio verde, este, sim, armazenável.


Mas, atenção, armazenável em termos. O hidrogênio é altamente inflamável. Foi o combustível que pegou fogo em um dos mais impressionantes desastres da história, a destruição do dirigível Hindenburg, em 1937, quando morreram 37 pessoas, em New Jersey. Foi o fim da Companhia Zeppelin.


Ainda não foi desenvolvido um sistema altamente seguro e economicamente viável de transporte e armazenamento. Quando isso acontecer, o hidrogênio poderá substituir o carvão mineral e o óleo combustível em atividades intensivas em carbono.


Com alto potencial de energia eólica e solar, o Brasil é forte candidato a ser produtor e exportador de hidrogênio verde e segue tentando. Recente regulamentação da Aneel deu aval para o funcionamento de usinas híbridas, o que tende a tomar as energias renováveis mais competitivas e, consequentemente, ajudar na produção do hidrogênio verde, que já conta com planta em instalação no País, no Porto do Pecém (Ceará).


A opção pelo hidrogênio verde só enfrenta um adversário potencial: o de que se encontre um meio de produzir baterias baratas capazes de armazenar energia elétrica em grande escala. ?

sábado, 1 de janeiro de 2022

a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada

 Como nos disse a saudosa Lya Luft: "a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada".

Por isso...

Encerre os ciclos, retire os lixos, vire a página (ou troque de livro), tome boas decisões, abandone maus hábitos, ressignifique momentos, abra a mente e o coração pra receber o novo em sua vida. Novo ano: novas oportunidades, novas chances de crescimento e recomeços. Novas Esperanças! 


Feliz 2022 !