quinta-feira, 11 de junho de 2020
Lennon, Chuck Berry e Yoko Ono
3 Lendas- John Lennon - Chuck Berry - O engenheiro de som que cortou o microfone de Yoko Ono
quarta-feira, 10 de junho de 2020
Competitividade nos investimentos na indústria do Petróleo
10/06/2020 11:15:16 - EMPRESAS E SETORES
DECIO ODDONE: É PRECISO PRESERVAR A COMPETITIVIDADE DOS INVESTIMENTOS EM PETRÓLEO E GÁS
O mercado de petróleo voltou a surpreender. O preço do WTI americano, que chegou a ser negativo em abril, retornou à casa dos US$ 30 por barril. O do Brent, referência internacional, superou os US$ 40. A queda nos preços, que havia ocorrido depois que a guerra de mercado entre a Arábia Saudita e a Rússia e a Covid-19 causaram a maior destruição de demanda da história, levou as empresas a reduzirem custos e a cortarem investimentos, o que passou a ameaçar a aprovação de novos projetos, especialmente os que demandam longo prazo de maturação, como os de produção em águas profundas.
Enquanto a maioria das previsões indicava que a diminuição no consumo iria dominar o cenário pelos próximos meses e que o petróleo demoraria para voltar à casa dos US$ 40 por barril, a recuperação surpreendeu. A queda na oferta e a reabertura da economia em vários países foram responsáveis por esse movimento. Entretanto, a demanda ainda deve seguir pressionada, o que deve dificultar uma recuperação maior dos preços no curto prazo.
Embora a retomada parcial dos mercados possa afastar as previsões mais pessimistas, impactos do coronavírus vão perdurar. Mudanças de comportamento, aumento do trabalho remoto, restrições a viagens e a grandes eventos, opções por transportes individuais e várias outras consequências da pandemia influenciarão o consumo futuro de petróleo e gás natural. Alguns países passarão a incentivar de forma mais efetiva a descarbonização da matriz energética. Outros buscarão acelerar a atração dos recursos necessários para financiar projetos bilionários nos setores de petróleo e gás natural. Afinal, como a transição energética pode vir a caminhar a passos mais largos, é recomendável antecipar a extração.
A aprovação de um projeto, no entanto, não depende somente da sua rentabilidade, fruto direto dos preços futuros, que são influenciados pela expectativa de demanda. É consequência também da atratividade relativa dessa iniciativa dentro do portfólio global da companhia responsável por ela.
Um investimento pode ser bom isoladamente, mas não prioritário, se houver opções melhores. Dessa forma, por não ser competitivo dentro da sua própria empresa, um ótimo projeto pode jamais ser sancionado. Por isso, as condições de competição relativa entre os países também serão importantes para definir a aprovação de investimentos.
Depois da revolução do shale ter permitido a exploração de recursos não convencionais e de avanços tecnológicos terem possibilitado a extração em áreas de fronteira, o petróleo deixou de ser um bem escasso.
O consumo de hidrocarbonetos pode desacelerar nas próximas décadas, mas não vai desaparecer. Decisões políticas e inovações que provoquem efeitos como a redução do custo das baterias ou o aumento da velocidade de carregamento dos carros elétricos podem acelerar a eletrificação no setor de transporte e a transição energética, antecipando o pico de demanda por petróleo. Embora não haja consenso sobre quando isso deve ocorrer, poucos consideram que acontecerá depois de 2040. Apesar de novos campos serem necessários para compensar a natural queda de produção nos reservatórios existentes, décadas à frente, quando as fontes renováveis dominarem o ambiente energético, existirão reservas de petróleo que jamais serão extraídas. Assim, os próximos anos serão cruciais na definição dos empreendimentos que vão prosperar no setor de óleo e gás e dos recursos que deixarão de ser explorados.
Dessa maneira, a aprovação de projetos será cada vez mais influenciada pelo ambiente regulatório e tributário nos principais países produtores e consumidores e pela rapidez com que a tecnologia vai transformar o setor energético global.
Embora a recuperação recente do preço do Brent seja uma boa notícia, um sinal mais relevante está na expectativa de preços futuros. A curva vigente em 01 de janeiro trazia valores que começavam em US$ 70, chegariam à casa dos US$ 50 em 2021 e voltariam a US$ 60 em 2029. A curva de 01 de junho partia de US$ 36 para alcançar US$ 50 em 2024 e os mesmos US$ 60 em 2029. Logo, para os projetos de longa maturação a serem aprovados na segunda metade dos anos 2020, caso de muitos dos investimentos programados no Brasil, os impactos da Covid-19 nos preços do petróleo não parecem ser tão relevantes como poderia sugerir uma análise inicial.
No entanto, como não haverá escassez e não se sabe quanto petróleo será demandando no futuro, apenas os empreendimentos mais competitivos continuarão obtendo recursos. Os projetos no Brasil são atraentes e têm elevada produtividade, o que permitiu que a retomada da indústria começasse a tomar forma a partir de 2017. Agora, a crise da Covid-19 traz desafios e dificuldades inesperados. A exemplo de outros países, é hora de continuar trabalhando para manter a competitividade relativa dos investimentos aqui. Essa é a melhor forma de proporcionar as condições para que recursos ainda não aproveitados possam ser transformados em riqueza, arrecadação, emprego e renda.
Décio Fabrício Oddone da Costa é engenheiro. Trabalhou na Petrobras e no setor privado. Foi Diretor-Geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Escreve quinzenalmente para o Broadcast.
Esse artigo representa exclusivamente a visão do autor.
Covid- 19, duro choque para emergentes(Martin Wolf , Valor, 10 6 2020)
Covid- 19, duro choque para emergentes
Quarta-feira, 10 de Junho de 2020
Crise pode ser o início de um período de muitos anos perdidos.
“A covid-19 é o choque mais adverso dos tempos de paz em um século para a economia mundial”. Além disso, esta recessão “é a primeira desde 1870 a ser desencadeada unicamente por uma pandemia”. Ambas as observações fazem parte do excelente relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais” do Banco Mundial. Elas lançam luz sobre a escala dos danos. Nunca foi tão necessária uma reação ambiciosa e colaborativa. Infelizmente, faz muito tempo que essas qualidades estão em falta.
Uma das conclusões importantes do relatório é o grau de incerteza em torno do que temos pela frente. Afinal, estamos num estágio inicial na gestão da doença. Isso é especialmente verdadeiro para países emergentes e em desenvolvimento, onde a covid- 19 ainda está em ascensão. As medidas para contê-la são particularmente difíceis de implementar em vista de tantas pessoas dependerem do trabalho no setor informal e das capacidades limitadas dos governos nas áreas da saúde e fiscal. A única vantagem deles é a relativa juventude de suas populações.
Mas administrar a doença é apenas uma parte do desafio com que se defrontam agora os países emergentes e em desenvolvimento. Muitos deles são altamente vulneráveis a choques econômicos mundiais. E este é de proporções devastadoras.
Eles foram fustigados, em graus variados, por uma queda vertical mundial, acentuadas retrações dos preços das commodities, fugas dos riscos nos mercados financeiros, uma enorme queda das transferências de recursos e das receitas de turismo e um grande recuo do comércio mundial. Muitos têm boa probabilidade de serem obrigados a deixar de honrar seus pagamentos. Além disso, é pouco provável que o impacto sobre suas economias seja breve. Este pode ser o início de um período de muitos anos perdidos, ou de coisa ainda pior, para multidões.
Boa parte depende das consequências econômicas. O banco indica que a faixa de variação das consequências possíveis sobre o crescimento econômico mundial neste ano (a taxas de câmbio de mercado) fique entre -3,7% e -7,8%. Para mercados emergentes e economias em desenvolvimento, fica entre -0,5% e -5%. O banco prevê volta ao crescimento em 2021, de 1,3% a 5,6% no mundo e de entre 2,7% e 6,4% nas economias emergentes e em desenvolvimento. Isso significa que a produção muito provavelmente não se recuperará para os níveis de 2019 antes de 2022 nos países emergentes e em desenvolvimento. Ela não voltará aos níveis indicados por uma continuação do crescimento pré-pandemia antes de anos bem posteriores, se é que voltará algum dia.
Como observa o relatório, “uma grave recessão tem sido associada a perdas da produção altamente persistentes”. Baixos níveis de utilização da capacidade instalada dissuadem os investimentos e deixam um legado de capacidade instalada obsoleta. As expectativas de crescimento futuro fraco desestimulam os investimentos e, em vista disso, se tornam autorrealizadas. Longos períodos de desemprego geram perda de qualificações e podem fazer com que jovens desanimem de procurar emprego. Um número incontável de empresas desaparecerá para sempre.
Além disso, em países emergentes e em desenvolvimento, a crise ameaça instaurar um grave quadro de subfinanciamento de relevantes programas de saúde e de bem-estar social. A perda dos meios de subsistência de muitos pode gerar graves prejuízos de mais longo prazo à saúde e outras consequências malignas para trabalhadores e suas famílias. A educação de muitas crianças pode ficar permanentemente comprometida.
Entre outras importantes ameaças de longo prazo estão reações políticas míopes. Pode ocorrer, como na década de 1930, um permanente movimento de distanciamento da economia de mercado e do comércio internacional. As políticas autodestrutivas da substituição de importações seguidas por muitos países em desenvolvimento após a Segunda Guerra tiveram raízes nas calamidades daquela era. Hoje, é quase universalmente aceito condenar a globalização e a integração internacional das cadeias de suprimentos. Mas, como enfatiza o relatório, ambos se revelaram impulsionadores potentes de desenvolvimento da economia. É bom lembrar que tivemos uma queda extraordinária da proporção de pessoas em condições de pobreza extrema, de 43% em 1980 para 10% em 2015.
Evitar ao mesmo tempo os prejuízos duradouros e os equívocos permanentes é essencial. Mas fornecer assistência adequada hoje também é. Recente apelo de alto nível ao Grupo dos 20 principais países observou que a crise poderá mergulhar 420 milhões de pessoas na pobreza extrema. Além disso, acrescenta, 80% das crianças estão fora da escola.
É necessária uma ajuda maior. O FMI argumentou que os países emergentes e em desenvolvimento precisam de US$ 2,5 trilhões, muito mais do que foi disponibilizado agora. Um alívio adicional ao endividamento é uma necessidade para os países mais pobres e também para os países emergentes sobrecarregados de dívidas. É determinante também ajudar países emergentes e em desenvolvimento a enfrentar aos desafios de saúde com que se defrontam. Para além disso, há a oportunidade de acelerar o movimento de afastamento do mundo de um padrão de atividade econômica intensivo em emissões de carbono. Os resultados, é claro, dependem também das escolhas de política pública feitas pelos próprios dirigentes desses países.
Quando as gerações futuras examinarem esta crise em retrospectiva, será que a encararão como um ponto de inflexão decisivo e, se encararem, qual será a direção desse ponto de inflexão? Será que concluirão que entendemos que uma pandemia é uma crise compartilhada que requer uma resposta eficaz e colaborativa? Ou será que concluirão, em vez disso, que permitimos que a nossa capacidade de cooperação e que o frágil progresso do desenvolvimento econômico definhassem? Não sabemos a resposta delas. Ela depende do que decidirmos agora. Sabemos o que devemos fazer: agir, juntos.(Tradução de Rachel Warszawski )
"O FMI argumentou que países emergentes e em desenvolvimento precisam de US$ 2,5 trilhões, muito mais do que foi disponibilizado. Um alívio adicional ao endividamento é uma necessidade para os países mais pobres e sobrecarregados de dívidas"
Martin Wolf é editor e principal analista econômico do FT
“A covid-19 é o choque mais adverso dos tempos de paz em um século para a economia mundial”. Além disso, esta recessão “é a primeira desde 1870 a ser desencadeada unicamente por uma pandemia”. Ambas as observações fazem parte do excelente relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais” do Banco Mundial. Elas lançam luz sobre a escala dos danos. Nunca foi tão necessária uma reação ambiciosa e colaborativa. Infelizmente, faz muito tempo que essas qualidades estão em falta.
Uma das conclusões importantes do relatório é o grau de incerteza em torno do que temos pela frente. Afinal, estamos num estágio inicial na gestão da doença. Isso é especialmente verdadeiro para países emergentes e em desenvolvimento, onde a covid- 19 ainda está em ascensão. As medidas para contê-la são particularmente difíceis de implementar em vista de tantas pessoas dependerem do trabalho no setor informal e das capacidades limitadas dos governos nas áreas da saúde e fiscal. A única vantagem deles é a relativa juventude de suas populações.
Mas administrar a doença é apenas uma parte do desafio com que se defrontam agora os países emergentes e em desenvolvimento. Muitos deles são altamente vulneráveis a choques econômicos mundiais. E este é de proporções devastadoras.
Eles foram fustigados, em graus variados, por uma queda vertical mundial, acentuadas retrações dos preços das commodities, fugas dos riscos nos mercados financeiros, uma enorme queda das transferências de recursos e das receitas de turismo e um grande recuo do comércio mundial. Muitos têm boa probabilidade de serem obrigados a deixar de honrar seus pagamentos. Além disso, é pouco provável que o impacto sobre suas economias seja breve. Este pode ser o início de um período de muitos anos perdidos, ou de coisa ainda pior, para multidões.
Boa parte depende das consequências econômicas. O banco indica que a faixa de variação das consequências possíveis sobre o crescimento econômico mundial neste ano (a taxas de câmbio de mercado) fique entre -3,7% e -7,8%. Para mercados emergentes e economias em desenvolvimento, fica entre -0,5% e -5%. O banco prevê volta ao crescimento em 2021, de 1,3% a 5,6% no mundo e de entre 2,7% e 6,4% nas economias emergentes e em desenvolvimento. Isso significa que a produção muito provavelmente não se recuperará para os níveis de 2019 antes de 2022 nos países emergentes e em desenvolvimento. Ela não voltará aos níveis indicados por uma continuação do crescimento pré-pandemia antes de anos bem posteriores, se é que voltará algum dia.
Como observa o relatório, “uma grave recessão tem sido associada a perdas da produção altamente persistentes”. Baixos níveis de utilização da capacidade instalada dissuadem os investimentos e deixam um legado de capacidade instalada obsoleta. As expectativas de crescimento futuro fraco desestimulam os investimentos e, em vista disso, se tornam autorrealizadas. Longos períodos de desemprego geram perda de qualificações e podem fazer com que jovens desanimem de procurar emprego. Um número incontável de empresas desaparecerá para sempre.
Além disso, em países emergentes e em desenvolvimento, a crise ameaça instaurar um grave quadro de subfinanciamento de relevantes programas de saúde e de bem-estar social. A perda dos meios de subsistência de muitos pode gerar graves prejuízos de mais longo prazo à saúde e outras consequências malignas para trabalhadores e suas famílias. A educação de muitas crianças pode ficar permanentemente comprometida.
Entre outras importantes ameaças de longo prazo estão reações políticas míopes. Pode ocorrer, como na década de 1930, um permanente movimento de distanciamento da economia de mercado e do comércio internacional. As políticas autodestrutivas da substituição de importações seguidas por muitos países em desenvolvimento após a Segunda Guerra tiveram raízes nas calamidades daquela era. Hoje, é quase universalmente aceito condenar a globalização e a integração internacional das cadeias de suprimentos. Mas, como enfatiza o relatório, ambos se revelaram impulsionadores potentes de desenvolvimento da economia. É bom lembrar que tivemos uma queda extraordinária da proporção de pessoas em condições de pobreza extrema, de 43% em 1980 para 10% em 2015.
Evitar ao mesmo tempo os prejuízos duradouros e os equívocos permanentes é essencial. Mas fornecer assistência adequada hoje também é. Recente apelo de alto nível ao Grupo dos 20 principais países observou que a crise poderá mergulhar 420 milhões de pessoas na pobreza extrema. Além disso, acrescenta, 80% das crianças estão fora da escola.
É necessária uma ajuda maior. O FMI argumentou que os países emergentes e em desenvolvimento precisam de US$ 2,5 trilhões, muito mais do que foi disponibilizado agora. Um alívio adicional ao endividamento é uma necessidade para os países mais pobres e também para os países emergentes sobrecarregados de dívidas. É determinante também ajudar países emergentes e em desenvolvimento a enfrentar aos desafios de saúde com que se defrontam. Para além disso, há a oportunidade de acelerar o movimento de afastamento do mundo de um padrão de atividade econômica intensivo em emissões de carbono. Os resultados, é claro, dependem também das escolhas de política pública feitas pelos próprios dirigentes desses países.
Quando as gerações futuras examinarem esta crise em retrospectiva, será que a encararão como um ponto de inflexão decisivo e, se encararem, qual será a direção desse ponto de inflexão? Será que concluirão que entendemos que uma pandemia é uma crise compartilhada que requer uma resposta eficaz e colaborativa? Ou será que concluirão, em vez disso, que permitimos que a nossa capacidade de cooperação e que o frágil progresso do desenvolvimento econômico definhassem? Não sabemos a resposta delas. Ela depende do que decidirmos agora. Sabemos o que devemos fazer: agir, juntos.(Tradução de Rachel Warszawski )
"O FMI argumentou que países emergentes e em desenvolvimento precisam de US$ 2,5 trilhões, muito mais do que foi disponibilizado. Um alívio adicional ao endividamento é uma necessidade para os países mais pobres e sobrecarregados de dívidas"
Martin Wolf é editor e principal analista econômico do FT
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