quarta-feira, 3 de julho de 2019

Copom usa robôs para melhorar comunicação


Segunda-feira, 17 de Junho de 2019 - 05:15 
Valor Econômico | Brasil 


Alex Ribeiro
O Banco Central explora novas fronteiras na comunicação de política monetária. Uma das áreas de estudo é o uso de inteligência artificial para aperfeiçoar o conteúdo e reduzir ruídos dos comunicados do Comitê de Política Monetária (Copom). Na área de transparência, uma das possibilidades é a transmissão na internet das reuniões feitas pelo BC com o mercado.

Essas iniciativas foram relatadas ao Valor pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em entrevista concedida há duas semanas. São algumas das ideias cogitadas dentro da agenda BC, que reúne reformas para ampliar a eficiência e produtividade.

Em maio, Campos havia pedido a ex-presidentes do BC sugestões para melhorar a comunicação de política monetária, em debate no Seminário Anual de Metas de Inflação. A questão levantou especulações de que o BC poderia abrir mais informações ao mercado, como parâmetros utilizados nos seus modelos de projeção de inflação. No Canadá, por exemplo, o BC divulga estimativas do grau de ociosidade da economia e da taxa de juros neutra. Em países nórdicos, bancos centrais fornecem suas estimativas para a trajetória futura da taxa de juros. Ao Valor Campos explicou que esses temas não estão em consideração.

“Estamos pensando, internamente, se existiriam instrumentos, usando tecnologia, que poderiam nos guiar melhor na comunicação”, disse ele. “Estamos fazendo um trabalho com ‘machine learning’, de colocar as palavras e ver os seus efeitos.”

Desde a crise financeira de 2008, quando os juros foram cortados para perto de zero nas economias desenvolvidas, os bancos centrais passaram a usar a comunicação de forma mais intensa para influenciar os mercados e estabilizar as economias. Essa massa de palavras é matéria-prima para algoritmos que fazem análise textual e resumem, com um índice muito simples, se o banco central está com uma postura mais “dovish” (inclinada a baixar os juros), “hawkish” (inclinado a subir) ou neutra. Nos Estados Unidos, o Prattle Fed Index procura medir a inclinação para os juros dos pronunciamentos do BC local, o Federal Reserve (Fed).

O uso de máquinas, em tese, poderia eliminar ruídos de comunicação. Em maio de 2018, por exemplo, o então presidente do BC, Ilan Goldfajn, procurou dar uma mensagem neutra em uma entrevista à TV às vésperas de uma reunião do Copom. Os analistas econômicos, salvo algumas exceções, entenderam que a mensagem era “dovish”. Quando o BC decidiu não cortar os juros da forma esperada, houve forte volatilidade no mercado.

Desencontros na comunicação entre humanos ocorrem por várias razões. Pode ser um problema no emissor da mensagem — é o que muitos no mercado acreditam que ocorreu com Ilan em 2018. Muitas vezes, porém, o receptor da mensagem entende mal porque deixa de pesar adequadamente determinadas palavras que não estão de acordo com suas crenças e expectativas. Também ocorrem ruídos quando a comunicação é feita com os mercados abertos e decisões de investimentos são tomadas em frações de segundo. Nessas circunstâncias, o risco é extrair sinais de política monetária a partir de palavras-chaves, que se mostram equivocados com a leitura completa do texto. Com a inteligência artificial, teoricamente, não há esse problema — as máquinas leem tudo e cospem em segundos um número que indica a inclinação do BC para os juros.

Mas as máquinas são mesmo eficientes? Na qualidade de pesquisadora do Federal Reserve (Fed, o BC americano) regional de San Francisco, a economista Fernanda Nechio, indicada pelo governo para compor a diretoria colegiada do BC brasileiro, fez um interessante estudo sobre o tema. Ela comparou o Prattle Fed Index dos discursos dos membros desse colegiado com as projeções de longo prazo do Fed para os juros — e encontrou uma forte correlação entre eles. Em tese, as máquinas devem ser ainda mais bem acuradas se elas próprias ajudarem os BCs a escolherem as palavras certas.

Outro debate dentro do BC, segundo Campos, é sobre transmitir as reuniões feitas com representantes do mercado. No passado, havia muito ruído provocado por boatos de que um ou outro analista ou operador havia ouvido um recado importante em reuniões no BC. Esses rumores diminuíram muito depois que o BC passou a divulgar quem é recebido em audiências. Agora, a autoridade monetária está fazendo uma avaliação jurídica para saber se poderá transmitir as reuniões. “Sempre nos pautamos pelo princípio do ‘information for all’, o que significa todos terão a mesma informação ao mesmo tempo”, disse Campos.

Reuniões com o mercado poderão ser transmitidas

Para temperar as apostas na retomada dos cortes da taxa básica e juros, o BC vem lembrando que, a despeito do fraco ritmo de expansão da economia, as expectativas de inflação não caíram. Na sexta-feira, foi divulgado mais um dado decepcionante: o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) caiu 0,47%, ampliando o risco de uma recessão técnica. Enquanto isso, as projeções de inflação dos analistas econômicos para 2020 seguem em 4%. Por que não cedem?

A questão deve ser reformulada: as expectativas de inflação deveriam cair? Em 4%, elas seguem ancoradas na meta definida para o ano. Em um regime de metas de inflação, quando o BC tem credibilidade, deve acontecer exatamente isso. Nessas circunstâncias, os formadores de preços confiam que o Banco Central vai fazer o necessário para cumprir a meta.

Isso ajuda a entender por que o mercado, de forma majoritária, já prevê o corte na taxa básica de juros depois que houver maior segurança na aprovação da reforma da Previdência, segundo levantamento feito pelo Valor Data com 63 departamentos econômicos do setor privado.

Se essa diferença entre a visão e as sinalizações conservadoras do BC perdurar por muito tempo, aí sim haveria uma queda nas projeções de inflação abaixo da meta de 2020. Nesse caso, a autoridade monetária teria falhado em ancorar as expectativas. Por isso, é de se esperar mudanças na sinalização mais conservadora do Banco Central ou no otimismo do mercado.

@tecnologia @economia

terça-feira, 2 de julho de 2019

Vídeo: crescimento populacional na era comum



Arte em vídeo destaca o crescimento populacional desde o ano 1 A.C., projetando até 2050. Cada ponto amarelo representa 01 milhão de pessoas.

@história @geografia

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Primórdios da história do petróleo brasileiro, testemunho de Décio Oddone




No CNP, o meu avô Décio S. Oddone chefiava a geofísica, Pedro de Moura a geologia e Nero Passos a sondagem. Sua filha Maria José me passou o arquivo de Passos, onde encontrei fotos do primeiro barril de petróleo brasileiro. Vai para o museu da Urca junto com o acervo do meu avô.

https://twitter.com/decio_oddone/status/1144774326761197569?s=12

@CEP85

sábado, 29 de junho de 2019

Sobe-desce do bitcoin preocupa mercado (Jaqueline Mendes, Correio Braziliense)

Sexta-feira, 28 de Junho de 2019 - 02:02
Correio Braziliense | Economia

Depois de disparar 50% em uma semana e cair 10% em poucas horas, a mãe de todas as criptomoedas espalha dúvidas sobre o futuro de sua valorização, atormentando investidores 


» Jaqueline Mendes
São Paulo -- Quem acreditava que a volatilidade das ações nas bolsas de valores no mundo todo era o máximo de adrenalina que os investidores poderiam sentir não conhecia o bitcoin (BTC). A mais famosa das criptomoedas chegou a valer, na quarta-feira, a impressionante cifra de US$ 13,8 mil, maior valor registrado em 2019, alta de 230% desde o começo do ano.

No dia seguinte, porém, a moeda virtual derreteu 10% em poucos minutos, uma queda de quase US$ 2 mil. A cotação caiu a US$ 11,9 mil em menos de uma hora, de acordo com a Refinity data, e voltou a suscitar dúvidas sobre a sustentabilidade da moeda. "Está muito claro que o bitcoin é para quem está preparado para enfrentar fortes variações, sendo uma aposta de altíssimo risco", disse o diretor de estratégia de crédito do Deutsche Bank, Jim Reid, em entrevista à CNBC.

As recentes altas, seguidas por fortes quedas, têm sido alimentadas principalmente pelo anúncio da libra, a criptomoeda liderada pelo Facebook, na última semana. Além disso, a guerra comercial travada entre os Estados e a China, com possíveis mudanças nas regras de mineração da criptomoeda, também são fontes de incertezas. "Até mesmo os mais otimistas diziam que um movimento de valorização de 50% em uma semana era rápido demais", afirmou Michael Moro, presidente da Genesis Global Trading. "Era natural que um salto desse tamanho, em um pequeno intervalo de tempo, não iria se sustentar."

Já o cofundador da Fundstrat Global Advisers, Thomas Lee, acredita que a volatilidade do bitcoin comprova a tese de que se trata de um investimento de longo prazo, e que não deve ser explorado como ativo de retorno rápido para investidores amadores. "O Bitcoin é um ativo hipervolátil. Para a maioria dos investidores, o mais apropriado é ter uma visão de longo prazo", disse ele.

Como não poderia ser diferente, voltaram a crescer as especulações de que a valorização é uma bolha. "O atual aumento de preço do bitcoin reúne muitas pessoas com medo de perder uma grande oportunidade de ganhar muito dinheiro. Mas comprar bitcoins ainda é semelhante a uma aposta", disse a economista Michelle Singletary, colunista do jornal americano Washington Post. "É preciso ter em mente que essas bolhas estouram."

A montanha-russa na cotação da moeda virtual está preocupando os bancos centrais. Como sabem que não podem proibir ou ficar de fora de um caminho sem volta da digitalização do dinheiro, a maioria dos BCs está desenvolvendo suas próprias criptomoedas. Segundo pesquisa elaborada pelo Bank for International Settlements (BIS), 70% dos bancos pesquisados já começaram a trabalhar em um Central Bank Digital Currency (CBDC, ou ativos digitais de bancos centrais) ou estão considerando a implementação e desenvolvimento de ativos digitais. A pesquisa mostra que 50% dos bancos disseram que já estão em um estágio de prova de conceito em seus empreendimentos no criptomercado.

O BIS é uma instituição comandada por diversos bancos centrais de todo o mundo e tem como foco principal providenciar uma melhor cooperação financeira e monetária internacional. De acordo com as informações publicadas, 63 bancos centrais participaram da pesquisa do BIS. Essas 63 instituições financeiras representam jurisdições que cobrem mais de 80% da população mundial. Os bancos que responderam à pesquisa têm mais de 90% da produção econômica mundial.

O Banco Central Europeu tem sido um dos mais agressivos nas críticas às criptomoedas. A instituição está semanalmente alertando sobre os riscos de se investir nelas. No fim do ano passado, o vice-presidente, Vitor Constancio, chegou a comparar o bitcoin às tulipas holandesas do século 17, responsáveis pela primeira bolha registrada na história econômica.

Nessa mesma linha, a China deixou claro que quer ter total controle sobre as criptomoedas. Reprimiu as exchanges e os ICOs e fala em emitir uma criptomoeda oficial do governo chinês. Enquanto isso, o presidente do Banco Central japonês, Haruhiko Kahoda, declarou que não há data definida, mas que existem estudos para se lançar uma moeda digital no país.

@economia @tecnologia

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Facebook entra em águas perigosas (Martin Wolf, Valor Econômico)


Quarta-feira, 26 de Junho de 2019 - 05:22 
Valor Econômico | Opinião 


Na semana passada o Banco da Inglaterra divulgou o resultado de uma avaliação independente do futuro do sistema financeiro, juntamente com sua reação a isso. Como se quisesse provar a importância dessas questões, o Facebook e 27 parceiras anunciaram um plano de lançar uma moeda digital mundial que se chamará Libra e um sistema de pagamentos associado a ela. Como se deveria estimar a relevância, o potencial e os riscos desses desdobramentos? Como os órgãos reguladores deveriam reagir? A resposta é: com cautela.

A revolução da informação, agora ampliada pela Inteligência Artificial (IA), certamente vai revolucionar o sistema financeiro. Oferece enormes vantagens potenciais, sob a forma de pagamentos mais rápidos e mais baratos, serviços financeiros de melhor qualidade e melhor gestão de risco. Já assistimos a uma queda acentuada no uso de dinheiro vivo e a um crescimento explosivo dos pagamentos digitais. Na China, a revolução da tecnologia de pagamentos, encabeçada pela Alipay (atualmente parte da Ant Financial), é extraordinária. O Facebook está tentando criar um concorrente. Note-se bem: nesse caso, os EUA estão seguindo o exemplo da China.

Mas o sistema financeiro também é uma infraestrutura decisiva. Um colapso do sistema financeiro tende a criar uma enorme crise econômica. A inovação mal compreendida revelou ser, muitas vezes, a parteira de calamidades como essas. É vital, portanto, garantir que as implicações de grandes inovações, como a Libra, sejam bem entendidas. Mark Carney, presidente do Banco da Inglaterra, argumentou na semana passada em seu discurso na Mansion House que o banco “se aproxima da Libra com a cabeça aberta, mas não com a porta aberta”. A cabeça não pode se abrir totalmente, no entanto.

Uma primeira pergunta tem de ser se podemos confiar no patrocinador de uma inovação tão delicada. O Facebook foi repulsivamente irresponsável com relação a seu impacto sobre as nossas democracias. Não podemos, obviamente, lhe confiar os nossos sistemas de pagamento. O Facebook dispõe de uma resposta para isso: tem apenas um voto na Libra Association, que terá governança independente localizada em Genebra. A meta é ter 100 membros até o lançamento, em 2020. Mas o Facebook parece tendente a dominar o desenvolvimento técnico da Libra. Isso cer

tamente lhe dará uma influência hegemônica.

Randal Quarles, presidente do Conselho de Estabilidade Financeira, tem razão ao dizer aos dirigentes dos países do G-20, reunidos no Japão, que “um uso mais amplo de novos tipos de criptoativos para fins de pagamento de varejo asseguraria um monitoramento estreito pelas autoridades a fim de garantir que eles cumpram altos padrões de regulamentação”.

Portanto, independentemente das dúvidas com relação ao patrocinador, um novo sistema mundial de pagamentos tem de ser avaliado por sua estabilidade técnica, seu impacto sobre a estabilidade monetária e financeira (especialmente nos países em desenvolvimento) e sua vulnerabilidade aos fraudadores, criminosos e terroristas. Surgem também inquietantes interrogações sobre as concentrações de poder, no caso de a empreitada ter êxito.

O plano atual prevê apenas um sistema pagamento. A moeda em si, nas palavras do relatório técnico, deverá ser “integralmente lastreada por uma reserva de ativos reais. Uma cesta de depósitos bancários e de títulos governamentais de curto prazo será mantida na Reserva de Libras para cada Libra que for criada, consolidando confiança em seu valor intrínseco”. Esse valor, no entanto, será vulnerável às flutuações cambiais e aos choques financeiros (entre os quais os controles cambiais). Suas oscilações em relação às moedas podem incomodar os usuários. Os órgãos reguladores terão de avaliar as instabilidades associadas a um sistema desse gênero.

Não posso julgar a estabilidade técnica do sistema pretendido. A afirmação de que ele se baseia em tecnologia de “blockchain” [uma espécie de livro contábil eletrônico que armazena o registro das operações em blocos digitais] parece bastante questionável. Mas apenas apoiadores fanáticos de sistemas “não autorizados” têm de se preocupar com isso. O mais importante é que o sistema seja robusto, resistente a violações e que proteja a privacidade pessoal, sendo, ao mesmo tempo, suficientemente transparente para reguladores, autoridades judiciais e outros agentes legitimamente interessados pelos que o usam.

Uma questão decisiva é como a Libra vai interagir com os bancos tradicionais. Poderá privá-los de uma grande parcela de seus clientes, do lado dos pagamentos. Em contraposição, o sistema da Libra poderá deter enormes depósitos nos bancos, equiparados, do outro lado de seu balanço, a carteiras de Libra mantidas pelos clientes.

De forma alternativa, como disse Carney: “Com o surgimento de novos fornecedores e sistemas de pagamento, o acesso à infraestrutura central [do Banco da Inglaterra] deverá mudar, e faz sentido considerar se eles também poderiam deter recursos por um só dia no balanço do banco”. Dependendo do grau em que os bancos centrais criarem essas reservas (uma decisão que só cabe a eles), um sistema como o da Libra poderá contornar totalmente os sistemas tradicionais de pagamentos bancários. As vantagens históricas dos bancos como instituições de crédito especializadas poderão desaparecer.

Desponta uma possibilidade muito mais significativa: o sistema da Libra, com seu conhecimento dos clientes, se tornaria, ele mesmo, uma instituição de crédito, usurpando assim os balanços dos bancos tradicionais do lado dos ativos. Na pior das hipóteses, o mundo poderá ter um monobanco dominado pelo Facebook. Os riscos disso são enormes: instabilidade monetária e financeira, concentração de poder econômico e político, falta de privacidade e muitos outros problemas potenciais.

Uma moeda mundial, criada pela concessão de empréstimos de um banco mundial (uma vez que os bancos criam dinheiro como subproduto de seus empréstimos), em uma moeda (a Libra) não respaldada por qualquer banco central e desprovida de regulador dominante, parece criar um risco apavorante à estabilidade.

Existe, efetivamente, potencial para sistemas de pagamento grandemente aprimorados. Mas o surgimento de um sistema de pagamento em uma rede da escala do Facebook levantaria algumas interrogações gigantescas. No caso de a Libra se desenvolver, em última instância, num verdadeiro sistema bancário, com capacidade para criar sua própria moeda autorizada (artificial), as interrogações se tornarão ainda mais prementes. Mesmo se forem descartados os empréstimos por meio do sistema da Libra, os reguladores não deveriam permitir que esse plano avance sem entender, plenamente, as implicações. Isso seria verdadeiro mesmo se o principal patrocinador não fosse o Facebook. Mas é. Portanto, tenhamos cuidado.

A primeira pergunta é se podemos confiar no patrocinador de inovação tão delicada. O Facebook foi repulsivamente irresponsável com relação a seu impacto sobre as nossas democracias. Não podemos lhe confiar nossos sistemas de pagamento

@economia @tecnologia